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"Sou mestiço não só no sangue, mas em tudo o resto"

Carlão lançou recentemente o seu segundo disco a solo e batizou-o em forma de pergunta, mas ‘Entretenimento?’ é muito mais do que um ponto de interrogação. Levanta várias questões, traz-nos ritmos distintos, letras refletidas, rap, rock, pop, texturas mais dançáveis, guitarra e sons africanos. O músico explicou isso e muito mais numa conversa com o Notícias ao Minuto que hoje lhe revelamos.

"Sou mestiço não só no sangue, mas em tudo o resto"
Notícias ao Minuto

09:10 - 28/12/18 por Natacha Nunes Costa 

Cultura Carlão

Parece um camaleão. Um camaleão da música portuguesa. É, tal como o próprio descreve, mestiço não só na essência, como também no que gosta de fazer nesta arte que é a música. Do seu percurso profissional fazem parte projetos tão diferentes como Da Weasel, Os Dias de Raiva, Algodão e 5-30. Agora, a solo, escolheu olhar-se ao espelho e escrever sobre a sua imagem refletida numa cadência confessional que chega a parecer o consultório de um analista. Falamos, claro, de Carlão.

Deixou de se circunscrever a apenas um género e escolheu ser tudo o que gosta, sem seguir códigos que a sociedade tantas vezes impõe. Sente-se melhor do que nunca, encontrou-se. E isso transparece, não só no ‘Quarenta’, como neste segundo álbum a solo: ‘Entretenimento?’.

Ao dar a forma de pergunta ao trabalho, Carlão quis questionar-nos sobre os limites do entretenimento hoje em dia, que parecem ser cada vez menos. Mas interroga-se também a si próprio: Até que ponto é que entra, ou deve entrar, neste jogo?

Ao fim de 25 anos de carreira, Carlão tem um inegável talento para a rima, para nos seduzir, para nos surpreender. E como é que chegou a este ponto? Isso (e muito mais), revela-nos na entrevista de hoje do Vozes ao Minuto.

Lançou o seu último álbum em setembro. Deu-lhe a forma de pergunta. E agora pergunto-lhe eu: Estes três meses têm sido um entretenimento?

[Risos] Q.b., q.b. Tenho tocado, tenho estado a promover o disco, tenho estado a marcar datas para 2019. Os últimos três meses têm estado a correr muito bem. O feedback tem sido muito positivo.

Estamos a viver uma altura em que tudo, ou praticamente tudo, é comunicado como entretenimento, quase que já não há limites

E porquê este título para o seu segundo álbum a solo? Por que razão lhe deu a forma de pergunta?

Na verdade em ‘Entretenimento?’ faço várias perguntas. Questiono o que é hoje em dia entretenimento porque parece-me que quase tudo é comunicado como tal. Seja na política internacional, - que começou com o Obama e continua com o Trump a elevar ainda mais a fasquia - ou cá em Portugal, com pessoas como Bruno de Carvalho. Estamos a viver uma altura em que tudo, ou praticamente tudo, é comunicado como entretenimento, quase que já não há limites, é difícil distinguir o que é entretenimento e o que não é. E pergunto também, a mim mesmo, até que ponto é que eu jogo este jogo. É que faço música e a música é considerada entretenimento. Além disso, há toda uma indústria e promoção, quase que nos vendemos um bocado também.

Essa pergunta tem alguma sátira. A certo ponto, diz que “continua a ser um palhaço”. Isso quer dizer que o Carlão também procura dar azo a esta cultura do entretenimento que se vive hoje em dia?

Inevitavelmente entramos nesse jogo. A partir do momento em que faço música e a comercializo, dou espetáculos e atuações, automaticamente, entro nesse jogo. Agora o que sempre tentei, foi não fazer qualquer tipo de concessões ou compromissos enquanto construo a minha música. Só faço algumas concessões quando é para a vender e promover e é porque tenho de as fazer. Na parte da conceção da música, não cedo a pressões, estamos a falar dos meus bebés e protejo-os bem.

E o que diferencia ‘Entretenimento?’ de ‘Quarenta’?

Acho que o ‘Entretenimento?’ é uma evolução do ‘Quarenta’. Em termos sonoros está melhor conseguido, é um álbum mais completo com muita diversidade. Tem um tema de voz e guitarra, outro de hip-hop puro e duro, tem umas coisas mais pop e dançáveis pelo meio e tem África também. Apesar de parecer esquizofrénico ou bipolar, é um disco mais coeso, muito pelas participações. Há uma evolução sonora em relação ao ‘Quarenta’ e as pessoas dizem-me isso mesmo. Enquanto no ‘Quarenta’ as pessoas diziam-me ‘gosto deste tema, daquele nem tanto’, ou ‘gosto muito deste mas não gosto assim tanto do resto do disco’, o feedback que tenho tido do ‘Entretenimento?’ é precisamente o contrário. As pessoas gostam deste disco no seu todo e dizem-me que já não ouviam um disco do princípio ao fim há muito tempo. Isso é uma grande vitória porque ainda acredito nos discos, apesar de a malta hoje em dia ser mais na base dos singles.

Deve ser um orgulho ouvir isso então…

É, claro. É um sentimento de missão cumprida. No tema que fecha o disco, no ‘Até já’, questiono-me se vale a pena fazer um disco porque o povo só quer singles e a resposta está aqui. Vale a pena, têm me dito que sim, portanto, estou contente.

Tal como aconteceu em 'Quarenta', ‘Entretenimento?’ é uma mistura de vários géneros, de vários sons. Gosta de misturar vários estilos?

Canso-me muito facilmente de estar sempre no mesmo registo. Não quer dizer que não goste de ouvir um disco que seja parecido do início ao fim, canso-me é de ouvir a mim no mesmo registo. Além disso tenho fases, há fases em que gosto mais de x tema e de x vibração, mas gosto do resultado final num todo.

Durante muitos anos achei que era muito claro para preto ou muito preto para branco e isso assombrou-me

Por isso é que o seu percurso artístico conta com projetos tão diferentes como Da Weasel, Os Dias de Raiva e Algodão?

Tenho muitas referências diferentes, costumo dizer que sou mestiço não só no sangue, mas em tudo o resto. Sempre tive muita dificuldade em adaptar-me e tentei durante muito tempo adaptar-me a certos grupos e aos seus códigos. Era do rap, era do metal, fui muitas coisas, mas nunca era verdadeiramente nenhuma delas, até que cheguei a um ponto que decidi ser igual a mim próprio. Agora posso ter isto tudo ao mesmo tempo. Sou crioulo na verdadeira aceção da palavra. Os meus pais, como cabo-verdianos, são uma mistura de várias raças e durante muitos anos achei que era muito claro para preto ou muito preto para branco e isso assombrou-me durante uma boa parte da minha vida até ao ponto em que cheguei à conclusão de que eu sou o que sou e ‘tá-se’ bem assim.

Em relação à música, foi a mesma coisa. Tive bandas de garagem, comecei a tocar baixo, em bandas de rock e de hardcore, depois veio o hip-hop e, hoje em dia, sou um bocado a sombra disso tudo que me acompanhou. Hoje em dia, acabo por fazer mais coisas no registo meio rimado meio dito, que é aquele de que eu gosto mais, a música é que pode variar depois.

Após ter uma banda hardcore (Os Dias de Raiva), sentiu falta de rimar? Como é que surgiu esta nova viragem?

Na altura de ‘Os Dias de Raiva’ não sentia falta de rimar. Só quando partilhei o estúdio com o Fred Ferreira, no Maria Pia, onde estava também o Regula e o Sam The Kid, em 2013, é que o Fred, que estava a compor umas coisas, começou a desafiarr-me para fazer umas músicas, eu não queria, mas eles lá me chatearam até eu dizer está bem. Cantei um ou dois refrões e às tantas já estava a rimar. E pronto, depois fizemos o disco dos 5-30, em 2014, e correu mesmo muito bem e isso acordou, digamos, uma célula adormecida. A célula acordou e, em 2015, acabo por gravar o ‘Quarenta’ muito rapidamente.

A escrita para mim é aquela sala do analista, do psicólogo, onde tu vais e verbalizas as coisas, dizes as coisas que tens cá dentro e que não tinhas posto cá para fora. É uma forma de fazer terapiaOs seus álbuns a solo parecem confissões. Uma reflexão sobre a sua vida. Fala da família, das suas filhas, de amores e da geração de hoje em dia. Onde vai buscar mais inspiração? À sua própria vida ou à sociedade em geral?

No dia a dia, naquilo que vejo e que experiencio. Sendo que, a escrita para mim sempre foi terapêutica, ou seja, há muitas coisas que se calhar sobre as quais não falo e a minha maneira de chegar a esses assuntos é através da escrita. Funciona muito nesta base. Por exemplo, há muitas pessoas que acham que sou romântico e, na verdade, não sou assim tanto. Não tenho esse à vontade, talvez depois de uma garrafa de vinho [risos], mas, no dia a dia, não sou assim muito. Contudo, quando escrevo, consigo colocar isso tudo lá. A escrita para mim é aquela sala do analista, do psicólogo, onde tu vais e verbalizas as coisas, dizes as coisas que tens cá dentro e que não tinhas posto cá para fora. É uma forma de fazer terapia.

E voltando às suas filhas. Já sabemos que são uma inspiração para si. Mas o que é que mais gosta de fazer com elas? Qual a atividade preferida entre pai e filhas?

Elas vão mudando de registo muito rapidamente à medida que o tempo passa, agora estou na fase de jogos com a mais nova e a mais velha está a descobrir muitas coisas, está a experimentar vocações diferentes, desde o piano à dança. Gosto muito de as acompanhar nesses processos todos.

Mas a sua filha mais velha quer seguir a carreira do pai?

Acho que não vê a coisa dessa forma, mas ela tem uma grande musicalidade. Toca piano e gosta, até lhe ofereci no Natal um piano mais a sério. É óbvio que gostaria, daqui a uns anos, de fazer algo com ela. No outro dia fui participar num concerto do Tim e uma das coisas mais porreiras desse concerto foi que o Tim estava a tocar com os dois filhos, um na bateria e outro nas teclas, e uma das pessoas que estava a fazer luz é o filho de um técnico de luz que já faz luz há muito tempo. Estava lá uma turma muito familiar e muito porreira. Portanto, não sei se as coisas vão funcionar dessa forma e não coloco nenhuma pressão nas minhas filhas, elas seguem o que quiserem seguir, mas obviamente que me dava um prazer inacreditável daqui a uns anos fazer uma música com as minhas filhas.

E como é que elas vivem com a questão de ter um pai famoso?

Acho que elas veem isto de uma forma muito pura e normal, não há nenhuma conotação diferente. Para elas ter um pai músico é igual a ter um pai padeiro e, na verdade, é assim que tem de ser.

Sinceramente, gosto muito mais de mim agora, do que a pessoa que era nos anos dos Da Weasel. É que nem há comparação possível

Neste álbum também dá um presente aos fãs de Da Weasel ao oferecer a presença do seu irmão em #Demasia, quer na produção, quer no vídeo. Tem saudades de estar em palco com os Da Weasel? Gostava que a banda voltasse a dar um concerto toda junta?

Não! Tenho saudades deles e de estar com eles, mas não da época. Sinceramente, gosto muito mais de mim agora, do que a pessoa que era nos anos dos Da Weasel. É que nem há comparação possível, estou numa fase mais fixe, aproveito as coisas de outra forma. É claro que há muitas memórias boas. Saudosismo não há, há talvez uma saudade de estar com aquela malta e partilhar um palco com eles. Tenho isto muito bem resolvido. Foi muito fixe, foi do caraças, mas agora para mim estou ok. Sinto falta principalmente do meu irmão porque nós fizemos muitas coisas juntos e havia uma química ao vivo incrível, incrível, muito forte mesmo e disso sim, tenho saudades.

E já pensaram, eventualmente, em voltar?

Isso é a pergunta de um milhão. Não sei, acho que isso é uma coisa que poderá estar presente mais na cabeça de uns do que de outros. O que eu sei é que não dá para dizer nunca. Há muita gente que nos coloca essa pergunta. Volta não volta vêm ter connosco com convites e cenas. Mas até agora não aconteceu, não quer dizer que não possa vir a acontecer.

E como é que surgiu a colaboração com António Zambujo, em ‘Vem Beber Um Copo’. Fale-nos um pouco dessa música que o coloca num registo bastante diferente do que estamos habituados.

O Zambujo foi uma pessoa que conheci num registo de que gosto muito e com o qual tenho aprendido muito que é nas colaborações com outros músicos. Em alguns destes concertos, onde fiz participações, estava lá o Zambujo também a participar. Ele é um gajo que também faz muito isso. Fomos conhecendo-nos e gostei muito dele. Tivemos uma ligação logo de manos, uma cena muito porreira, muito à vontade e acho que ele é assim com muita gente, é um gajo generoso, dá-se e é boa onda. E ficámos amigos assim. Além disso, gosto muito do timbre dele, da voz dele, é uma das vozes mais especiais da música portuguesa, é inconfundível. Até que às tantas, sugeri-lhe fazermos algo juntos e ele aceitou. Foi uma colaboração muito fácil. Ele mandou-me uma melodia de voz e eu comecei a escrever, fechámos o refrão em casa dele, muito rapidamente. E o tema que está neste disco é o segundo take, ou seja, estávamos a gravar na mesma sala, em estúdio, os dois cara a cara, a curtir a coisa. Gravámos o segundo take e foi esse que ficou. Foi tão espontâneo queacho que as pessoas quase se sentem ali, o que hoje em dia é muito difícil . Gosto muito de sentir isso nos discos e também queria passar um bocado esse calor.

E as outras colaborações como é que surgiram?

Um bocado como a do António Zambujo, todas as participações deste disco são pessoas que eu admiro enquanto músicos e enquanto seres humanos. Gosto daquilo que representam e das pessoas que são. E sou fã também. O Manuel Cruz, por exemplo, é meu amigo, já fizemos várias coisas e eu sou muito fã dele. O objetivo foi fazer música com pessoas de que  gosto e sou fã e trazê-las para o meu mundo. Quando convido o Manuel Cruz sei que vai sair dali algo muito raro, porque ele é uma pessoa muito específica, com uma sonoridade muito difícil de definir e que, a partir do momento, em que fazemos uma coisa juntos, também deixa de ser só uma sonoridade dele para ser também o meu ADN que está ali.

Portanto, isto faz parte da minha procura por cenas mestiças, é juntar, criar híbridos com esta malta toda e acho que isso tem sido conseguido, pelo menos com o Zambujo e com o Manuel Cruz conseguimos isso. 

Tal como outros músicos lusófonos, tem uma música neste novo trabalho onde se navega pelos ritmos de Cabo Verde ('Viver para Sempre'). Acha que a música tem contribuído para divulgar o que de bom se faz em África?

Há 20, 30 anos, havia quase uma vergonha da parte dos africanos em assumirem as suas raízes, o que é normal porque estavam num processo de adaptação e queriam pertencer o máximo possível ao sítio onde estavam. E, por outro lado, havia um desconforto, da parte dos portugueses, em ouvir música africana por preconceito, seja pelo que for, por falta de hábito e por tudo. Agora vivemos numa altura em que é o contrário. Além disso, a malta está a fazer algo diferente, uma versão portuguesa e europeia, dessa música africana que é, também ela, muito interessante. Portanto, gosto muito disto que estamos a viver e que é bastante diferente daquilo que era há 20 anos.

E como é ser músico em Portugal? Acha que as coisas estão mais fáceis, ou mais difíceis do que na altura dos Da Weasel?

É diferente, há coisas que são gritantemente mais fáceis e há outras que nem por isso. O que é mais fácil é a forma de registares a tua música, de a fazeres, de a gravares, de a misturares, isso tudo, esses meios foram democratizados com o passar dos anos e ainda bem. Quando começámos era muito difícil teres tempo de estúdio, teres um técnico que percebesse da coisa, gravares algo com bom som. Hoje gravas em casa na boa um disco, se for preciso. Portanto, isso é incomparavelmente diferente. Agora também a cena da net, que não havia, a forma de promoveres a tua música, também é muito mais fácil. O poder das editoras e das rádios desceu muito, porque para certos tipos de música nem precisas que passe na rádio ou de assinar com uma editora, estão na net e a coisa dá-se e ainda bem.

Agora, há outras dificuldades. Por exemplo, há muito mais competição, porque há mais facilidade em fazer as coisas. Há também um lado mais descartável, que é esta coisa muito imediata, de consumir muito mais rápido as coisas. Os Táxi fizeram ‘Chiclete’ nos anos 80, que era tipo ‘mastiga e deita fora’, já na altura havia um bocado isso, agora acho que ainda é pior. Mas pronto, são outras dificuldades. Não diria que era mais difícil na altura porque agora também não é fácil. Não dá para estar a comparar, porque os problemas são outros.

Sempre houve uma preocupação de ter espinha e agora é quase o contrário, quanto mais inócuo fores, melhor. Ninguém se chateia e pronto

Mas acha que as músicas estão mais vazias?

Talvez. Há 20 anos tinhas bandas que são mainstream, com preocupações sociais e políticas e hoje em dia parece que o vazio é cada vez maior, ou seja, no underground há sempre pessoas com essas questões, mas para as massas não encontro isso. Tento encontrar bandas que tenham uma atitude, uma cor política, seja ela qual for, ou uma preocupação social e no mainstream não encontro isso. Acho que a última banda de pop que teve e ainda tem essa postura são os U2 e já não tem nada a ver com esta geração. De resto não vejo assim ninguém, de liga A, que tenha essa atitude e isso custa-me um bocado, porque sempre houve uma preocupação de ter espinha e agora é quase o contrário, quanto mais inócuo fores, melhor. Ninguém se chateia e pronto.

E o que ouve o Carlão? Que músicos anda a ouvir neste momento?

Neste momento ando a ouvir o disco da Aline Frazão, ‘Dentro da Chuva’, o disco do Dino d’Santiago, 'Mundu Nobu', e Jorja Smith, gosto muito do disco dela, é um belíssimo disco, uma miúda com cerca de 20 anos e muito talento. Ouço ainda coisas de sempre, que continuo a ouvir.

Aos 40 anos e com 25 de carreira, o que falta ainda fazer?

Tudo! Tanta, tanta coisa. Acho que há sempre essa ideia de aperfeiçoar aquilo que estás a fazer. Neste momento estou muito contente com o ‘Entretenimento?’, mas sei que daqui a seis meses vou encontrar nele cada vez mais defeitos e vou querer fazer melhor. Compões os temas, começas a tocá-los ao vivo e as músicas começam a ganhar outras cores, outros arranjos e olhas para o disco e dizes ‘agora é que era a altura fixe para ter gravado este disco’. E nessa altura, ou gravas outro, ou fazes outra coisa.

Daí o ‘Até já’ ser o último tema do disco? Isso quer dizer que vamos ter um novo álbum em breve?

[Risos] É um bocado difícil não estar a fazer coisas, enquanto estava a gravar o disco fiz um tema com os Xutos&Pontapés para o disco deles, depois fiz a música de uma telenovela, participação aqui e ali, quer dizer, mesmo que não faça já um disco vou estar sempre a fazer coisinhas e estou a gostar muito deste lado.

Às vezes até tenho de parar porque parece que um gajo quer fazer tudo, mas a verdade é que gosto muito desta partilha que estamos a viver que é outra coisa diferente daquilo que acontecia quando comecei a fazer música. Esta partilha entre os músicos, estas colaborações uns com os outros, quase todas por boas razões, porque gostam mesmo uns dos outros e não porque vai bater e não sei quê. Vivemos numa altura muito boa neste aspeto. Quando comecei, cada um fazia a sua cena e não se misturavam. Acho que toda a gente ganha com o momento que se vive agora. Ganha a música, ganham os músicos e ganha o público que pode ter acesso a coisas também diferentes. Eu, por exemplo, estou a aprender muito ao fazer coisas com o pessoal mais velho que sempre admirei, com o pessoal da minha idade e com os putos que aparecem aí com ideias e que estão muito fortes. Como diria o Jorge Jesus, ‘tão muita fortes’.

Quando e onde são os próximos concertos?

Dia 28 de dezembro [hoje] vou atuar em Almada nas festas Feliz Almada. O concerto chama-se ‘Carlão no Cais’ e vamos fazer umas versões meio acústicas. No dia 29 [amanhã] vou estar no Terreiro do Paço, em Lisboa, nas festividades do final do ano, com o Branko, a Sara Tavares, o Dino d’Santiago e o Cachupa Psicadélica. Já fizemos o ensaio e vai ser muito giro. O resto são datas para o próximo ano.

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