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"Odeio essa coisa de ser a 'mulher de'. Sempre tive o meu percurso"

Quisemos conhecer um outro lado da pessoa que se manteve sempre ao lado de António Raminhos ao longo da ascensão da sua carreira. Além de esposa do humorista, é mãe, empresária, amiga e acima de tudo, mulher. Catarina Raminhos é a entrevistada de hoje do Vozes ao Minuto.

"Odeio essa coisa de ser a 'mulher de'. Sempre tive o meu percurso"
Notícias ao Minuto

06/10/17 por Mariline Direito Rodrigues

Fama Catarina Raminhos

A vida de Catarina Raminhos é um autêntico frenesim. As três Marias ocupam-lhe grande parte da agenda, mas não é só às filhas que a entrevistada dedica o seu tempo. Para lá desta grande tarefa - a de ser mãe -, Catarina é também dona de uma empresa de organização de eventos que fundou com uma grande amiga. E como se não bastasse decidiu ainda criar um blog - '7 da Tarde e Ainda Não Lavei os Dentes', que não é mais do que um espaço digital onde partilha os momentos mais marcantes da sua rotina, que acabam por ser bastantes.

Como é que surgiu a ideia de criar o blog?

A ideia não foi minha, curiosamente. O Raminhos dizia há muitos anos que eu devia criar um blog para partilhar as histórias e porque também sempre gostei muito de escrever. Houve uma vez em que a Rita [grande amiga da Catarina], da Agência das Letras, disse que fazia todo o sentido eu ter um blog. Como todos os desafios na minha vida, aceitei a pensar que depois logo se via.

E porquê o nome tão curioso?

Antes escrevia muitos textos para blogs de amigas minhas, mas nunca pensei em ter o meu. E houve uma vez que escrevi um texto em que dizia que eram sete da tarde e que ainda não tinha lavado os dentes. No fundo era um retrato do meu caos familiar. Na altura a bebé tinha duas semanas, tinha ficado um dia inteiro sozinha com as três e percebi que eram sete da tarde e ainda não tinha lavado os dentes, porque não tinha tido tempo para nada. Uma amiga minha sempre disse que o blog tinha de ter esse nome, porque era um espelho da minha falta de tempo.

Como tem sido até agora?

Tem corrido muito bem. Os números dizem-nos que temos muitas visitas por dia, só no primeiro mês foram mais 400 mil visitas. Recebo muitas mensagens das pessoas e por isso percebo que o blog chega até elas.

Escrevo sobre o cansaço, os filhos, o facto de a maternidade não ser cor de rosa, mas sim de todas as coresQue tipo de mensagens?

É engraçado porque a maior parte das pessoas – e isso é que me deixa mais contente – não diz que gosta ou não gosta, mas sim que se identifica com o que eu escrevo. É bom saber que há muita gente com realidades semelhantes à minha. Acho isso muito gratificante. No fundo escrevo sobre coisas que acontecem a toda a gente, não sobre coisas que as pessoas não podem comprar, ou viagens que não podem fazer. Escrevo sobre o cansaço, os filhos, o facto de a maternidade não ser cor de rosa, mas sim de todas as cores. Há dias em que tem cores mais bonitas do que outros. Acho que é um blog que não está com ‘tretas’. Não tento tornar a coisa mais bonita, é verdadeiro e genuíno.

Quando era mais nova imaginava que iria ser mãe de três meninas?

Não. Em miúda nunca pensei que iria ter não sei quantos filhos e casar. Imaginava que ia ser uma grande jornalista e viajar por todo o mundo. A família nunca entrava muito nos meus planos a longo prazo. E mesmo quando nos casámos, nunca pensámos ter três filhas. Foi uma coisa que foi acontecendo. Mas agora não me imaginava sem as três, como é lógico.

Desde que foi mãe, qual foi a coisa de que teve de abdicar que mais lhe custou?

O tempo a dois é o que nos custa mais e que fazemos um esforço para conseguirmos manter, porque é realmente muito difícil. Elas absorvem-nos o tempo, a paciência, a energia, tudo. Há momentos em que é preciso criar bolhas de ar, em que estamos ali só os dois.

Casados há 10 anos e juntos há quase 19. Como é que se conheceram?

Na faculdade. Frequentámos o mesmo curso, a mesma turma e começámos a namorar no primeiro ano. Fizemos a faculdade toda juntos.

Costumo dizer que o Raminhos já era muito palhaço, mas agora pagam-lhe para issoO Raminhos já era atrevido na altura?

Era. Costumo dizer que na altura em que estava a estudar para jornalista já era muito palhaço, mas agora pagam-lhe para isso. Ele nunca mudou, sempre foi assim.

Custa quando dizem: 'A mulher do Raminhos', porque antes de o ser, fui jornalista, sou empresária, faço 30 mil coisasA exposição mediática do Raminhos trouxe à sua vida a qualidade de ‘mulher de’. Como é que lida com isso?

Eu odeio essa coisa de ser a mulher de, porque não é algo que seja justo. Sempre tive o meu percurso, fiz o meu curso, trabalhei em televisão, fiz os meus contactos, as minhas amizades, tudo para lá do Raminhos. Sempre combinámos desde a faculdade, nunca trabalharmos juntos, porque acho que ia ser mau. Mas eu fiz o meu caminho. É natural que com a projeção da carreira dele que o nome tenha crescido e tenha mais visibilidade. Mas sempre tive o meu percurso, por isso é que me custa quando dizem: ‘a mulher do Raminhos’, porque antes de o ser, fui jornalista, sou empresária, faço 30 mil coisas. Mas percebo que assim seja e até é muito justo tendo em conta o percurso e o talento dele.

Esperava que ele chegasse a este patamar? Quais as vantagens e desvantagens da fama?

Não, mas também nunca pensei muito nisso e foi uma coisa muito gradual. Em relação às vantagens e desvantagens da projeção, acho que temos de aprender a viver com isso. Não podemos dizer que é uma ‘seca’ não podermos jantar os dois porque vêm pedir fotografias, quando no fundo essas pessoas são o público dele. Temos sempre um respeito muito grande para com o público. Não se pode dizer que seja bom ou mau, é diferente e temos de aprender a viver com isso.

O Facebook veio dar voz a muitos heróis do sofáAinda existe outro lado menos bom que se refere às críticas das pessoas em relação à exposição das Marias...

Isso há sempre vozes do contra que se levantam, mas se fizermos as coisas acreditando que as podemos fazer e de forma genuína, as pessoas podem ter uma opinião contra, que nós temos a certeza do que estamos a fazer e pronto. Nunca se pode agradar a gregos e a troianos e vão sempre existir uns e outros. Além disso, nunca se pode pedir a um comediante que tenha filtro, porque se não deixa de ser comediante.

Acho também que o Facebook veio dar voz a muitos heróis do sofá que adoram falar de tudo e mais alguma coisa e se calhar quando vão na rua não mexem uma palha para ajudarem ninguém. Temos de aprender a desvalorizar isso.

As Marias têm noção de que o pai é conhecido?

Sim, até porque as pessoas pedem muitas fotografias na rua. É lógico que elas não gostam de tirar fotos e nós protegemo-las nesse sentido. É normal elas não quererem, porque não conhecem as pessoas de lado nenhum.

De todas as Marias, qual a mais parecida consigo?

Acho que nenhuma é muito parecida comigo. Fisicamente é a do meio, agora em termos de feitio a Maria Rita é igualzinha ao pai, igualzinha. E a Maria Inês tem coisas do pai e minhas. São muito irónicas e gostam muito de dizer piadas. A Maria Rita usa muito a ironia na forma de comunicar e as pessoas às vezes não percebem porque ela é muito pequenina, tem sete anos. A do meio então é a mais sádica. Quando estamos perante uma situação qualquer e tentamos suavizar, explicando o que aconteceu, ela diz: ah, morreram todos. E ficamos a olhar para ela. A Maria Rita é muito mais cerebral, do raciocínio, mas muito palhaça. Depois dá uma imagem muito introvertida e tímida, que não é, porque em casa extravasa.

Algum erro que tenha cometido e que pretende evitar que as suas filhas repitam?

Desde miúda sempre fui a melhor da minha turma sempre até chegar à faculdade. E punha em mim uma carga que os meus pais não punham: a de que tinha de ser sempre muito boa naquilo que fazia e na escola. Acho que é um erro brutal, porque nem fez falta. Entrei para a faculdade com uma média excecional que nunca me serviu para nada. E acabei a faculdade com uma boa média que nunca me serviu para nada. Consegui os empregos que consegui, porque tinha pessoas que conheciam o meu trabalho e me chamavam. Acho que é preciso não exagerar nada neste ponto, acho que vou dizer para aproveitarem muito. Não é importante ter vintes, mas sim outras coisas. Acho que houve muita coisa que não vivi porque estava obcecada com a escola. É preciso brincar, ler, estar rodeada de livros…

Gostava de conseguir comprar tempo Para lá do blog, o que está a Catarina a fazer?

Tenho a minha empresa, a ‘Lucky Flamingo’, uma empresa de eventos, está a correr muito bem, temos imenso trabalho, felizmente. Basicamente não posso ter muitos planos para o futuro, porque com uma empresa, um blog e três filhas não dá para mais. Gostava de conseguir comprar tempo. Tenho muito pouco tempo para mim é uma coisa que tenho de tentar mudar.

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