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"André Ventura é um militante ativo de extrema-direita e não é de agora"

Fabian Figueiredo, candidato do Bloco de Esquerda ao concelho de Loures, é o entrevistado de hoje do Vozes ao Minuto.

"André Ventura é um militante ativo de extrema-direita e não é de agora"
Notícias ao Minuto

20/07/17 por Inês André de Figueiredo

Política Fabian Figueiredo

Nas próximas eleições autárquicas, Fabian Figueiredo, de 28 anos, é o candidato do Bloco de Esquerda à Câmara Municipal de Loures. Um município que tem estado no centro da atualidade política nacional, depois de André Ventura, candidato do PSD, ter proferido declarações polémicas sobre minorias étnicas, inicialmente em entrevista ao Notícias ao Minuto.

As palavras do candidato não passaram despercebidas. Prontamente, o Bloco apresentou queixas à PGR, Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial e à Ordem de Advogados, espoletando diversas reações da Esquerda à Direita.

Com a polémica, André Ventura acabou por perder o apoio do CDS na coligação 'Primeiro Loures', com o partido a demarcar-se do candidato que acusado por Fabian Figueiredo de estar a aproximar-se das políticas extremas de Trump e Le Pen.

Passos Coelho também já falou sobre o assunto, mas garantiu manter o apoio a André Ventura e estar tranquilo com a "posição não racista" do PSD.

De que forma surge o seu nome como candidato do Bloco de Esquerda a Loures? 

Tenho a felicidade de ser membro do Bloco de Esquerda há 10 anos, ou seja, desde muito novo que participo nas atividades do Bloco. E nunca fui só militante do Bloco de Esquerda, sempre participei em vários movimentos das mais diversas causas, seja pelo direito à habitação no movimento estudantil, pelos direitos sexuais e reprodutivos, fui fundador da marcha LGBT em Coimbra, participei no movimento estudantil na luta contra as propinas. Senti sempre necessidade de intervir publicamente, fui mantendo a minha militância, em vários movimentos, com gente diferente, e entendo o Bloco como um partido que está presente nas mais diversas causas e que dialoga com os mais diversos quadrantes.

Declarações de André Ventura não identificam nenhum problema, nem pretendem resolver nenhum problema, querem é agudizar o conflito para fins eleitoraisComo surgiu o convite por parte do Bloco de Esquerda?

Foi-me lançado o desafio de ser candidato à Câmara Municipal de Loures, um concelho que conheço bem, e após um período de reflexão, decidi aceitar o repto que me foi lançado e tenho a felicidade de ser porta-voz de um grupo diverso, das mais diversas áreas do concelho de Loures, de gente que está muito determinada em vencer os vários problemas do concelho e em ganhar o futuro do concelho, gente que encara de frente os problemas. Tenho essa grande responsabilidade e determinação de levar esta candidatura para a frente.

As autárquicas em Loures têm sido marcadas pelas declarações de André Ventura, agora apenas candidato do PSD, ao Notícias ao Minuto, em que o candidato se referiu a minorias étnicas como detentoras de “excessiva tolerância”. Como reage a estas palavras?

Queria usar uma citação de um ex-deputado do PSD, António Rodrigues, que disse o seguinte a propósito desta polémica: "Afirmações que conduzem ao agudizar da discriminação levam ao conflito e não à solução dos problemas". É mesmo isto de que estamos a falar. As declarações de André Ventura não identificam nenhum problema, nem pretendem resolver nenhum problema, pelo contrário, querem é agudizar o conflito para fins eleitorais. Isso merece a nossa mais veemente condenação porque isto não é uma forma tolerável de fazer política em democracia. O que André Ventura faz não é ao acaso. Tem-se falado da comunidade cigana, mas ele já deu a entender que está a falar também dos afrodescendentes ou da grande comunidade de cidadãos do Bangladesh que existe. Está a escolher um grupo social para fazer uma política que nós já conhecemos com Donald Trump e Marine Le Pen.

A entrevista em causa já o levou a apresentar uma queixa à PGR, à Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial. O que espera desta contestação?

Já apresentámos as duas queixas, porque entendemos que o incitamento ao ódio e à discriminação racial é crime público. Ou seja, o Ministério Público nem precisava da queixa do Bloco para abrir uma investigação. Mesmo assim apresentámos os nossos fundamentos à justiça e o processo deve percorrer o seu caminho.

Mas acredita que o processo seguirá para a Justiça?

Nós temos uma interpretação muito clara da lei e achamos que há espaço para a apresentação de uma queixa-crime e para ela fazer o seu caminho, porque senão não a teríamos apresentado. Nós não fulanizamos a política nem as ferramentas legais. Achamos que deve haver lugar para uma investigação que poderá passar o período da campanha, mas olhamos para isto não como uma ocasião eleitoral, mas como um movimento mais geral do que existe hoje dentro da Direita portuguesa, que são identificações claras com uma corrente política de extrema-direita.

Alguns politólogos falaram nesse populismo racista a que se refere. Mas estas palavras conseguirão votos no concelho de Loures?

Creio que não. O concelho de Loures tem um slogan forma que é 'a diversidade que nos une'. É um dos mais diversos concelhos do ponto de vista cultural, comunitário e do ponto de vista étnico. E ainda bem. É uma riqueza do concelho e sempre foi visto como tal, aliás, o concelho de Loures ganhou prémios por ter tido bons programas de inclusão. Há exemplos claros de cidadãos do concelho de Loures, o mais conhecido é o de Ricardo Quaresma que já falou da discriminação que sofreu na escola. E eu acho que há, hoje, uma maturidade democrática e uma sociologia eleitoral que se tem expressado em indignações e que condena esta forma de estar na vida política. É preciso traçar um muro claro contra o ódio.

Mas a realidade apresentada por André Ventura tem algum fundo de verdade?

Quem vive em Loures, nas suas mais diversas freguesias, sabe que o que André Ventura faz é uma caricatura lamentável. A forma como ele fala de milhares de pessoas, à partida, podia ser só entendido como uma generalização mas é uma generalização infeliz de uma realidade que ele quer torcer.

A comunidade cigana é plural como são todas, há ciganos com mais e menos capacidade económica, uns introduzidos no pequeno e médio comércio, que têm restaurantes, outros estão nos mercados e outros estão desempregados, como há afrodescendentes nos mais diversos setores de economia em Loures, como também há pessoas que pertencem a minorias ou não e estão em situações de desemprego e precisam de apoios sociais para conseguirem sobreviver. A questão de fundo e o que contestamos é que se possa criar uma generalização sob a origem social ou etnia das pessoas.

André Ventura assemelha-se a Donald Trump não só nas propostas, mas também na forma de estar na políticaE as referências à segurança?

Se André Ventura quisesse verdadeiramente discutir a questão da segurança no concelho, uma discussão que estamos muito interessados que seja feita, começava pelas suas principais causas. Qual é o principal crime de sangue pelo qual se morre na grande Lisboa e também no concelho de Loures? É a violência doméstica. É a principal razão de insegurança e tem-se feito, do ponto de vista da autarquia, muito pouco. Há uma fraca rede de apoio e o Bloco tem uma proposta clara, que o concelho de Loures tenha uma rede de casas de abrigo onde essas mulheres e homens possam ir viver, afastando-se do condenado ou do sítio onde viviam antes. Há ainda um conjunto de acessos rodoviários que estão mal feitos e imprimem insegurança e são causadores de sinistralidade rodoviária.

Está a par da existência de apoios especiais dados pela autarquia de Loures à etnia cigana?

Não.

Então aquilo que André Ventura diz sobre os acessos rodoviários não tem fundamento?

Há-de reparar que André Ventura não dá nenhum caso concreto. Nenhum. Diz que ouviu pessoas a dizer que a comunidade cigana anda de autocarro de graça, diz que ouve falar que ocupam casas ilegalmente, não deu um caso concreto.

Na Câmara de Loures, no acordo entre a CDU e o PSD, quem está responsável pelo pelouro da Segurança e pela Polícia Municipal é Nuno Botelho, que é o número dois de André Ventura. Quem nos últimos quatro anos esteve responsável por esse pelouro da Segurança foi o PSD. André Ventura, nas outras entrevistas, fez críticas ao facto de o concelho de Loures estar atrasado na política de investimento na área do Turismo, nós concordamos e temos um pelouro concreto, mas o vereador do desenvolvimento turístico e de atração de economia turística em Loures era Nuno Botelho do PSD. André Ventura assemelha-se a Donald Trump não só nas propostas, mas também na forma de estar na política e como alimenta factos alternativos, porque numa boa parte da política que faz, as responsabilidades pertenceram ao PSD e ao seu número dois.

André Ventura não se enquadra no espaço de centro-direita, é um militante ativo de extrema-direita e não é só de agoraComo reage ao afastamento do CDS da coligação ‘Primeiro Loures’ liderada por André Ventura?

O CDS demarca-se de um candidato de extrema-direita. Nós tomamos boa nota disso, porque achamos que o debate político em Portugal deve ser feito no campo democrático. Esperamos que o PSD faça o mesmo, que Pedro Passos Coelho se demarque do candidato André Ventura (algo que não aconteceu, tendo Passos Coelho revelado estar "tranquilo" com a "posição não racista" do candidato). Vários dirigentes do PSD e do CDS já disseram, manifestando o seu desconforto, por estarmos a falar de um candidato e de um discurso de extrema-direita, e o que o país quer saber é se este tipo de candidato e ideologia política racista tem um lugar no centro-direita português.

Não é por acaso que o líder do PNR, José Pinto Coelho, se identifica com André Ventura, mas decidiu não identificar-se com a candidatura presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa que é um exemplo claro do que é um político e Presidente da República que se identifica com a área de centro-direita. André Ventura não se enquadra no espaço de centro-direita, é um militante ativo de extrema-direita e não é só de agora. Tem livros e artigos de opinião, não é só a questão das comunidades mais frágeis da sociedade que ele decide atacar. Ele defende a reintrodução da pena de morte, Portugal foi dos primeiros países a acabar com a pena de morte, temos uma tradição penalista e humanista elogiada em todo o mundo e ele romper com isso, introduzindo a pena bárbara da pena de morte e fez saber que quer reintroduzir a pena perpétua. É desta tipo de pessoa que estamos a falar.

A CDU continua com muitas dificuldades de ouvir e em encarar o que deve ser uma gestão autárquica do século XXINa sua opinião, o que é que está mal em Loures?

O concelho de Loures nos últimos quatro anos tem sido governado por uma maioria atípica entre CDU e PSD. Herdou um concelho num estado social e economicamente ingrato. Ou seja, os 12 anos de governação do Carlos Teixeira deixaram a Loures uma herança pesada, perdeu-se muito tempo, não se conseguiram resolver as questões centrais como o metro, os equipamentos sociais, as áreas urbanas de génese ilegal, a questão da educação, do combate à precariedade, dos espaços verdes, dos espaços públicos. Enfim, o concelho de Loures foi, durante os 12 anos de governação de Carlos Teixeira, muito maltratado. O balanço que fazemos é negativo, mas não é por acaso que o PS está com dificuldades nestas eleições e não se apresenta, à custa disso, como alternativa.

Mas muita coisa ficou por fazer nos últimos quatro anos. Na Assembleia Municipal de Loures apresentámos uma proposta para que o concelho passasse a ter uma ferramenta que é o Orçamento Participativo, para que os cidadãos possam votar diretamente onde é que o dinheiro dos seus impostos é aplicado. Essa proposta foi aprovada com os votos contra da CDU e do MRPP, ou seja, Loures passará a ter um Orçamento Participativo apesar de a CDU ter votado contra isso. A CDU continua com muitas dificuldades de ouvir e em encarar o que deve ser uma gestão autárquica do século XXI.

Por outro lado, enquanto o PS governava, nós e a CDU tínhamos uma convergência no combate à precariedade. Estávamos de acordo que os contratos de emprego de inserção deviam acabar e que a cada posto de trabalho permanente devia corresponder um contrato. Quando a CDU passou a ser governo, apresentámos a proposta e foi rejeitada. Propusemos que o concelho de Loures passasse a ter uma política ativa de combate à precariedade, ou seja, a Câmara deixa de trabalhar com empresas privadas e de concessionar serviços e não atribui benefícios fiscais ou apoio a empresas que não se comprometam com o combate à precariedade.

No campo dos transportes está muita coisa por fazer. Associámo-nos à iniciativa que reclama a ida do metro para o concelho de Loures, mas no transporte rodoviário público continua tudo na mesma e um dos grandes problemas do concelho é o monopólio da Barraqueiro. Propusemos e foi aprovado que a Carris passe a operar no concelho de Loures e, com isto, tornar possíveis outros projetos de apoio à mobilidade. Ou seja, que os jovens passem a andar gratuitamente, que os idosos tenham um desconto de 60% no passe, porque hoje a mobilidade é difícil, os passes são caros e as carreiras insuficientes.

Por último, precisamos que haja pequenos autocarros que garantam a mobilidade dentro da freguesia e entre freguesias e esse serviço pode ser garantido pela Junta de Freguesia e pela Câmara Municipal, idealmente em parceria.

A gestão autárquica da CDU tem sido insuficiente. No plano reivindicativo estamos de acordo, mas no plano prático daquilo que a autarquia pode fazer achamos que muito ficou por fazer.

André Ventura não conhece o concelho de Loures nem quer conhecerAndré Ventura também criticou os transportes de Loures. Concorda com o ponto de vista do PSD?

O André Ventura criticou os transportes no concelho de Loures e disse que de Santa Iria de Azóia até ao Hospital Beatriz Ângelo era preciso apanhar três autocarros. Eu queria dizer ao PSD de Loures e a André Ventura que os utentes de Santa Iria de Azóia têm como seu hospital de referência desde 2016 o Santa Maria. Antes disso era o São José. Para além disso, qualquer pessoa que conheça Loures sabe que para fazer este percurso basta apanhar dois autocarros. Nestas coisas nota-se que André Ventura fala de cor e faz uma campanha em Loures que tinha pensado para qualquer autarquia da Área Metropolitana de Lisboa. Não sabe do que fala e cria factos alternativos em coisas muito concretas.

É uma acusação ao candidato do PSD de não estar dentro da realidade de Loures?

A candidatura do PSD apresentou-se a estas eleições de forma impreparada, tem feito uma discussão supérflua e acho que é uma decisão que tem de ser assacada à direção do PSD que escolher André Ventura para ser o seu candidato. Para além de tudo o que já tivemos oportunidade de falar, não conhece o concelho de Loures nem quer conhecer.

Regressando à atual governação da autarquia, e tendo em conta tudo o que disse sobre a legislatura, como avalia o trabalho do atual presidente da Câmara, Bernardino Soares?

Temos tido convergências e divergências com Bernardino Soares. Tem sido essa a relação do Bloco com a CDU no concelho de Loures.

E o que aponta como pontos negativos e positivos nesta legislatura?

O que mais ouço na rua é que 'felizmente que já não é Carlos Teixeira, do PS, o presidente' e a CDU tem-se aproveitado muito disso, do facto de a governação anterior ter deixado o concelho numa situação complicada, dramática em vários casos. Nós associámo-nos à política de combate ao excesso de dívida que o concelho de Loures fez, uma trajetória em que nos reconhecemos. É uma política com a qual estamos de acordo e elogiamos a atuação do executivo.

Por outro lado, achamos que a postura que a câmara deve ter no combate à precariedade é insuficiente e muitas vezes expectante com a atuação de outras identidades e não tem tido a politica pró-ativa que se quer nesta área.

O concelho de Loures deve ter a expectativa de criar uma rede de creches públicas, como propomos. Isto devolve muito rendimento às famílias, porque esse dinheiro fica em casa. O concelho precisa ainda de uma grande bolsa municipal de arrendamento, para jovens casais e para jovens famílias poderem arrendar casas a baixo custo.

O Partido Socialista escolheu Sónia Paixão para tentar reconquistar Loures. É uma candidata forte?

O Partido Socialista tem o problema de existir hoje uma avaliação negativa dos três mandatos de Carlos Teixeira. É um grande problema e um grande empecilho que o PS tem e que trava qualquer projeto que tenham para o concelho de Loures.

Algum dos candidatos tem hipóteses concretas de derrubar Bernardino Soares?

Nós apresentamo-nos a estas eleições com um projeto de governo municipal. Temos um projeto alternativo e somos candidatos a governar a Câmara Municipal de Loures. Cabe-nos merecer a confiança dos cidadãos para realizar as nossas políticas no concelho de Loures. Fizemos um mandato muito importante e forte na Assembleia Municipal, achamos que apresentámos as nossas alternativas e propostas quando estávamos em divergência com o caminho seguido, tentámos pugnar sempre os anseios e reivindicações dos cidadãos e achamos que agora é o momento de estarmos na Câmara. Acho que aí podemos fazer toda a diferença.

Sendo o concelho governado por uma força política à Esquerda, o Bloco tem mais ou menos hipóteses de assegurar a vitória eleitoral?

É uma pergunta que se coloca a todos os eleitores. Apresentamo-nos e fazemos tudo para merecer a confiança e os votos das pessoas que avaliarão a justeza das nossas propostas, a sua pertinência, assertividade, objetividade e até que ponto podem melhorar a vida das pessoas. Nós queremos uma autarquia que faça a diferença na vida das pessoas pela positiva, que facilite a vida, que seja amiga dos cidadãos e cidadãs de Loures.

No país, como na autarquia, devemos ser coerentes e governar à EsquerdaO trabalho feito pela ‘Geringonça’ pode ajudar a Esquerda a manter-se no concelho de Loures?

O que as eleições provaram e a postura do Bloco provou é que a força do Bloco faz toda a diferença. Os 10% que o Bloco teve e o facto de não ter havido nenhuma maioria absoluta tornaram a vida das pessoas melhores, foi possível repôr os rendimentos de quem trabalha, aumentar o salário mínimo, acabar com a hedionda lei do aborto que a Direita impôs, aprovar a adoção de casais do mesmo sexo, está a ser possível discutir-se uma reforma do IRS que despenalize a classe média do enorme aumento de impostos de Vítor Gaspar, criar regras mais justas para habitação social, avançar-se com medidas de combate à precariedade, vamos vincular milhares de pessoas que durante anos trabalharam no Estado de forma precária, faremos o mesmo no mercado privado. Foi a força do Bloco que tornou possível uma convergência, aliás, o Bloco é uma força política com uma grande vocação para o diálogo e para construir soluções e pontes à Esquerda para melhorar a vida das pessoas.

Para isto não é possível qualquer tipo de acordo político com a Direita, muito menos com a extrema-direita que André Ventura representa. Ou seja, nós não aceitaremos nem integraremos nenhum executivo municipal onde estejam partidos de Direita. Não é honesto em relação aos eleitores. Não é sério. Que tipo de governo autárquico é que é possível com forças políticas que pensam de forma diametralmente oposta à nossa em relação à sociedade, à economia, ou ambiente?

Está a sugerir uma ‘mini-geringonça’ em Loures?

O desafio que o Bloco de Esquerda lança a todas as forças políticas de Esquerda concorrentes nestas eleições é que saia das próximas eleições uma forma de governo autárquico à Esquerda. E que todas as forças políticas à Esquerda recusem qualquer tipo de acordo de governo autárquico ou coligação com partidos de Direita. É à Esquerda que resolvemos problemas e desbloqueamos soluções, é à Esquerda que vencemos o futuro para o concelho de Loures. O desafio que lançamos a Bernardino Soares e a Sónia Paixão é que das próximas eleições saia uma forma de governo de autarquia à Esquerda dialogante à Esquerda. Isto deve ser dito desde já e os candidatos têm obrigação de se pronunciar desde já se estão disponíveis para governar com a Direita. No país, como na autarquia, devemos ser coerentes e governar à Esquerda.

*Pode ler a segunda parte desta entrevista aqui

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