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"O pior a acontecer em Cascais era ficarmos dependentes de outro partido"

Carlos Carreiras, um dos autarcas mais mediáticos do país, é o entrevistado de hoje do Vozes ao Minuto.

"O pior a acontecer em Cascais era ficarmos dependentes de outro partido"
Notícias ao Minuto

24/03/17 por João Oliveira

Política Carlos Carreiras

Lidera a Câmara Municipal de Cascais há três anos e meio e sente-se preparado para se recandidatar a um novo mandato. Considera que o seu município está no caminho certo e que não faltam projetos para tornar a zona 'chique' do país cada vez mais atrativa nos diferentes setores.

Em entrevista ao Vozes ao Minuto, Carlos Carreiras fala na preparação do seu partido (PSD) para este ano de eleições autárquicas e dos planos que tem para o seu município.

Não nega uma "falsa humildade" quando fala no reconhecimento e na facilidade com que o seu nome é associado à autarquia que representa, mas quer acreditar que isso é um sinal "de trabalho feito", até porque o seu objetivo é "trabalhar para se sentir bem com a consciência quando já não for presidente de câmara". 

Em ano de eleições autárquicas, e antes de passarmos a Cascais, olhemos para Lisboa. Teresa Leal Coelho foi recentemente apontada como a escolha do PSD para tentar derrotar Fernando Medina. É uma boa escolha?

É uma excelente escolha. Além da competência e inteligência que tem vindo a demonstrar, tem tido responsabilidades políticas de primeiríssima linha, nomeadamente no Parlamento português e também como vereadora da Câmara de Lisboa. Foi uma boa escolha e ao nível daquilo que Lisboa precisa, quer para resolver os problemas do passado e do presente, quer para a potenciar para o futuro.

Assim que o nome foi anunciado, não tardaram a surgir críticas de que Teresa Leal Coelho seria uma escolha de último recurso do PSD e alguém que, enquanto membro da Câmara Municipal de Lisboa, apenas participou em 5 das 26 reuniões da Câmara. Em nome do Partido, que resposta dá a estas críticas?

Em relação à última, é conhecido, sabido e acompanhado que Teresa Leal Coelho preside uma das comissões mais importantes da Assembleia da República e, sempre que existiram incompatibilidades entre as reuniões de Câmara e os trabalhos da Assembleia, dadas as responsabilidades que tem, tinha de estar presente na Assembleia. Teresa Leal Coelho foi a aposta total que temos num grande resultado que pode vir a ter, até porque os argumentos que apresenta ao nível dos conhecimentos, do programa que tem vindo a ser desenvolvido, mas especialmente pela equipa que vai apresentar, são mais do que suficientes para podermos ter a expectativa de fazer uma disputa da Câmara Municipal de Lisboa, que vai ser difícil mas é possível ganhar.

Gerou um grande alvoroço esta semana quando, em entrevista à TSF, disse que o importante era que o Partido Socialista perdesse, independentemente de quem saísse vencedor. Sente que as suas palavras foram mal interpretadas ou queria ter colocado a questão de forma diferente?

Não foram mal interpretadas até porque fui eu que as disse e eu assumo sempre os meus atos. Foram é parcialmente interpretadas, porque eu disse muito mais do que isso. Não há vitórias eleitorais à priori. O que entendemos é que, em Lisboa, há uma percentagem de votação baixa (só 45% dos lisboetas é que votaram nas últimas eleições). É esse esforço que o PSD e o CDS, mesmo que em candidaturas separadas, terão de fazer e, juntos, teremos a possibilidade de ganhar as eleições e de constituir uma maioria.

Porque é que os sociais-democratas não apoiaram Assunção Cristas, sendo o CDS o partido com quem tem feito coligação nas últimas eleições e em várias autarquias?

É de registar que, ao contrário de muita opinião publicada que nos [PSD e CDS] dava como zangados, nós reforçámos o numero de coligações a nível nacional, passando de 84 para 99. Em Lisboa, é um dos concelhos onde não foi possível estabelecer essa coligação, mas é possível ter uma capacidade mais abrangente para ir buscar mais eleitorado.

Não foi possível por divergências nos planos que PSD e CDS têm para Lisboa ou por razões internas?

São dois partidos que, sendo parceiros, continuam a ser independentes com objetivos independentes e com capacidade de intervenção independente.

Ficou demonstrado, nas últimas eleições nacionais, que votar Partido Socialista, Bloco de Esquerda ou Partido Comunista, é tudo a mesma coisaFalemos de Cascais. Já tomou alguma decisão sobre a recandidatura à Câmara? Existe uma data definida para esse anúncio?

O partido já tomou a decisão de apoiar a minha recandidatura. Eu também estou a viver um momento em que sinto que estamos a fazer a diferença, que estamos a melhorar muito as condições de Cascais. Conhecemos bem os problemas do concelho e sabemos quais são as oportunidades que têm de ser aproveitadas. Estarei disponível a ir a um próximo mandato. O anúncio disso será junto ao aniversário do município.

Anunciada essa recandidatura, acredita que estas eleições estão ganhas à partida?

Nunca acredito que está ganho. Nas últimas eleições, as pessoas incorporaram essa questão do ‘já está ganho’ e isso acumulou com um dia chuvoso e desmobilizou muita gente de ir votar. É muito importante que se vá votar para dar uma estabilidade forte. O pior que podia acontecer a Cascais neste momento era ficarmos dependentes de qualquer outro partido. E a prática das oposições em Cascais tem sido de, não sabendo apresentar um projeto alternativo, fazer insinuações, mentiras e ofensas que se têm prolongado ao longo do mandato. Quando vamos a eleições, devemos avaliar quem governou e quem fez oposição, até porque também ficou demonstrado, nas últimas eleições nacionais, que votar Partido Socialista, Bloco de Esquerda ou Partido Comunista, é tudo a mesma coisa.

Agora que falou nas condições que um autarca precisa para governar bem, uma coisa que se tem discutido no Parlamento é a descentralização de competências e a atribuição de maiores poderes às autarquias...

Sou dos mais favoráveis a essa ideia. Os tempos exigem que haja reformas no Estado, e essas reformas são através da descentralização. Não resolve todos os problemas do Estado, mas pode resolver grande parte deles.

Em termos concretos, que tipo de competências considera ser mais urgente passar para as mãos dos autarcas?

No governo anterior, Cascais assinou um conjunto de acordos já para termos essas competências descentralizadas, nomeadamente a mais conhecida, que é a Educação, e com os seus bons resultados que hoje estão reconhecidos pela comunidade escolar no seu todo. Aliás, eu sou presidente do Conselho Geral da Associação Nacional de Municípios e nós já abordámos esta questão e tomámos a posição de estarmos favoráveis àquilo que tem sido a demonstração de intenções do Governo, mas mostrámos alguma preocupação porque aquilo que até agora é conhecido não passa de intenções, e como diz o povo, às vezes no detalhe é que está o diabo.

Olhando para Cascais, tem-se vindo a assistir a uma adesão cada vez maior de turistas e começa a ser uma alternativa a Lisboa para quem quer vir conhecer a região centro do país. A que se deve este destaque da chamada zona 'chique' do país?

Há um fator global que tem fluído muito a nosso favor, que é a instabilidade em certos destinos turísticos que levam a que cada vez mais turistas procurem outros destinos como Portugal. Depois, há uma matéria de grande relevância que se tem vindo a revelar uma boa estratégia ao nível nacional, nomeadamente das entidades que supervisionam o turismo. Para o poucochinho que se cresceu em termos económicos, o turismo teve um enorme contributo, tal como para o poucochinho que se reduziu o desemprego em Portugal. A minha preocupação para Cascais é que, além de fazer com que venham cada vez mais turistas para o concelho, eles gastem mais dinheiro quando cá estão. É isso que ajuda a pagar melhor os funcionários e ajuda a criar outras condições.

Cascais não é apenas e só uma zona rica. Também temos populações a quem a crise afetou de uma forma brutal. E nós conseguimos garantir coesão social ao longo dos momentos de maior crise. Não deixámos ninguém ficar para trásSendo Cascais um destino turístico, há a margem para manter o concelho acessível não só para os turistas mas também para os portugueses, considerando a dicotomia ao nível do poder de compra?

A grande preocupação tem a ver com o inverno demográfico que estamos a sentir. Cada vez temos menos gente. Daí estarmos a fazer uma fortíssima aposta em duas áreas: Por um lado, ter condições para oferecer uma determinada qualidade de vida para quem reside em Cascais e, por outro, compensar com a atração de jovens para Cascais através de faculdades, com o objetivo de colocar até 20 mil alunos universitários até 2020. Já temos duas instituições no concelho e estamos a reforçar com uma terceira que é a Universidade Nova de Economia e Gestão, junto à estrada marginal. Estamos ainda a caminhar para construir o processo para que a Universidade Católica disponha de uma faculdade de Medicina aqui em Cascais. Os objetivos são fixar a população mais jovem e de captar talento e conhecimento para o concelho.

Com este mandato a chegar ao fim, de que é que mais se orgulha?

Resolvemos um conjunto de problemas que se arrastavam há muitos anos. Claro que não se resolveram por falta de vontade dos meus antecessores. Agora, nós tivemos a possibilidade – e não estarei a faltar à verdade se disser competência – de os conseguir resolver. Temos uma forte aposta na área da mobilidade e, aí, a preocupação foi melhorar e aumentar o sistema rodoviário, começando pelas estradas do concelho e criando novas ligações. Foi preciso tomar decisões difíceis que podem não ser compreendidas pela generalidade dos concidadãos. São processos que exigem dizer muitos ‘nãos’.

A outra marca é que nunca se fez tanto investimento em freguesias que estavam carenciadas desse investimento há anos, em que o expoente máximo é São Domingos de Rana. Temos de continuar a apostar para que o nosso território continue a ser coeso e não existam assimetrias entre as freguesias. Cascais não é apenas e só uma zona rica. Também temos populações a quem a crise – não só económica mas também social – afetou de uma forma brutal. E nós conseguimos garantir essa coesão social ao longo dos momentos de maior crise. Não deixámos ninguém ficar para trás.

Gostaria de, no futuro, ser uma pessoa já velhinha a andar aqui por Cascais e as pessoas olharem para mim e dizerem ‘Este tipo foi o Presidente da Câmara de Cascais e teve determinada importância para o concelho’É inevitável falar nas obras. Tanto em Lisboa como em Cascais, aliás como por todo em país, as obras multiplicam-se em ano de eleições autárquicas. Aceita as críticas de quem diz que um autarca espera pelo ano de eleições para avançar com as obras e, dessa forma, ‘refrescar’ a memória dos eleitores?

Pelo menos na realidade de Cascais, já houve várias eleições: autárquicas, europeias, legislativas e presidenciais. Em todas elas, tivemos vindo a fazer obras ao longo de todo o mandato. Quem não tem mais argumentos para dizer mal, encontra esse argumentos e diz que ‘devia haver eleições todos os dias’. O que eu posso garantir é que não estamos agora fazer mais obra do que aquela que fomos fazendo ao longo do mandato.

Já falou nos planos que tem para Cascais ao nível da educação e mobilidade. No caso de uma reeleição, há mais algum objetivo prioritário?

Temos projetos muito ambiciosos ao nível da requalificação e reabilitação urbana. Queremos garantir que continua a haver espaço para quem quiser vir fazer investimentos e criar emprego. Ainda espero poder anunciar medidas evidentes na criação de emprego e com a atração para a fixação de empresas para o concelho.

Consegue-me dar um exemplo dessas medidas?

Consigo dar mais que um, mas não gosto de anunciar promessas. Posso garantir que espero, até ao final do mês de julho, garantir a vinda para Cascais de uma multinacional que, só ela, será criadora de mil postos de trabalho, a esmagadora maioria deles são postos qualificados. E estou a trabalhar com uma outra multinacional para que venha para Cascais para um centro de investigação e desenvolvimento que trará também mais 400 postos de trabalho altamente qualificados.

O seu nome surge facilmente associado à liderança da Câmara Municipal de Cascais. É sinal de reconhecimento e apresentação de trabalho feito ou uma questão de carisma político?

Quero acreditar que seja um sinal de trabalho feito. Eu não estou aqui a trabalhar para haver um reconhecimento, mas estou a trabalhar para que eu próprio me sinta bem com a minha consciência daqui a dez ou quinze anos quando já não for Presidente de Câmara. Esta é a minha terra, é aqui que tenho a minha família, os meus amigos e um conjunto de relações sociais grande. Gostaria que, no futuro, essas pessoas que me conhecem continuassem a ter a consideração que têm por mim e, portanto, ser uma pessoa já velhinha a andar aqui por Cascais e as pessoas olharem para mim e dizerem ‘este tipo foi o presidente da Câmara de Cascais e teve determinada importância para o concelho’.

*Pode ler a primeira parte desta entrevista aqui.

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