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"Homenagem a Carlos do Carmo foi feita com cuidado, respeito e carinho"

'Marco Rodrigues Canta Carlos do Carmo' foi lançado no passado dia 2 de maio e está disponível em todas as plataformas. Em entrevista ao Notícias ao Minuto, o fadista fala deste tributo ao homem que, além de o fazer apaixonar pelo fado, fez "um trabalho incrível" a ajudar a nova - e talentosa - geração de fadistas, da qual faz parte.

"Homenagem a Carlos do Carmo foi feita com cuidado, respeito e carinho"
Notícias ao Minuto

10/05/24 por Daniela Carrilho

Cultura Marco Rodrigues

Marco Rodrigues é um dos nomes maiores do fado. É natural de Amarante e conta com uma carreira de mais de 20 anos, com inúmeros prémios, cinco álbuns em nome próprio e o tão aclamado reconhecimento do público nacional e internacional.

Agora, no lançamento do seu sétimo álbum, quis homenagear Carlos do Carmo, o homem que o "ajudou a apaixonar" pelo fado.

A junção de 13 temas que marcam a carreira do fadista Carlos do Carmo - que morreu no dia 1 de janeiro de 2021, aos 82 anos, vítima de um aneurisma - foi selecionada com "cuidado, respeito e carinho".

"Fico um pouco emocionado porque era algo que queria mesmo que fosse bem visto (...) A intenção é só homenageá-lo e perpetuá-lo", confidenciou Marco Rodrigues em entrevista ao Notícias ao Minuto.

Carlos do Carmo, juntamente com o Camané, é a minha grande referência no fado'Marco Rodrigues Canta Carlos do Carmo' é o seu novo álbum e diria uma bonita homenagem ao fadista. A que se deve este tributo?

O Carlos do Carmo foi uma das primeiras pessoas que me fez apaixonar pelo fado. A minha mãe foi a principal responsável por eu cantar fado. Na altura da separação dos meus pais, eu vim para Lisboa e a minha mãe inscreveu-me numa Grande Noite do Fado, comecei a apaixonar-me por todo o ambiente que envolve o fado, além da música, e conheci o Carlos do Carmo quando apresentei o meu primeiro disco no Speak Easy. 

A verdade é que Carlos do Carmo, juntamente com o Camané, é sem dúvida a minha grande referência no fado. Ouvi os discos todos do Carlos do Carmo de forma seguida - quando estava a aprender esta linguagem e quando estava a aprender as bases do fado. Foi, sem dúvida, ele que me ajudou a apaixonar por esta música através das suas interpretações, dos temas, da forma como ele abordava os fados tradicionais e as canções.

Em 2020 faleceu a minha mãe e o meu último disco ['Judite'] era de homenagem a ela. Logo no ano seguinte, em 2021, morreu o Carlos do Carmo. Para mim, como cronologia de carreira, só fazia sentido fazer um disco de homenagem a uma das pessoas que me fez apaixonar por esta música.

O Carlos do Carmo fazia, tanto comigo como com vários colegas meus, um trabalho incrível enquanto apoio à nova geração

Foi fundamental a ajuda e apoio de Carlos do Carmo no seu início de carreira? Era uma pessoa que cuidava e encaminhava as gerações mais novas para que vingassem?

Sem dúvida! Eu tenho uma série de exemplos que refletem isso mesmo. Durante o meu percurso profissional, o Carlos do Carmo fazia, tanto comigo como com vários colegas meus, um trabalho incrível enquanto apoio à nova geração. Exemplo disso é o disco 'Paz e Amor'. Se nós formos a ver, não me lembro de haver algum fadista que juntasse fadistas de nova geração e da mesma geração do que ele… A verdade é que ele não tinha problema nenhum em andar ao lado e apoiar as pessoas da nova geração.

De que forma quis preparar este trabalho? Como decorreu o processo de seleção dos temas e de novos arranjos para lhe dar o seu 'toque especial'?

Em primeiro lugar, os arranjos do álbum têm a grande responsabilidade de Luís Figueiredo, o produtor deste disco. Havia alguns temas que eram incontornáveis e não dava para fazer uma homenagem ao Carlos do Carmo se não os gravássemos, como 'Lisboa Menina e Moça' ou 'Canoas do Tejo'. E depois havia outros que, para mim, faziam sentido por uma questão de história que tive com essas canções e com o Carlos do Carmo, coisas mais privadas e pessoais, que acabaram por fazer com que entrassem também neste disco.

Depois para pôr ali um laço e criar o alinhamento certo, convidei o Becas do Carmo, o filho do Carlos, para me ajudar nessa parte executiva, para me ajudar a construir o alinhamento e perceber se faria sentido. O Carlos do Carmo tem muitos temas e claro que daria para gravar mais três discos… Mas acho que com esta junção dos temas incontornáveis e dos temas mais marcantes na minha historia com o Carlos - e a opinião do Becas, que fez a gestão artística do pai nos últimos 20 e tal anos - chegámos a um entendimento e a um alinhamento que nos deixa muito contentes.

Além do Becas do Carmo, como referiu, já recebeu feedback de mais familiares? O que lhe disseram sobre esta homenagem?

Sim, já. A Judite, a mulher do Carlos, transmitiu através do Becas e disse que, em breve, temos de estar juntos. O Becas também está muito contente, o Gil do Carmo e a Cila do Carmo também já me deram os parabéns. A família está muito contente e eu fico super feliz. Fico até um pouco emocionado porque era algo que queria mesmo que fosse bem visto, principalmente pelas pessoas mais chegadas ao Carlos e que percebessem que a homenagem foi feita com cuidado, com respeito, com carinho… A intenção é só mesmo essa: homenageá-lo e perpetuá-lo, para que haja mais um registo dos temas de Carlos do Carmo.

Tenho a certeza de que o Carlos do Carmo iria ficar muito feliz com esta homenagem

O álbum foi apresentado no dia 2 de maio. Fará concertos dedicados ou será inserido nos seus próprios espetáculos?

Este disco e esta tournée estão a ser preparados mesmo para relembrar o Carlos do Carmo, para lembrarmos os temas dele, para irmos para a estrada com uma sonoridade um pouco diferente - e acrescentei uma trompete e um piano na minha formação. Portanto, faz sentido eu fazer este espetáculo inteiramente dedicado a esta homenagem, mas também não deixa de fazer sentido cantar dois ou três temas do meu reportório que as pessoas acabam por gostar, mesmo no meio da homenagem.

Neste caso, o 'Tempo' e a 'Rosinha dos Limões' são dois dos temas que as pessoas pedem e ficam muito contentes por ouvir. Já tive alguns concertos e noto que há nas pessoas um carinho especial ao ouvir estes temas novamente e ao ouvi-los cantados com os arranjos novos.

Se Carlos do Carmo estivesse cá, se pudesse assistir a esta homenagem, o que acha que lhe diria?

Quero acreditar e tenho a certeza de que o Carlos do Carmo iria ficar muito feliz com esta homenagem. Sei muito bem o carinho que ele tinha para comigo, sei muito bem a admiração que eu sentia e que ele também tinha por mim, sei muito bem o cuidado e o carinho com que foi feito este trabalho, portanto, dificilmente o Carlos não iria ficar contente em estar a ser representado e homenageado neste disco.

Nos próximos tempos, onde poderemos ver esta homenagem ao vivo?

Começámos a tournée no Auditório Carlos do Carmo a 13 de abril, foi um dia inteiro a celebrá-lo e o auditório fazia aniversário também. Foi muito bonito.

Já há algumas datas marcadas, até lá para fora e para alguns festivais também. Aliás, vou fazer a produção e a curadoria de um festival de fado, o Arcos Fado Fest, em Arcos de Valdevez. A maioria das datas vai começar a ser marcada a partir de agora, a agenda está-se a compor e podem acompanhar tudo através das minhas redes sociais - no Instagram e no Facebook.

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