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"Aguardo resultados de diligências em curso junto de responsáveis do PSD"

Mota Amaral é o entrevistado de hoje do Vozes ao Minuto, numa altura em que está em cima da mesa o regresso deste 'dinossauro' parlamentar aos cargos políticos.

"Aguardo resultados de diligências em curso junto de responsáveis do PSD"
Notícias ao Minuto

27/02/19 por Natacha Nunes Costa

Política Mota Amaral

Quase cinco anos depois de ter deixado o cargo de deputado na Assembleia da República, João Bosco Mota Amaral, o português vivo com a mais longa carreira no desempenho de funções públicas eletivas, num total de 46 anos, poderá estar de volta à vida política ativa se vier a fazer parte da lista de candidatos do Partido Social Democrata (PSD) ao Parlamento Europeu, embora fonte social-democrata tenha feito saber, esta terça-feira, que Mota Amaral não aceitará integrar o oitavo lugar na lista, sugerido pela direção nacional do partido, salvaguardando que só avançará num lugar elegível, ou seja, nos primeiros seis lugares, sem, contudo, "exigir uma posição".

Mota Amaral, refira-se, foi escolha unânime do PSD/Açores que defende que o histórico dirigente deveria ser o segundo candidato da lista laranja, que vai a votos no próximo dia 26 de maio.

Apesar dos seus 75 anos e de não exercer, de momento, nenhum cargo político, o primeiro presidente do Governo dos Açores continua a ser uma da vozes políticas mais ativas da sua geração. Assume, em entrevista por e-mail ao Notícias ao Minuto, que o faz por gosto, mas também porque é necessário. Talvez por isso, já este ano, tenha dado um 'puxão de orelhas' a alguns membros do PSD, quando Luís Montenegro desafiou a liderança de Rui Rio, de quem é apoiante.

O mandato de Marcelo Rebelo de Sousa foi outro dos temas abordados. Para Mota Amaral, o Presidente da República está a fazer um bom trabalho, não tendo dúvidas de que será reeleito.

Quanto aos Açores, de onde é natural, Mota Amaral, mostra-se esperançoso que a nova liderança, de Alexandre Gaudêncio, recupere o ciclo de vitórias que se perdeu com a sua saída da cena política regional, há 24 anos.

É também no arquipélago que exerce o cargo de professor. Leciona na Universidade dos Açores, em São Miguel, onde tenta transmitir aos estudantes os conhecimentos adquiridos ao longo de quase cinco décadas de política e outras tantas de advogado.

Vamos começar pela pergunta cuja resposta todos querem saber. Foi a escolha unânime da Comissão Política Regional do PSD/Açores para ser o representante dos Açores no Parlamento Europeu. Pediu tempo para tomar uma decisão, porquê? E já tomou alguma?

Para pensar bem o assunto e tomar conselho com alguns amigos. Disponibilizei-me perante o Presidente da Comissão Política Regional do PSD/Açores a ser indicado para essa candidatura. Aguardo os resultados das diligências em curso junto dos responsáveis nacionais do partido.

Tudo se deve perdoar e sem demora. Mas os actos políticos têm consequências políticasAinda está magoado com o PSD por, em 2015, ter sido 'afastado' da lista de candidatos à Assembleia da República, contra a sua vontade e, possivelmente, devido ao conflito com os órgãos nacionais do partido a propósito da defesa dos Açores na questão da votação da lei das finanças regionais? Ou já perdoou esta 'ofensa'?

Não. Tudo se deve perdoar e sem demora. Mas os actos políticos têm consequências políticas e no caso concreto verificou-se o meu afastamento voluntário das actividades do Partido, rejeitando sucessivas insistências. Com a nova liderança a situação mudou.

Os responsáveis eleitos devem assumir sempre, de cara descoberta, as suas opções, arrostando com as consequênciasAquando da votação da moção de confiança a Rui Rio, teceu algumas palavras duras. Disse que se sentia "repugnado" com alguns social-democratas por estes defenderem que a votação devia ser secreta. Porque é que tomou esta posição?

Por considerar que os responsáveis eleitos devem assumir sempre, de cara descoberta, as suas opções, arrostando com as consequências, se as houver.

Rui Rio esteve bem e saiu fortalecido. O episódio saldou-se em termos positivos, permitindo uma significativa melhoria da conflitualidade internaO que achou, nessa altura, do desafio de Luís Montenegro? Foi uma prova que Rui Rio ultrapassou com distinção? Que o fortaleceu? Ou acha que trouxe instabilidade ao partido?

Julgo que os mandatos devem ser cumpridos, nos precisos termos em que foram conferidos. Rui Rio esteve bem e saiu fortalecido. O episódio saldou-se em termos positivos, permitindo uma significativa melhoria da conflitualidade interna.

E o Doutor Mota Amaral, acha que Rui Rio é o melhor presidente que o PSD pode ter neste momento?

Sim.

E é o melhor candidato, perante António Costa? Acha que o PSD está preparado para enfrentar o primeiro-ministro nas próximas eleições legislativas?

Sim. Sim.

Marcelo Rebelo de Sousa tem excedido as melhores expectativas que se colocavam na sua presidênciaQuanto aos Açores, como está o PSD a nível regional? Desde 1995 que o arquipélago não tem um presidente do Governo Regional do partido social-democrata... Aliás, desde que Mota Amaral saiu desse cargo.

Tem uma nova liderança escolhida em eleições directas muito disputadas e uma equipa dirigente eleita em Congresso. Desejo-lhes os maiores sucessos em serviço dos Açores e do Povo Açoriano.

Acha que o atual líder, Alexandre Gaudêncio, é o candidato certo para colocar um ponto final no poder socialista na região?

Sim.

Relativamente a Marcelo Rebelo de Sousa, o que acha da postura do atual Presidente da República?

Tem excedido as melhores expectativas que se colocavam na sua presidência. Vai ser reeleito sem quaisquer dificuldades.

Pensa, algum dia, vir a candidatar-se à Presidência da República?

Não.

Disse uma vez que os "políticos nunca se reformam" e a verdade é que continua a ser uma voz ativa na política nacional. Fá-lo por gosto ou porque acha que é necessário?

Por ambas as razões.

Ensinando aprende-se sempre com os estudantesHá uns anos começou a lecionar na Universidade dos Açores. Ainda o faz? E qual a disciplina que orienta?

Sim. Ensino matérias de Ciência Política e Direito Constitucional. Tenho a meu cargo o módulo sobre os Açores na unidade curricular ‘Regionalismo e Insularidade na Europa Contemporânea’ e ainda oriento o seminário de Direito Internacional Público no Curso de Mestrado em Relações Internacionais sobre o Espaço Euro- Atlântico.

Gosta do ensino? O que é que o levou a dar aulas? O que é que tentou sempre transmitir aos seus alunos? Acha que também aprende com os estudantes? Se sim, o quê?

Sim. O convite recebido da Universidade dos Açores, que muito me honrou. A minha longa experiência, de quase meio século, ao serviço dos Açores e de Portugal, tem sido útil para transmitir aos alunos conhecimentos fundamentais de índole prática, enriquecendo a teoria. Ensinando aprende-se sempre com os estudantes, ficando desde logo a conhecer quais são os seus interesse e o modo como abordam os problemas no quadro de vida actual.

É verdade que prefere ser tratado por João Bosco do que por Mota Amaral? Porquê?

Não. O tratamento pelo nome próprio ou pelo sobrenome depende do grau de intimidade das relações pessoais.

*Por convicção pessoal, Mota Amaral não respeita o assim chamado Acordo Ortográfico

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