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"Pode falar-se de 'química' e desejo à primeira vista, mas não de amor"

Para celebrar o Dia dos Namorados, o Lifestyle ao Minuto entrevistou o psicólogo e sexólogo Fernando Mesquita, que se destacou após a recente colaboração no programa 'Casados à Primeira Vista', da SIC. O autor do recém lançado livro 'Deuses Caídos' promete aos seus leitores que, sim, é possível livrarem-se de relacionamentos tóxicos - porque apesar de este ser o seu dia, o amor nem sempre é fácil...

"Pode falar-se de 'química' e desejo à primeira vista, mas não de amor"
Notícias ao Minuto

14/02/19 por Liliana Lopes Monteiro

Lifestyle Fernando Mesquita

"O livro 'Deuses Caídos', tem por base a ideia que ao longo da nossa vida conhecemos todo o tipo de pessoas. Algumas procuram amar e ser amadas, mas também há aquelas que querem amar mas não conseguem, que se tornam dependentes, que se acomodam às relações, que só procuram sexo, que são inseguras, ciumentas e desconfiadas, ou que apenas querem alguém que as sirva", elucida Fernando Mesquita, mestre em Sexologia Clínica, em entrevista ao Lifestyle ao Minuto. 

Para o autor, no início de um relacionamento ou no momento fortuito da atração, o outro apresenta-se como um autêntico Deus. Fazendo com que a pessoa acredite que aquele alguém é infinitamente especial e sonhando assim com uma vida ao seu lado. 

"Na fase de paixão, no jogo amoroso, normalmente, existe a preocupação de se parecer a melhor pessoa do mundo, para o outro. Como se já não fosse suficiente, também existe a tendência para um 'endeusamento' entre os amantes", alerta Fernando Mesquita.

Porém, a dura realidade depressa 'cai' e o 'Deus' desce à Terra, não passando obviamente de um mortal com todos os seus defeitos. "Ao longo do livro, apresento 14 personalidades amorosas, que podemos considerar como tóxicas", explica o sexólogo. 

Ainda assim, não tem de se tornar um descrente no amor. Aliás, para Fernando Mesquista, o amor ainda existe e é possível - "totalmente!". 

"Os Parceiros Saudáveis no Amor sabem que existe um hiato entre o que gostariam de ter do/a parceiro/a e o que este/esta pode dar. Reconhecem que amar implica aceitarem-se, tal como são. Com os defeitos e virtudes de cada um. Por isso, não ficam amarrados ao que não conseguem ter. Pelo contrário, procuram aproveitar, ao máximo, o que cada um pode dar. Ou seja, não há necessidade de os parceiros se anularem mutuamente, por dependência, medo, ciúmes ou acomodação". 

Na entrevista que se segue Fernando Mesquita desvenda os caminhos por vezes em linha reta e quase sempre um pouco tortuosos do amor - que, sim, apesar de difícil teima em prevalecer.

É formado em psicologia, mas especializou-se na área da sexologia, porquê?

Ao longo da minha formação, em Psicologia Clínica, notei que as questões relacionadas com a sexualidade e a intimidade foram pouco abordadas. Quando comecei a dar consultas essa lacuna tornou-se evidente o que me levou a procurar aumentar o meu conhecimento sobre o assunto.

Falar sobre a sexualidade ainda é tabu em Portugal?

Na minha opinião, apesar das mentalidades estarem a mudar, ainda é tabu falar sobre sexualidade, em Portugal. Um bom exemplo disso é a falta de investimento na Educação Sexual.

Fale-nos sobre o seu último livro ‘Deuses Caídos’?

O livro 'Deuses Caídos', tem por base a ideia que ao longo da nossa vida conhecemos todo o tipo de pessoas. Algumas procuram amar e ser amadas, mas também há aquelas que querem amar mas não conseguem, que se tornam dependentes, que se acomodam às relações, que só procuram sexo, que são inseguras, ciumentas e desconfiadas, ou que apenas querem alguém que as sirva.

Ao longo de vários anos, como profissional, contactei direta ou indiretamente com os vários tipos de Personalidades Amorosas, apresentados neste livro. Muitas vezes, vi o seu modo de ação, através das dinâmicas relacionais, em plena sessão de psicoterapia. Outras vezes, identifiquei estas personalidades, através de relatos de histórias de vida de pessoas que se cruzaram, ou mantinham uma relação íntima, com alguém que tinha estas características.

Relações tóxicas são aquelas relações que nos desgastam, tiram o lado positivo da vida, nos prendem a medos e incertezasO que são relações tóxicas?

Podemos considerar que uma relação tóxica é aquela onde não existe respeito, empatia, sinceridade, e aceitação do/a parceiro/a tal como é.

Muitas relações amorosas tornam-se tóxicas porque os parceiros não se conhecem verdadeiramente. Tentam ser algo que não são, ou exigem que o outro seja aquilo que não é. Assim, vivem numa ilusão que os leva a permanecer como dois estranhos!

São aquelas relações que nos desgastam, tiram o lado positivo da vida, nos prendem a medos e incertezas. Basicamente, as relações tóxicas são aquelas que não nos fazem bem!

Quais são as ‘personalidades amorosas’ que descreve no livro?

Ao longo do livro, apresento 14 personalidades amorosas, que podemos considerar como tóxicas. No final, apresento o que esperar que de uma relação/parceiro(a) saudável.

- Desesperados por Relações Amorosas;

- Dependentes Emocionais;

- Crentes Platónicos;

- Parceiros Camaleónicos;

- Parceiros 'Sabonete';

- Acomodados;

- 'Meninos da mamã';

- Só 'amigos';

- Acumuladores de conquistas amorosas;

- Fantasmas digitais;

- Viciados em sexo;

- Ciumentos patológicos;

- Narcisistas;

- Manipuladores: deturpadores de mentes, predadores emocionais e oportunistas;

No final do livro apresento o que podem ser considerados os Parceiros/as e/ou relações amorosas saudáveis. 

Notícias ao Minuto© Chá das Cinco

Quais são as principais linhas de comportamento daquilo que chama ‘personalidades amorosas’?

Considera-se que alguém tem uma determinada Personalidade Amorosa quando apresenta comportamentos rígidos e duradouros, nas dinâmicas amorosas. Podem ser comportamentos de desconfiança, ciúme, dependência, acomodação, arrogância, manipulação, entre muitos outros.

Não é difícil compreender por que motivo, no início de uma relação amorosa, os parceiros se tornam 'perfeitos' (como se fossem deuses), aos olhos do outro, e são colocados num 'altar' que alimenta o seu imaginárioPor que razão quando nos apaixonamos não conseguimos ver de imediato os defeitos do objeto desejado?

Na fase de paixão, no jogo amoroso, normalmente, existe a preocupação de se parecer a melhor pessoa do mundo, para o outro. Como se já não fosse suficiente, também existe a tendência para um 'endeusamento' entre os amantes. Ou seja, aos olhos de alguém que está apaixonado, o parceiro é visto pelo que é, pelo que faz parecer que é, e pelas qualidades que lhe são atribuídas. Sendo assim, não é difícil compreender por que motivo, no início de uma relação amorosa, os parceiros se tornam 'perfeitos' (como se fossem deuses), aos olhos do outro, e são colocados num 'altar' que alimenta o seu imaginário.

Como é que as pessoas podem estar a par destas ‘personalidades amorosas’ mais ‘perigosas’?

Este livro apresenta as várias características das Personalidades Amorosas Tóxicas. Ao conseguirmos identificar a Personalidade Amorosa, da pessoa com quem estamos, conseguimos perceber que alguns dos seus comportamentos e atitudes nada têm a ver connosco, mas com a personalidade dela. Isso ajuda-nos a perceber (e decidir) se queremos que ele/ela continue a ser a pessoa com quem fazemos planos para o resto da vida.

Como podemos identificar se somos nós próprios essa ‘personalidade amorosa’ nociva?

Nem sempre é fácil. Muitas pessoas não têm plena consciência do impacto dos seus comportamentos nos outros. O ideal será, numa postura empática, tentar perceber como se sentiria se estivesse no lugar do/a parceiro/a. Poderá, também, numa conversa sincera com o/a parceiro/a, pedir para que lhe diga o que você diz ou faz que o/a incomoda.

Qual é o segredo de um relacionamento feliz?

Os Parceiros Saudáveis no Amor sabem que existe um hiato entre o que gostariam de ter do/a parceiro/a e o que este/esta pode dar. Reconhecem que amar implica aceitarem-se, tal como são. Com os defeitos e virtudes de cada um. Por isso, não ficam amarrados ao que não conseguem ter. Pelo contrário, procuram aproveitar, ao máximo, o que cada um pode dar. Ou seja, não há necessidade de os parceiros se anularem mutuamente, por dependência, medo, ciúmes ou acomodação.

As pessoas ainda acreditam que, quando desaparece o fogo da paixão que se deixou de gostar da outra pessoa. Na realidade, muitas vezes, isso significa que se passou para algo mais profundo, que poderá ser o amor Ainda acredita no amor?

Totalmente!

As pessoas por vezes confundem desejo e paixão com amor?

Sim. De facto, muitas pessoas ainda acreditam que, quando desaparece o fogo da paixão que se deixou de gostar da outra pessoa. Na realidade, muitas vezes, isso significa que se passou para algo mais profundo, que poderá ser o amor.

Quais são as principais causas de rompimentos amorosos e de divórcios na atualidade?

As dificuldades de comunicação, a intolerância, a infidelidade, a falta de respeito e de investimento na relação amorosa, estão entre as causas mais comuns.

O amor à primeira vista é uma possibilidade?

Na minha perspetiva, podemos falar de 'química', paixão, desejo, ou qualquer outra coisa, 'à primeira vista', mas não de AMOR. Amar implica algo mais profundo que não surge apenas com um simples trocar de olhares ou de palavras.

O que recomendaria a um leitor que esteja à procura do amor da sua vida?

Decida que merece estar numa relação com alguém que o/a ama e respeita, verdadeiramente!

Acha que é realmente possível encontrar o amor em programas de televisão como ‘Casados à Primeira Vista’?

Sim. Tal como é possível fazê-lo com alguém que se conhece numa discoteca, na rua, num jantar com amigos, ou aplicação de internet.

Quais são os seus projetos profissionais futuros – pensa em escrever mais livros ou colaborar noutros programas de televisão?

Como sou uma pessoa que gosta de desafios, e de aprofundar conhecimentos, estou a explorar novas possibilidades de projetos futuros.

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