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"Não há idades para nos sentirmos no fim do caminho"

A filosofia de vida e os ingredientes para manter a jovialidade foram alguns dos temas de dominaram esta conversa com Helena Isabel, que teve como ponto de partida o novo livro da atriz, 'A Idade Não Me Define'.

"Não há idades para nos sentirmos no fim do caminho"
Notícias ao Minuto

25/09/18 por Rita Alves Correia

Fama Helena Isabel

Iniciou a carreira na representação era ainda menor de idade. Helena Isabel é atriz há 49 anos e bonita desde sempre. No tempo em que começou a dar os primeiros passos na área, confessa, o conceito de beleza não era entendido como hoje: Ter um "palminho da cara" tinha um preço mais alto.

Já conta com 66 primaveras e preserva junto do grande público o título de 'uma das mulheres mais bonitas do país'. Mas como? A atriz decidiu levantar o véu sobre os segredos, a filosofia de vida e os ingredientes para manter a jovialidade no livro 'A Idade Não Me Define', lançado esta segunda-feira.

E o mesmo fez em conversa com o Notícias Ao Minuto. Calma e segura, a artista falou da carreira, de como é ser uma mulher vistosa no meio e de como é ser hoje, não só a "Helena Isabel da televisão", mas também "a mãe do Agir". 

O que o público pode esperar de ‘A Idade Não Me Define’? Qual a mensagem que pretende transmitir?

O que pretendo transmitir é que não há idades para nos sentirmos no fim do caminho ou já sem energia para criar e para sermos úteis aos outros. É uma questão de atitude. Naquilo que me diz respeito, tenho essa atitude perante a vida. Sinto-me tão criativa ou se calhar até mais do que há uns anos. E é isso que quero transmitir às mulheres deste país: que cuidem da sua autoestima. Mas isto também passa por gostarem daquilo que o espelho lhes diz. No livro tenho uma série de dicas para desenvolvermos a nossa autoestima, como conselhos de ginásio, nutrição e moda, segundo os melhores especialistas.

Disse que o livro é destinado a mulheres com mais de 50 anos. Dirigiu-se a esse público por uma questão de afinidade ou sente que esse grupo requer uma atenção especial?

Acho que é um conjunto disso tudo. Aquilo que lhes poderei dizer é baseado na minha experiência de vida e obviamente que interessa mais às mulheres mais velhas. Se bem que é um livro de que as raparigas novas também vão gostar de ler porque há muita coisa que é transversal. Mas é sobretudo destinado a mulheres a partir dos 50 porque trata muitos temas relativos a essa idade.

Nomeadamente a menopausa?

Um dos temas é a menopausa, mas também falo de clínica geral: os exames que a partir dessa idade é conveniente fazer, uma alimentação saudável, os exercícios físicos adequados…

Notícias ao Minuto'A Idade Não Me Define'© Manuscrito

As mulheres portuguesas cuidam-se o suficiente?

Há uns anos não se cuidavam rigorosamente nada. Hoje em dia acho que sim, sobretudo nas grandes cidades. A moda, os tratamentos de estética, estão muito mais acessíveis, o que é ótimo porque muito mais mulheres têm acesso. Sim, acho que está em processo de desenvolvimento...

Já conta com décadas de trabalho em televisão. O cuidado com a imagem sempre esteve presente ou apurou-se com a entrada no meio artístico?

Trabalho nesta profissão desde os 17 anos por isso pode dizer-se que sempre me cuidei. Mas não se deve só a ter uma profissão pública. É uma questão de feitio também, sempre gostei de me cuidar. Não tem a ver com vaidade, é para me sentir bem. Sempre tive cuidados com a alimentação e agora tenho mais, mas não sou radical ou fundamentalista.

Na altura o conceito era ao contrário. As pessoas achavam: 'Está lá porque tem um palminho de cara e não porque tem talento'

Desde cedo que lida com os padrões de beleza femininos. Foi fácil ser uma mulher bonita no início de carreira?

Na altura o conceito era ao contrário do que é agora. As pessoas achavam: ‘está lá porque tem um palminho de cara e não porque tem talento’. E agora já quase acontece ao contrário, só trabalha quem tem um 'palminho de cara' ou tem o trabalho mais facilitado.

Em algum momento sentiu que teve de provar que era mais do que uma cara bonita?

Sim, senti. Não tanto pelo público, mas pelos colegas.

Fala-se muitas vezes da competitividade no mundo do espetáculo. Lidou com muitas invejas?

Talvez muito no início de carreira. Senti que algumas colegas se sentiam 'ameaçadas' porque aparecia uma cara nova. Hoje sinto que está mais ultrapassado, aparecem caras novas todos os dias. Senti isso mais no início do que propriamente agora.

Todos querem ser atores porque acham que vão ganhar fortunas. Mas há sempre uma seleção natural, só os bons é que ficam

Como tem acompanhado essas transformações no mundo da representação?

Antigamente as pessoas não queriam esta profissão. As mulheres tinham má fama, era uma profissão incerta, ganhava-se mal… Hoje em dia é precisamente o oposto. Toda a gente quer ser ator e atriz porque acha que é uma vida de glamour e que vai ganhar fortunas. Mas há sempre uma seleção natural, só os bons é que ficam.

Já fui a Helena Isabel da televisão durante muitos anos, por isso agora até me sabe bem ser a mãe do AgirFoi casada com um artista [Paulo de Carvalho] e hoje lida também com o sucesso estrondoso do seu filho. Como tem acompanhado o crescimento profissional de Agir?

Tenho visto imensos concertos dele, sempre que atua perto vou ver, e acompanho com muito orgulho. Acho muita graça em ser "a mãe do Agir”. Já fui a Helena Isabel da televisão durante muitos anos, por isso agora até me sabe bem ser a mãe do Agir.

Atualmente, o Agir é dos artistas mais acarinhados do grande público, mas o ínicio da sua carreira ficou marcado por algumas críticas, nomeadamente pela aparência. Enquanto mãe, como lidou com esses comentários?

A comentários não ligo nenhuma. Não vou dizer que adoro as tatuagens e os alargadores, mas é a forma de ele se expressar. Se na minha profissão fosse ligar a comentários, estava sempre muito infeliz.

Há dias em que não me sinto bonita e nesses dias nem vale a pena esforçar-me

Sente-se um ícone de beleza em Portugal?

Não, de maneira nenhuma. Sou uma pessoa um pouco insegura, sou como toda a gente, com dias melhores e piores. Não me considero feia obviamente, estaria com falsas modéstias. Mas tenho dias. Há dias em que não me sinto bonita e nesses dias nem vale a pena esforçar-me porque quando as coisas não estão bem por dentro muitas vezes transparecem.

Algum ritual ou produto de beleza do qual não viva sem?

Falo em vários no livro, mas tenho um desde miúda: lavo sempre a cara com água fria, seja no verão ou no inverno, e não ponho sabonete.

Manter a jovialidade passa também por estar em harmonia com o mundo…

Só passa por aí. Só conseguimos mantermo-nos jovens se nos mantivermos interessados e apaixonados. Quando digo apaixonados é em termos gerais: por uma leitura, por um livro.

Isso de 'tenho 66 mas sinto-me como se tivesse 30' não é verdadeSente-se com 66 anos?

Não é que eu me sinta muito mais nova. Acho é que tenho a idade que tenho e estou a aproveitá-la o melhor que posso e sei. Isso de ‘tenho 66 mas sinto-me como se tivesse 30’ não é verdade.

É também uma presença assídua nas redes sociais. Considera que estar presente no mundo digital é fundamental atualmente?

Sou uma pessoa que sempre gostou de viver no seu tempo. Não sou nada saudosista. Vivo o hoje e as redes sociais fazem parte do hoje. Um ator tem de contar com essa parte e tem de a desenvolver obrigatoriamente se quer continuar a ter público e sobretudo público jovem.

Podemos continuar a vê-la no YouTube?

Sem dúvida. É para continuar com conteúdos que possam interessar também a mulheres da minha idade.

Que desafios ainda tem por realizar?

Acho que devemos ter sempre sonhos, é algo que também nos torna jovens. Claro que não tenho os mesmos sonhos que tinha há uns anos, mas ainda tenho. Ainda quero viajar mais e acho que ainda tenho muito para dar em termos de trabalho também, seja em teatro ou em televisão.

Vamos continuar a vê-la no pequeno ecrã?

Sim, estou neste momento a fazer uma participação especial na novela ‘Valor da Vida’, da TVI, e por enquanto é tudo.

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