Um acordo de pesquisa e exploração de cerca de 85 hectares, mais ou menos 85 campos de futebol, foi assinado em julho e marca a entrada da 'startup' norte-americana neste país africano, noticiou a agência francesa de notícias, a France-Presse (AFP),
"Todas as minas que conhecemos provêm de pesquisas realizadas há 80, há 100 anos, e menos de 20% do território foi objeto de estudos aprofundados", disse o coordenador da Iniciativa para a Transparência nas Indústrias Extrativas (ITIE) na RDCongo, Jean-Jacques Kayembee, em declarações à AFP.
Financiada principalmente pelos magnatas Jeff Bezzos e Bill Gates, a Kobold Metals é uma empresa tecnológica dos Estados Unidos da América (EUA), país que tem procurado aumentar os investimentos para garantir o fornecimento de componentes eletrónicos, procurando reduzir o quase monopólio da China neste setor estratégico, escreve a AFP.
As empresas chinesas exploram a maioria dos depósitos na RDCongo, muitas vezes recuperados de empresas ocidentais desencorajadas pelos conflitos ou pelo clima de negócios no país, um dos mais pobres do mundo.
"Se os americanos querem hoje entrar neste setor e começar a lucrar imediatamente, isso implicará retirar títulos mineiros de certas empresas", advertiu o especialista Christian Géraud Neema, do Projeto África-China, uma unidade de investigação não partidária sobre o envolvimento do gigante asiático no continente africano.
"Se quiserem começar do zero, terão de solicitar licenças de pesquisa e lançar-se na exploração, o que pode demorar no mínimo oito a nove anos antes de obterem resultados", acrescentou.
A RDCongo, país que faz fronteira com Angola, é um dos menos desenvolvidos do mundo, mas é também um dos países com o solo mais rico, tendo grandes reservas de cobalto, cobre e lítio, essenciais para o fabrico de componentes para armamento, telemóveis ou carros elétricos, por exemplo.
No ano passado, o país garantiu 76% da produção mundial de cobalto, o que dá alguma margem de manobra ao Presidente da RDCongo, Félix Tshisekedi, para negociar um acordo que garanta aos Estados Unidos uma cadeia de abastecimento estável e direta para a defesa e a tecnologia, em troca de um reforço da cooperação em matéria de segurança, ou seja, no combate ao ressurgimento do movimento rebelde M23, principalmente no leste do país.
Independentemente do acordo, Washington está já a tentar garantir fontes diversificadas de minérios, e é neste contexto que se explica o interesse e o investimento no Corredor do Lobito, dizem os analistas citados pela AFP, que classificam a iniciativa como "um dos projetos de infraestruturas mais ambiciosos do continente".
O Corredor do Lobito é uma infraestrutura ferroviária que atravessa Angola ao longo de 1.300 quilómetros ligando o porto do Lobito (litoral) à fronteira com a República Democrática do Congo para escoar a produção de minerais críticos das regiões do Copperbelt (RDCongo) e Kolwezi (Zâmbia).
A operação é assegurada pela Lobito Atlantic Railway (consórcio que integra a portuguesa Mota-Egil, a suíça Trafigura e a belga Vecturis), e deverá contar com um investimento de quase mil milhões de dólares, parcialmente financiados pela Corporação Financeira para o Desenvolvimento (CFD), dos Estados Unidos, e pelo Banco de Desenvolvimento da África Austral.
Este empreendimento está também inscrito na iniciativa europeia Global Gateway, tendo a União Europeia anunciado um pacote de 600 milhões de euros através da Parceria para o Investimento Global e Infraestruturas (PGII) desenvolvida no âmbito do G7.
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