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"Sou português e defendo a minha língua, não sou brasileiro"

O fundador do Clube dos Pensadores (CdP) não concorda com o Acordo Ortográfico e defende que o primeiro-ministro António Costa entre 'em ação'.

"Sou português e defendo a minha língua, não sou brasileiro"
Notícias ao Minuto

13:06 - 22/02/18 por Inês André de Figueiredo

Política Joaquim Jorge

O Partido Comunista Português (PCP) apresentou, esta quarta-feira, um projeto de resolução que defendia a desvinculação de Portugal do Acordo Ortográfico de 1990, mas “PSD, PS, CDS e Bloco de Esquerda demarcaram-se (…), ainda que admitam a necessidade de o aperfeiçoar”.

Em reação a esta questão, o fundador do CdP, Joaquim Jorge, explica, em declarações aos Notícias ao Minuto, que não concorda com o acordo e que António Costa devia ponderar um recuo, como já o havia dito.

Escrevi há tempos no Notícias ao Minuto que sou contra este acordo ortográfico. A diversidade da nossa língua é uma mais-valia e enriquecimento cultural. A beleza da nossa língua está nessa diversidade. Não é ser avesso à mudança, é ser contra ter que, adoptar uma ortografia que não se justifica e não é uma necessidade premente”, assegura Joaquim Jorge.

Mais ainda, o biólogo de profissão realça que pretende manter a sua língua e a forma como foi educado. “Sou português e defendo a minha língua e como me a ensinaram, não sou brasileiro. Mudaram na secretaria algo que não serve para nada. Esta imposição legislativa é contraproducente. Esta unificação é ilusória. Quando se muda não quer dizer que se vá para melhor. Deixemos que a língua evolua naturalmente. Veja-se que estamos no euro mas continuamos muitos de nós ainda a falar em escudos, respeitemos o nosso passado”, alerta.

Nesta senda, Joaquim Jorge acredita que o Governo de Costa, tendo já feito inúmeras alterações na Educação, “deveria ponderar um recuo neste Acordo Ortográfico”, frisando que este seria um “ato de inteligência, de liberdade individual e de liberdade de escrita”.

E, Marcelo Rebelo de Sousa deve reabrir o debate sobre o AO”, pede.

“Um episódio exemplar como nunca haverá unificação de coisa nenhuma. Um dia, em Portugal, o brasileiro Ruy Castro, autor do livro ‘Carnaval no Fogo’, disse à sua secretária: ‘Isabel, por favor, chame o bombeiro para consertar a descarga da privada’. Perante o espanto de Isabel, teve que ser ajudado por um amigo que fez a ‘tradução’: ‘Isabel, por favor, chame o canalizador para reparar o autoclismo da retrete’”, recorda.

Joaquim Jorge acredita que o acordo tende “a transformar-se numa confusão e barafunda, em que ninguém se entende, cujas consequências se desconhecem, além de subsistirem dificuldades na sua aplicação”, frisando que o mesmo “não passou de experimentalismo ortográfico sobretudo para os alunos que tiveram de o aplicar”.

E não me venham com a desculpa dos tratados internacionais e dos manuais escolares. É um acto de bom-senso alterar o que está mal. O facto consumado e que o AO não pode ter retroactividade é um pecado na nossa querida língua”, conclui.

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