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Bloco vai questionar pedido feito pela Efacec que permite despedimentos

O Bloco de Esquerda (BE) vai questionar o Governo sobre o Estatuto de Empresa em Reestruturação (EER) pedido pela Efacec que, depois de ter apresentado lucros em 2016, se encontra num processo de despedimento de trabalhadores, afirma o partido.

Bloco vai questionar pedido feito pela Efacec que permite despedimentos
Notícias ao Minuto

14:37 - 20/11/17 por Lusa

Política José Soeiro

Em declarações à agência Lusa após uma reunião com a Comissão de Trabalhadores do setor da Energia da Efacec, o deputado bloquista José Soeiro considerou os despedimentos promovidos pela administração "graves do ponto de vista económico, laboral e político".

"A administração da Efacec está a instaurar um clima de medo dentro da empresa para, no fundo, despedir centenas de trabalhadores", apesar dos "resultados positivos em 2016" e ter mantido "esse crescimento dos lucros em 2017", afirmou o deputado, que considerou "bizarra" a medida invocada perante o Governo ao solicitar o EER.

E prosseguiu: "Vamos questionar o Governo sobre como é possível que uma empresa que apresenta resultados positivos esteja a utilizar a figura jurídica de EER para despedir trabalhadores sendo que, ainda por cima, nem são os trabalhadores mais velhos os que estão a ver os seus contratos rescindidos, nem que tenha menor necessidade de funcionários".

Apontando o dedo aos gestores da Efacec, José Soeiro afirmou "que os 409 trabalhadores abrangidos por estes despedimentos ao abrigo do EER estão a ser escolhidos a dedo entre os mais reivindicativos, incómodos e ativos do ponto de vista da atividade laboral e sindical, sendo substituídos por trabalhadores precários e em 'outsourcing'" (fornecimento externo).

"O EER não é um subsídio público para uma empresa substituir trabalhadores efetivos por precários ou em 'outsourcing', nem um mecanismo em que a empresa é financiada com dinheiros públicos para despedir os trabalhadores mais reivindicativos. Isto é gravíssimo e o Governo não o pode permitir", protestou.

Afirmando preocupação pela relação "opaca" entre a administração e os trabalhadores, considerou que processo apresenta "contornos semelhantes ao que está em curso na PT", através do "desmembramento da empresa, transferindo trabalhadores para outras empresas".

Desde outubro de 2015 controlado pela empresária angolana Isabel dos Santos, o grupo industrial Efacec, que opera nas áreas da engenharia, energia e da mobilidade, tem vindo, segundo o membro da Comissão de Trabalhadores da Efacec Energia Vítor Pereira, a "atentar aos direitos dos trabalhadores".

"O que temos assistido na empresa, no que se refere à reestruturação, é ao despedimento de pessoas, à mudança de categorias, num ataque aos direitos dos trabalhadores, situação que gera instabilidade e a que acresce o facto de não conseguirmos perceber qual é o projeto desta administração nem qual vai ser o futuro, se é, por exemplo, uma aposta no 'outsourcing'", questionou o funcionário.

No próxima quinta-feira, no dia em que cumprirão uma greve de 24 horas, os trabalhadores vão ao parlamento para "contactos com os grupos parlamentares", revelou Vítor Pereira, que mostrou preocupação pelo que se está a passar em torno da administradora Isabel dos Santos em Angola.

"Do que sabemos, a compra da Efacec continua envolta em alguns mistérios, logo preocupa-nos a possibilidade de daqui por uns tempos podermos ver uma notícia do envolvimento da Isabel dos Santos num escândalo qualquer", disse.

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