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"É mais fácil atirar culpas do que meter a mão na consciência"

Incêndios “são consequência da falta de consciência de que a floresta é um bem precioso da comunidade e que a sua utilização obedece a regras e implica deveres”, alerta Edite Estrela.

"É mais fácil atirar culpas do que meter a mão na consciência"
Notícias ao Minuto

09:17 - 20/06/17 por Goreti Pera

Política Edite Estrela

Nos dias que se seguem à catástrofe que assolou Pedrógão Grande e deixou o país de luto, multiplicam-se as chamadas de atenção sobre o trabalho que (não) foi feito e o que se segue.

Num artigo de opinião publicado na Ação Socialista, Edite Estrela recorda as conclusões de um estudo apresentado em 2005 no Parlamento Europeu que constatava que “mais de 90% da área ardida na Europa ocorre na Península Ibérica” e que, “embora muitos dos incêndios sejam de origem criminosa, outros são consequência da falta de consciência de que a floresta é um bem precioso da comunidade e que a sua utilização obedece a regras e implica deveres”.

“Anos e anos de agressões ambientais – poluição do ar, da água e da terra, impermeabilização dos solos, desordenamento do território, sobrecarga urbanística, abuso do automóvel e elevadas emissões de CO2 - levaram ao sobreaquecimento do planeta, às alterações climáticas e ao aumento das catástrofes naturais. Mesmo os mais céticos, exceto Trump, se rendem à evidência: o clima já não é o que era”, explica a deputada.

É de referir, segundo a socialista, que “a frequência de catástrofes tem vindo a aumentar mundialmente. Na Europa, o número anual de catástrofes quintuplicou. Calcula-se que, nas últimas décadas, tenham vitimado mais de 100 mil pessoas, afetado mais de 30 milhões e causado mais de 250 mil milhões de euros em perdas económicas. A maioria destas catástrofes teve origem em fenómenos hidrometeorológicos. Embora se tenha aumentado e melhorado a capacidade de prevenção e resposta, a gestão e a redução de riscos continuam a ser um desafio global”.

Posto isto, sublinha Edite Estrela, é importante “aproveitar a comoção nacional e a atenção do momento para se fazer um debate sereno sobre o combate às alterações climáticas, a preservação da biodiversidade, o ordenamento e o planeamento da floresta e sobre o que cada um de nós pode e deve fazer para melhorar o statu quo”.

Isto porque “é mais fácil atirar culpas que meter a mão na consciência. E é tão português!”. “Deveres para os outros, direitos para nós. Ora, se cada um der o seu contributo, o ambiente agradece. E a Terra será mais sustentável”, sustentou.

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