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Freitas do Amaral defende "justiça social" através de voto no PS

O democrata-cristão 'ataca' o PSD, partido com o qual o CDS está coligado, e defende o voto no Partido Socialista e em António Costa.

Freitas do Amaral defende "justiça social" através de voto no PS

Diogo Freitas do Amaral, cofundador do CDS, defende num ensaio escrito para a Visão, que sairá na íntegra na revista de dia 10 de setembro, que “só com o PS” poderá haver “justiça social em democracia e na Europa”.

Relembrando Churchill, o professor explica que “às vezes é necessário mudar de voto ou de partido, para não mudar de princípios”. Tendo em conta a posição 'contra' a coligação Portugal à Frente, Freitas do Amaral justifica-se com os cortes nos salários e pensões, mas principalmente com o facto de, mesmo com as medidas de austeridade, o Executivo não ter conseguido atingir “os principais objetivos iniciais do Memorando de 2011 – nem na dívida pública, nem no défice orçamental, nem no crescimento económico, nem na descida do desemprego”.

Quando questionado sobre se o PS irá ter uma política despesista, ideia sugerida por Passos Coelho, o democrata-cristão, que já foi ministro dos Negócios Estrangeiros no primeiro Governo de Sócrates, tem a certeza de que isso não acontecerá. “Primeiro, porque a verdadeira tradição do PS tem sido a de corrigir os excessos de outros que ocuparam o poder antes dele”, dando o exemplo de Mário Soares e José Sócrates.

Por outro lado, Freitas do Amaral frisa que “a argumentação de Passos Coelho é historicamente errada: a principal causa do nosso trambolhão em 2011 foi a crise económica mundial que começou em 2008-2009”, desviando a ideia de que o Executivo de José Sócrates foi o responsável pela crise pela qual o país passou.

O ex-presidente do CDS não gostou do “estilo neoautoritário do primeiro-ministro”, acusando-o de conseguir controlar os órgãos de comunicação social, pela forma como fez “repetidas e graves acusações ao Tribunal Constitucional”. Quanto à proposta de alteração da TSU, de 2012, Freitas do Amaral revelou ter ficado “estupefacto”.

No ensaio publicado pela Visão, o ex-ministro discorda da suposta estabilidade de Passos Coelho, mesmo depois de ter visto sair diversas pessoas do seu Executivo. E quando às privatizações é perentório: “alienou a estrangeiros quase todas as melhores empresas portuguesas. (…) E acha que fez bem”.

“Tão-pouco foi edificante ver o desprezo público de Passos Coelho pelo CDS - sem o qual ele nunca teria sido primeiro-ministro! até ao dia (já em 2015) em que concluiu pelas sondagens que ia precisar outra vez do CDS, logo transformando arrogância e humilhações em sorrisos e palmadinhas nas costas”, acusa o centrista.

“Quanto ao PS - a que nunca pertenci nem tenciono pertencer, pois sou democrata-cristão -, merece-me, apesar de várias diferenças ideológicas importantes, mais simpatia do que o atual PSD, porque pretende caminhar no sentido de uma maior justiça social, sem quebra dos compromissos europeus assumidos por Portugal”, revelando que está mais próximo do atual PS do que do partido que faz coligação com o CDS.

O cofundador do CDS frisa que o PSD “é o partido da austeridade”, enquanto o PS se apresenta como o “partido do crescimento económico e da criação de emprego, dentro dos necessários equilíbrios financeiros".

“Já não acalento muitos sonhos. Sei mesmo que vou discordar de algumas medidas que o PS teima em querer fazer suas, e que melhor seria deixar para pequenos partidos marginais”, diz. “Porém, exijo que o PS mantenha o código genético que lhe imprimiu Mário Soares: Democracia, Europa, Estado Social”, reitera.

Mais do que um governo de PS, o democrata-cristão pede uma “linha moderada de progresso”, longe de uma “linha radical de regresso ao Estado Liberal”, onde crê que está o PSD. Porém, deixa bem claro que tem saudades do “espírito social e progressivo de Sá Carneiro e dos outros social-democratas que o acompanharam”, conclui.

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