"Ouvindo o Governo, estava tudo preparado, estava tudo planeado, havia mais operacionais no terreno, havia mais meios para disponibilizar e depois, no fim, o que houve foi mais descoordenação, mais dificuldades para resolver os problemas e, acima de tudo, o que houve foi mais fogos e mais negócio em torno do negócio dos fogos, que é aquilo que se passa com o escândalo dos meios aéreos, dos 338 milhões [de euros] que saem dos nossos bolsos para alugar os meios aéreos", começou por afirmar Paulo Raimundo, na Marinha Grande (Leiria).
O líder do PCP, que discursava na apresentação dos candidatos da CDU (PCP-PEV), referiu que se seguiram "mais promessas, mais pactos, mais grupos de trabalho, mais comissões".
"Até fomos confrontados com produções a tentarem ser produções 'hollywoodescas', mas, coitados, os atores são tão maus, disfarçavam mal", declarou, numa alusão a um vídeo nas redes sociais protagonizado pelo líder do Chega, André Ventura, a apagar um pequeno foco de incêndio.
Segundo Paulo Raimundo, "deu para tudo neste período", mas "a única coisa para a qual não deu foi para concretizar aquilo que está decidido há anos".
Para o secretário-geral do PCP, o país não precisa de novos planos, projetos ou comissões, mas, antes, de "uma política ao seu serviço", pedindo a concretização das medidas que já estão decididas.
"De uma vez por todas, que haja coragem para responder, não aos interesses daqueles que fazem, neste caso, dos fogos um negócio, mas aos interesses das populações, aos interesses da floresta, aos interesses do território, aos interesses do interior, aos interesses da maioria daqueles que cá vivem e trabalham no nosso país", defendeu.
O secretário-geral do PCP pediu ainda "coragem para investir 3,5% do PIB [Produto Interno Bruto] no território, na coesão, na floresta, nas populações, nas suas vidas, nos bombeiros, nas forças de segurança, coragem para investir 3,5% do PIB no país".
"Essa é a única guerra onde vale a pena investir o dinheiro, onde vale a pena investir os meios, é essa e só essa a única guerra onde vale a pena investir", adiantou Paulo Raimundo.
Aos presentes, e referindo-se aos candidatos às eleições autárquicas, afirmou que são uma "alternativa necessária e urgente para a Marinha Grande", município que a CDU já liderou e onde deixou "uma obra exemplar" e um "contributo decisivo" na sua construção.
O candidato à Câmara da Marinha Grande é Sérgio Silva e à Assembleia Municipal é Alexandra Denguncho.
Portugal continental tem sido afetado por múltiplos incêndios rurais de grande dimensão desde julho, sobretudo nas regiões Norte e Centro.
Os fogos provocaram quatro mortos, entre eles um bombeiro, e vários feridos e destruíram total ou parcialmente casas de primeira e segunda habitação, bem como explorações agrícolas e pecuárias e área florestal.
Segundo dados oficiais provisórios, até 29 de agosto arderam cerca de 252 mil hectares no país.
Em outubro de 2017, mais de 80% da Mata Nacional de Leiria, que tem 11.062 hectares e ocupa dois terços do concelho da Marinha Grande, ardeu nos incêndios da região Centro.
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