Procurar

Raimundo diz que "perdão" de coimas a "cartel da banca" é injusto

O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, considerou hoje de "profunda injustiça" o "perdão" de 225 milhões de euros ao "cartel da banca" e garantiu que o partido não vai deixar passar em claro esta situação.

Raimundo diz que "perdão" de coimas a "cartel da banca" é injusto

© Horacio Villalobos#Corbis/Corbis via Getty Images

Lusa
29/08/2025 23:41 ‧ há 15 horas por Lusa

Política

PCP

"(...) Esses 225 milhões perdoados à banca, pelo seu funcionamento de cartel, para que, todos organizados, 11 bancos organizados, nos apertem a vida, não vão passar em claro", disse Paulo Raimundo, na Marinha Grande (Leiria), onde discursava na apresentação dos candidatos da CDU.

 

O Tribunal Constitucional (TC) rejeitou uma segunda tentativa da Autoridade da Concorrência (AdC) no caso conhecido como "cartel da banca" para reverter a anulação das coimas de 225 milhões de euros aos bancos.

Num acórdão de 25 de agosto, a conferência do TC indefere a reclamação do regulador da concorrência contra o facto de, em junho, o juiz-conselheiro Afonso Patrão ter rejeitado admitir o recurso que a AdC submeteu para apreciar a constitucionalidade do processo.

Hoje, o PCP requereu a audição parlamentar urgente do governador do Banco de Portugal sobre a prescrição das coimas, considerando que é "um escândalo que o país não pode aceitar".

Referindo-se "a essa banca a quem tudo se perdoa, essa banca que é a organização no país que paga menos IRC", o líder do PCP salientou hoje que é essa banca que "cria todas as comissões que entende", para o cartão, para a conta, para o empréstimo, "comissão para isto, comissão para aquilo".

"Eles criam as comissões e nós pagamos todas as comissões. Essa banca, que funciona como cartel para nos apertar a nossa vida, a quem agora vieram perdoar 225 milhões de euros", prosseguiu, sustentando que "cada um que se atrase numa prestação a um crédito, cada um que o faça e veja se há alguém que vos vai perdoar essa prestação, ninguém vos vai perdoar essa falta".

Paulo Raimundo esclareceu que o PCP chamou o Banco de Portugal e instituições à Assembleia da República para "explicar porque é que se perdoa à banca estes 225 milhões de euros".

"E há muito boa gente entalada com este problema. Lá estaremos para ouvir o que é que têm os outros partidos a dizer sobre esta matéria de profunda injustiça", acrescentou.

No requerimento, o PCP salienta que as coimas que tinham sido aplicadas pela AdC ao chamado "cartel da banca" totalizavam 225 milhões e eram relativas a "comprovadas práticas de cartelização de preços ocorridas entre 2002 e 2013" e que visaram bancos como a Caixa Geral de Depósitos, o BCP, o Santander Totta, o BPI, Montepio, BBVA, Banco Espírito Santo (BES) ou BIC.

"Como está demonstrado, é prática da banca, não restringida ao período em apreço, o alinhamento de estratégias, de cartelização e combinação explícita ou implícita de preços", lê-se.

O PCP defende que a prescrição das coimas aplicadas é "um escândalo que o país não pode aceitar", salientando que é importante esclarecer porque prescrevem todos os atos e apurar os motivos que levaram a AdC a demorar sete anos a decidir aplicar a coima.

"A desproporção de meios entre a banca (instituições reguladas) e a AdC (entidade reguladora para o caso), a incapacidade ou inércia para as intervenções sobre casos evidentes de monopolização ou cartelização são falhas inerentes quer ao sistema de supervisão pelas chamadas autoridades independentes, quer sobretudo a um sistema financeiro crescentemente dominado pelos grupos económicos privados", frisa o PCP.

Para o partido, num setor que, entre 2023 e 2024, "apresentou mais de dez mil milhões de lucros", a forma como o processo foi conduzido "confirma toda uma política e um sistema favorável aos interesses do grande capital financeiro e evidencia um obsceno desequilíbrio na forma de fiscalização e aplicação da lei".

O partido requer assim a audição parlamentar urgente do governador do Banco de Portugal e do presidente da AdC.

Leia Também: Fogos? Raimundo "incrédulo" perante voto contra do PS para debate na AR

Partilhe a notícia

Escolha do ocnsumidor 2025

Descarregue a nossa App gratuita

Nono ano consecutivo Escolha do Consumidor para Imprensa Online e eleito o produto do ano 2024.

* Estudo da e Netsonda, nov. e dez. 2023 produtodoano- pt.com

Recomendados para si

Newsletter

Receba os principais destaques todos os dias no seu email.

IMPLICA EM ACEITAÇÃO DOS TERMOS & CONDIÇÕES E POLÍTICA DE PRIVACIDADE

Mais lidas

1

2

3

4

5

6

7

8

9

10