O antigo coordenador do Bloco de Esquerda Francisco Louçã, comentou, esta sexta-feira, as palavras do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que disse que o seu homólogo norte-americano, Donald Trump, atuou como o "ativo soviético".
Questionado acerca da possibilidade de as palavras do chefe de Estado poderem criar um incidente diplomático entre Lisboa e Washington, Louçã apontou, em declarações à SIC Notícias: "Não creio que chegue a isso. Acho que isto é um pouco um factoide de verão."
Note-se que as declarações de Marcelo Rebelo de Sousa foram mesmo notícia lá fora, dos meios de comunicação social ucranianos aos norte-americanos, também passando por publicações chinesas ou indianas.
"A expressão de que 'Trump é um ativo soviético' não tem sentido porque a União Soviética acabou há mais de 20 anos. A expressão ativo remete para romances de espionagem, e, portanto, parece ser desadequado. Que Trump tem uma convergência estratégica com Putin... Não há grande dúvida sobre isso, pois não? Desse ponto de vista, o Presidente está a apontar um facto da política internacional", considerou.
Para além das análises feitas lá fora, também o candidato presidencial, Henrique Gouveia e Melo falou - quando questionado - sobre o assunto. No Algarve, criticou a posição tomada, defendendo que qualquer pessoa no cargo de Presidente da República não deveria "fazer comentários pessoais" e que se fosse ele ocupar o cargo "não os teria feito".
Confrontando com as críticas de Gouveia e Melo e uma possível contenção nas palavras por parte de Marcelo, Louçã disse: "Que as pessoas mais próximas do 'trumpismo', como André Ventura ou Henrique Gouveia e Melo, se sintam ofendidos e saltem para a arena política para atacar o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa... isso é naturalíssimo".
Apesar da assertividade nas considerações, o bloquista sublinhou que achava que esta era uma situação a que achava que não devia ser dada "grande importância".
"Depois do jogo Sporting vs Porto esse assunto vai desaparecer da cena política portuguesa. Não tem grande relevância", apontou, acrescentando: "Mais significativo talvez seja que o Governo procure afirmar perante a embaixada norte-americana o seu desconforto com a posição do Presidente."
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