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Chega fala em balbúrdia na imigração e Montenegro promete mudar regras

O presidente do Chega acusou hoje o Governo de permitir a continuação da "balbúrdia" na entrada de estrangeiros, classificando Portugal como um país com "portas escancaradas", com o primeiro-ministro a prometer para breve medidas na imigração.

Chega fala em balbúrdia na imigração e Montenegro promete mudar regras
Notícias ao Minuto

17:06 - 15/05/24 por Lusa

Política Imigração

"Vamos mudar regras brevemente", respondeu Luís Montenegro a André Ventura no debate quinzenal, no parlamento, numa altura em que já dispunha de pouco tempo para usar da palavra -- e após o líder do Chega o ter acusado de "saneamento" ao anterior diretor nacional da PSP e de ser igual ao PS nas negociações com a plataforma das forças de segurança.

Também de forma telegráfica, o líder do executivo reagiu neste ponto ao discurso proferido pelo presidente do Chega: "Partidos nas polícias não obrigado", disse, no final de um debate muito duro e que obrigou o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco a intervir por várias vezes para serenar ânimos.

Ao longo do debate, o presidente do Chega acusou o Governo de não ter qualquer medida para a saúde, defraudando promessas que a AD fizera aos eleitores, e de ter apresentado "um choque fiscal que deixou os portugueses chocados".

"Tanta conversa", comentou André Ventura, dizendo que quem ganha 1.505 euros por mês terá um desagravamento de 4,6 euros. E deixou um aviso: "O Chega não fará qualquer acordo em que quem ganha menos não seja beneficiado, porque os ricos safam-se por si".

A bancada do PSD reagiu ruidosamente em sinal de protesto. E André Ventura comentou: "A linha de Cascais está chateada".

Neste ponto, o primeiro-ministro começou por questionar André Ventura se, tal como o PS, também entende que não deverá haver desagravamento fiscal para quem está no sexto escalão do IRS. A seguir, passou ao contra-ataque, considerando que o líder do Chega parece "enamorado" pelas propostas fiscais do PS.

Mas Luís Montenegro foi ainda mais longe, a propósito do tema da saúde, considerando que André Ventura "está mais socialista do que os socialistas".

No final do debate, já depois de um confronto entre ambos sobre descida das portagens, o primeiro-ministro levantou a bancada do PSD com a seguinte acusação a André Ventura: "O senhor tem uma conceção muito peculiar do exercício de funções públicas e de responsabilidade política, porque, para si, o não é não justifica todos os seus posicionamentos sobre os assuntos que dizem respeito à vida das pessoas".

"Acho isso intolerável, infantil e imaturo. Não está à altura da representação dos interesses das pessoas", concluiu.

Antes, o presidente do Chega tinha recusado qualquer aproximação ao PS, olhou para as bancadas do público e contrapôs: "O Chega tornou-se próximo dos portugueses".

"A vida é o que é, senhor primeiro-ministro", completou, o que levou José Pedro Aguiar-Branco a advertir Ventura que "os deputados falam para outros deputados e não para as galerias" do público.

O presidente da Assembleia da República voltou a usar da palavra no debate, depois de o líder parlamentar do Chega, Pedro Pinto, se ter queixado de desigualdade na distribuição de tempos entre a sua bancada e o primeiro-ministro e de a sua deputada Rita Matias ter sido sucessivamente interrompida na sua intervenção. Uma intervenção em que Rita Matias acusou a ministra da Juventude, Margarida Balseiro Lopes, de ser "corta fitas, enquanto os jovens continuam de bolsos vazios".

"Tenho a minha consciência bem tranquila", respondeu o presidente da Assembleia da República, depois de ter assegurado que tem usado critérios iguais para todos os partidos em matéria de distribuição de tempos de intervenção.

O debate entre Luís Montenegro e o Chega motivou ainda uma interpelação à mesa por parte do vice-presidente da bancada socialista, Pedro Delgado Alves, que levantou dúvidas sobre a cedência de dois minutos de tempo de intervenção pela bancada do PSD ao primeiro-ministro.

O líder parlamentar do PSD, Hugo Soares, defendeu que essa cedência de tempos "faz parte da praxe parlamentar", mas Pedro Delgado Alves contrapôs que tal não se aplica em debates com o formato do quinzenal com a presença do primeiro-ministro.

José Pedro Aguiar-Branco sugeriu depois que o tema seja discutido numa das próximas reuniões da conferência de líderes parlamentares.

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