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Raimundo em Almeirim lança CDU como os "guarda-rios" do parlamento

A vala de Almeirim foi onde gerações passadas da região nadaram e pescaram, mas hoje a água que vai dar ao Tejo mal se vê entre a praga de jacintos para a qual a CDU veio alertar.

Raimundo em Almeirim lança CDU como os "guarda-rios" do parlamento
Notícias ao Minuto

20:42 - 05/03/24 por Lusa

Política Iniciativa Liberal

Na estreita ponte que passa sobre o curso de água que vem desde a Chamusca e atravessa Alpiarça e Almeirim até chegar ao rio Tejo, o secretário-geral do PCP vislumbrou até ao horizonte uma espessa cobertura de vários tons de verde. "Isto é uma imagem impressionante", confessou Paulo Raimundo a Heloísa Apolónia, rosto do partido ecologista Os Verdes (PEV) durante anos no parlamento e que procura agora voltar como terceira da lista da CDU no distrito de Setúbal.

"Se pensares que outrora houve gerações que aprenderam aqui a nadar, pescavam aqui... As atuais gerações hoje nem conseguem perceber que isto é um curso de água", explica Heloísa Apolónia, enquanto os automobilistas se vão desviando com ar surpreso do aparato causado pela pequena comitiva e pelos jornalistas sobre a ponte. "Hoje [os jovens] quase podem correr [aqui]. Podia ser um campo", ironiza o líder comunista.

Na iniciativa estiveram Bernardino Soares, cabeça de lista da CDU por Santarém, Mariana Silva, candidata do PEV pela lista da CDU em Lisboa, e Manuela Cunha, dirigente d'Os Verdes e antiga vereadora local, que recorda que aquela vala foi limpa há cerca de 20 anos. No entanto, lamentou a falta de monitorização e cuidado ao longo do tempo, associando o atual cenário ao desaparecimento dos guarda-rios.

"As [espécies] infestantes proliferam e isto é dramático. Os jacintos são extremamente proliferantes. Não há fiscalização, não há uma continuidade. Enquanto houve guarda-rios era muito diferente", disse, descrevendo o efeito de atrofia da água causada pelos jacintos de água doce, que acabam por retirar o oxigénio: "Há muito disto no país. Sem oxigénio não há vida".

Entre as causas desta proliferação esteve, segundo Heloísa Apolónia, o excesso de carga orgânica naquele ecossistema, causada por suiniculturas ou pela agricultura intensiva.

"Tens uma componente de biodiversidade que não se desenvolve. Podes ter os melhores acordos, as estratégias de promoção de biodiversidade repletas de boas intenções, mas se tiveres isto tudo no papel e não houver investimento real, é isto e isto é pobreza ambiental no país", resumiu.

Paulo Raimundo ainda sugeriu que limpar esta área "também deu um belo negócio" e reconheceu que é preciso "atacar o problema", mesmo que possa "não ser completamente possível de resolver na totalidade". Mas foi já uns metros à frente, fora da ponte e afastado dos carros e motas que passavam, que Paulo Raimundo fez uma análise mais extensa do problema e da importância de uma iniciativa de campanha voltada para o ambiente.

"Estamos perante um problema muito grande no nosso país e no mundo, até, que é tudo o que envolve a água e a utilização da água", salientou, questionando: "Esta vala não é limpa há mais de 20 anos. Não é possível, não se pode alegar falta de recursos financeiros para isto. Essa é que é a grande questão: que opções é que têm de se fazer também no ponto de vista ambiental, com tudo o que isso implica na vida de todos e de cada um?"

O regresso dos guarda-rios foi enfatizado ao longo da iniciativa por várias vozes e o secretário-geral do PCP estendeu a ideia até ao parlamento após estas eleições: "É preciso os guarda-rios, é preciso a Heloísa [Apolónia] e outros deputados do PEV e do PCP, os verdadeiros guarda-rios para tomar conta da praga dos jacintos".

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