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Bens essenciais com IVA a 0%? "O Governo avança tarde, muito tarde"

Catarina Martins criticou o Executivo durante uma ação de protesto junto ao Pingo Doce de Gondomar, organizada pelo Bloco de Esquerda contra os preços elevados.

Bens essenciais com IVA a 0%? "O Governo avança tarde, muito tarde"
Notícias ao Minuto

11:11 - 27/03/23 por Notícias ao Minuto com Lusa

Política Catarina Martins

A líder do Bloco de Esquerda (BE) organizou uma ação de protesto, esta segunda-feira, junto ao Pingo Doce de Gondomar, contra os preços elevados.

Segundo Catarina Martins, a manifestação foi marcada depois de a Jerónimo Martins, dona do Pingo Doce, ter anunciado que tinha tido lucros de 590 milhões de euros, numa altura em que os portugueses estão a ter dificuldades em comprar bens essenciais.

"Nos últimos anos, os lucros da grande distribuição não pararam de aumentar. A semana passada soubemos dos lucros da Jerónimo Martins: 590 milhões de lucro. E fizeram esses lucros no ano em que quem trabalha em Portugal começou a comprar menos bens alimentares porque o salário não chega", sublinhou.

De acordo com a deputada bloquista, "os bens alimentares subiram acima de tudo o resto da inflação" e essas subidas "não encontram justificação em lado nenhum", nem "nos salários dos trabalhadores, que permanecem com salários parados".

Durante a ação de protesto Catarina Martins apontou também o dedo ao Governo. Apesar de terem sido anunciadas novas medidas de apoio às famílias, na última sexta-feira, a deputada bloquista garantiu que "é necessário muito mais".

"É preciso controlar os preços. O Governo avança tarde, muito tarde, com a medida de baixar o IVA de um cabaz de bens essenciais. Ora isso pode significar a descida de 6%  em alguns bens, mas poucos e se a grande distribuição não acabar por comer a descida do IVA e integrá-la nos seus lucros como aliás já aconteceu noutros países", atirou.

Para a parlamentar é preciso assim, além de estabelecer os alimentos que constituem o cabaz de bens alimentares com IVA a 0%, "também se estabeleça o preço a que esses bens essenciais podem ser vendidos e que se vai observar esse preço ao longo de um período de tempo".

Espanha, lembrou ainda a bloquista, "demorou 15 dias para" acabar com a descida dos preços motivada pela redução do IVA. "Ficaram [a grande distribuição] com tudo num instante", disse.

"Lembro que, mesmo que desça, descer 6% não compensa os mais de 20%, nalguns produtos até muito mais, que não tem nenhuma explicação. É mesmo preciso controlar preços e atualizar salários", frisou.

Em seu entender, o que está acontecer com o anúncio do Governo para os bens essenciais é exatamente a mesma coisa que aconteceu com a descida do IVA na eletricidade, ou seja, "ninguém sentiu e os preços continuaram a aumentar".

Para Catarina Martins, trata-se de "uma pequena descida sem grandes garantias e só para uma pequena parte dos bens que, daqui a uns tempos, as pessoas vão ver que não redundou em nada. Porquê? Porque não se controlam margens de lucros, não se controlam os preços de bens essenciais que é fundamental".

"Lembro que enquanto as pessoas não conseguem fazer as compras porque o salário não chega até ao final do mês, o patrão destes supermercados, por exemplo, ganha num mês o mesmo que quem está na caixa demora 25 anos a ganhar", referiu.

A líder do BE sublinhou, nesse sentido, que os aumentos dos salários dos trabalhadores não compensam a inflação.

"Estamos mesmo a falar de um assalto a quem trabalha. Só controlando os lucros, as margens, estabelecendo preços para os bens essenciais é que podemos acabar com este verdadeiro assalto aos salários que está a acontecer em Portugal".

A aplicação de uma taxa zero de IVA num cabaz de produtos essenciais, anunciada na semana passada pelo Governo, será aplicada entre abril e outubro e terá um custo que o Governo avalia em 410 milhões de euros.

Leia Também: Quanto vai poupar com o IVA zero no cesto de compras? Veja aqui as contas

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