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IL pede à embaixada do Irão para "libertar" jovens condenados à morte

A Iniciativa Liberal (IL) instou hoje a Embaixada do Irão em Portugal a empenhar os "melhor esforços diplomáticos para a libertação urgente" de dois jovens iranianos, condenados à morte na sequência dos protestos antigovernamentais.

IL pede à embaixada do Irão para "libertar" jovens condenados à morte
Notícias ao Minuto

22:29 - 06/02/23 por Lusa

Política Irão

Numa carta enviada ao embaixador da República Islâmica do Irão em Portugal, este partido defendeu que a pena "não é claramente proporcional aos seus atos de participação nos referidos protestos".

Os deputados da IL no Parlamento, Joana Cordeiro e Rodrigo Saraiva, explicaram na carta que Mohammad Ghoubadlou, de 22 anos, e Mohammad Boroughani, de 19 anos, enfrentam a pena de morte "por terem sido acusados de 'guerra contra Deus', na sequência do seu papel" nos protestos antigovernamentais que começaram após a morte, em 16 de setembro, de Mahsa Amini, uma jovem curda iraniana de 22 anos detida pela chamada "polícia da moralidade", por alegadamente usar o lenço islâmico fora dos padrões exigidos.

Para Joana Cordeiro e Rodrigo Saraiva, enquanto deputados é "da mais elementar justiça" defender a "promoção do respeito pela vida humana, não só dentro do território português" mas "sobretudo quando os esforços diplomáticos" possam ter "um efeito relevante na vida das pessoas".

"Nesse sentido, decidimos, política e civicamente, apadrinhar estes dois jovens iranianos condenados à morte, assumindo o compromisso de os proteger e defender, na medida em que as nossas incumbências e faculdades o permitam, enquanto deputados", destacaram.

A IL adiantou ainda que Mohammad Ghoubadlou é barbeiro e foi preso em Teerão a 22 de setembro e foi em dezembro condenado à morte por "guerra contra Deus".

"Após a sua detenção, a sua mãe afirmou, num vídeo publicado nas redes sociais, que o seu filho era bipolar e não tomava os seus medicamentos há vários meses. A 09 de janeiro, um grupo de 50 psiquiatras escreveu uma carta à magistratura obstando a sua sentença de morte. Permanece, no entanto, em risco iminente de ser executado", acrescentou.

Mohammad Ghoubadlou é apadrinhado por Clara Anne Bünger do Parlamento alemão, Nathalie Goulet e Raquel Garrido do Parlamento francês.

Já Mohammad Boroughani foi também condenado à morte por "guerra contra Deus", é apadrinhado por Martin Diedenhofen do Parlamento alemão, por Mahamoud Farahmand do Parlamento norueguês e por Hubert Julien-Lafferri do Parlamento francês, destaca a IL na carta.

Os deputados garantiram ainda na carta ao embaixador da República Islâmica do Irão em Portugal que vão continuar "monitorizar a situação, não hesitando em comunicar publicamente os desenvolvimentos da mesma".

"Manifestamos desde já a nossa disponibilidade para colaborar com a embaixada nestes fins, cujos esforços respeitosamente saudamos, e que esperamos que venham a concretizar as ações que aqui enunciamos", concluem na missiva.

Dos protestos resultaram até agora entre 481 e 522 mortos, incluindo 68 funcionários das forças de segurança do país, segundo Organizações Não-Governamentais (ONG).

Segundo a ONG Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos (HRANA, na sigla em inglês), um total de aproximadamente 19.600 pessoas foram detidas desde o início dos protestos, das quais 713 já foram condenadas por um tribunal iraniano.

Pelo menos quatro pessoas foram executadas e 109 enfrentam a possibilidade de acabar no corredor da morte.

Leia Também: Líder supremo do Irão indulta participantes nos protestos

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