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Líder da Endesa "meteu rabo entre as pernas", mas Costa fez jogo político

Francisco Louçã comentou a polémica desta semana entre a empresa espanhola e o Governo.

Líder da Endesa "meteu rabo entre as pernas", mas Costa fez jogo político

Francisco Louçã analisou, esta terça-feira, uma das polémicas que abriu a semana. Em causa o facto de o presidente da Endesa ter dito que as pessoas iam ter uma "desagradável surpresa" já este mês com as faturas da luz a subir cerca de 40% - declarações essas que o Governo considerou alarmistas.

"Tornou-se surpreendentemente o grande tema da semana e, aliás, com algumas características pícaras e declarações surpreendentes neste contexto", começou por referir o economista, no seu habitual espaço de comentário na SIC Notícias, lembrando que, apesar de ser uma empresa espanhola, tem muito impacto em Portugal.

"Isto desencadeou muita surpresa e muito incómodo por parte do Governo. É muito difícil perceber o que queria o presidente da Endesa porque não há absolutamente nenhuma justificação concreta para o valor que apresentou", sublinhou, acrescentando que há "uma dupla pressão grande" para o aumento da eletricidade - o custo da energia importada e a seca, que implica que há "menos recursos de criação de eletricidade a partir das barragens".

"Essa pressão existe, mas 40%? Qual é a razão para os 40%? Nunca se perceber. E, na verdade, o presidente da Endesa 'meteu o rabo entre as pernas', se me permite a expressão e imediatamente a empresa fez um comunicado", lembrou. "Isto criou uma tensão grande", e criou, de acordo com o ex-coordenador do Bloco de Esquerda o "segundo facto mais surpreendente, que foi o primeiro-ministro vir com um despacho mandatar o secretário de Estado da Energia, [João] Galamba, para certificar cada uma das faturas da Endesa".

Sublinhou ainda a rapidez com que o Executivo agiu, e considerou que depois deste episódio ficou "uma coisa muito estranha". "Interveio imediatamente com braço de ferro, encheu o peito e lançou-se ameaçando a Endesa de nada", notou, referindo-se ao despacho. "[António Costa] Já tinha tentado obter o efeito que queria - mostrar o braço de ferro -, mas com um despacho que não tem nenhum valor. Porque os contratos se mantêm", referiu.

"A Endesa, a não ser que falsificasse as faturas, vai apresentar as faturas e o secretário de Estado vai puxar da caneta e assinar cada uma das faturas. Tudo isto é um fingimento, visto que as faturas não vão ser notificadas", referiu. "A posição do Governo é uma declaração política sem nenhuma consequência no preço para os consumidores ou Endesa, a não ser apontá-la entre as várias empresas da energia. Este efeito é um jogo político e nada mais", disse.

"Sendo poucas empresas as que dominam este mercado, têm esta tendência de afirmarem uma vontade de dirigir o preço", sublinhou.

O economista afirmou ainda que acredita que, na altura da apresentação do Orçamento do Estado, António Costa irá apresentar medidas para os chamados "lucros caídos do céu", algo a que o secretário-geral da Organização das Nações Unidas se referiu esta semana.

Na opinião de Louçã, Costa apresentará nos próximos meses "um imposto sobre os lucros que resultam do grande aumento dos preços da energia - os tais lucros caídos do céu". "Guterres insiste em que haja um imposto que force permanentemente as empresas a deslocar-se muito rapidamente para formas de produção de energia mais baratas e mais garantidas neste momento", contextualizou, explicando que as propostas do responsável da ONU e esta pressão internacional vai mais além deste eventual imposto.

"O Governo apresentará provavelmente um impostozinho sobre os lucros caídos do céu para desaparecer tão depressa quanto possa e as empresas que se movimentam de alguma forma preocupadas com esse imposto estarão a negociar o seu contexto", rematou.

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