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Moção? "Exercício de oportunidade na competição com os outros partidos"

O líder do Chega elencou falhas em todos os setores do governo, pedindo ao Parlamento que deite abaixo o executivo.

Moção? "Exercício de oportunidade na competição com os outros partidos"

Na sua intervenção na Assembleia da República, o primeiro-ministro respondeu à moção de censura proposta pelo Chega e considerou que esta é apenas uma forma de competição contra o resto dos partidos.

António Costa admitiu que as divergências no Governo, nomeadamente a recente crise com Pedro Nuno Santos, foi um erro "efetivamente grave, mas tão efémero, que já tinha sido resolvido na véspera da própria apresentação da moção de censura".

Sobre a moção de censura, apresentada pelo Chega e que deverá chumbar ao final da tarde, o primeiro-ministro desvalorizou-a, considerando-a "um desafio à nova liderança do PSD, obrigando-a a clarificar se aceita, ou não, ser aliada do Chega na Assembleia da República".

"Nada é por acaso. Esta moção de censura do Chega foi apresentada no dia em que se iniciava o congresso do PSD e marcada para o dia em que estava prevista uma interpelação do PCP", afirmou António Costa, que acrescentou que a proposta do partido mais à direita do Parlamento "mais do que dirigida ao Governo é um exercício de oportunidade na competição com os outros partidos da oposição".

Apontando baterias diretamente ao Chega, o primeiro-ministro declarou que o partido só quer atenção mediática.

"Como é próprio dos populistas, o Chega vocifera muito, mas nada propõe e nada resolve. Esta é uma distinção essencial entre nós. Os populistas alimentam-se dos problemas. Um Governo responsável, reconhece os problemas e age para os resolver", apontou Costa.

Já mais tarde, numa nova resposta ao Chega e a André Ventura, Costa foi ainda mais duro, gritando que Ventura tem "zero" propostas para o país.

"Fala, fala, mas não apresenta nem uma propostazinha. Nós podemos não concordar com as propostas do PCP e do Bloco, mas têm propostas, têm ideias! Tem alguma?”, rematou.

Ventura pede "coragem" à direita

No início do debate, André Ventura, o líder do partido de extrema-direita, criticou os vários setores onde o governo enfrenta crises, começando pela saúde e as urgências, passando pelo preço dos combustíveis e pela recente confusão entre Costa e o ministro das infraestruturas, Pedro Nuno Santos.

Sobre este último, o deputado declarou que é um "ministro que já não existe".

"O senhor primeiro-ministro sabe que tem pela frente um desafio que já não consegue concretizar, a desorganização e a desorientação geral do Governo são prova disso mesmo. O caos na saúde, nos combustíveis, no aeroporto e um ministro que já não existe são a prova final que precisávamos de que este Governo já não está cá para exercer funções", afirmou.

Ventura considerou que o Governo "falhou na sua missão fundamental de restaurar a dignidade de Portugal" e que o executivo não soube "dar uma resposta digna a um povo digno".

"Vejam o país que nos deu a maioria absoluta: serviços de saúde encerrados, pessoas a morrer por falta de atendimento, uma ministra que já não tem nenhum capital político e já só se mantém por teimosia de António Costa", apontou o deputado, sobre Marta Temido e a crise nas urgências.

Apelando à direita, ao PSD e à Iniciativa Liberal, o líder do Chega afirmou que os partidos ao lado têm de ter "coragem".

"Não podemos passar o dia e a hora a dizer que este Governo está a fazer mal, que Pedro Nuno tem de ser demitido, que Temido já não tem capital político, e quando chega a hora votamos ao lado do Governo", apontou.

Já na sua segunda intervenção, André Ventura deixou duras críticas aos partidos da direita, especialmente ao PSD, sobre quem declarou que não faz oposição ao Governo.

"O principal partido da oposição fica em silêncio neste debate, é uma vergonha e desonra o mandato e quem faz oposição em Portugal. Afinal eu estava enganado, não é Rui Rio versão dois, nem três, nem quatro. É mesmo o caminho da desgraça da direita aqui à nossa frente", reclamou.

A moção de censura deverá chumbar no Parlamento, já que a Iniciativa Liberal e o PSD vão-se abster, e toda a esquerda (BE, PCP, Livre e PS) e o PAN irão votar contra.

O debate sobre a moção de censura terá cerca de três horas, e a votação será a seguir.

[Notícia atualizada às 16h18]

Leia Também: PAN vota contra moção de censura ao Governo apresentada pelo Chega

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