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"Mas que medo é que tenho? De Nuno Melo? Por amor de Deus"

Líder do CDS diz ter contra si, constantemente, "aqueles que se julgavam donos do partido", um grupo "restrito completamente estranho a pessoas novas". Francisco Rodrigues dos Santos sublinha ainda não estar "desesperado" por uma coligação pré-eleitoral com o PSD.

"Mas que medo é que tenho? De Nuno Melo? Por amor de Deus"

"Tenho medo de quem? Nuno Melo? Por amor de Deus". A afirmação é de Francisco Rodrigues dos Santos, em resposta aos que o acusam de falta de coragem para ir a votos internamente antes das eleições legislativas de 30 de janeiro. 

Em entrevista ao Observador, o líder do CDS argumentou que não tem medo de ir a Congresso, até porque foi o próprio a antecipá-lo, e lamenta estar a ser "apoucado" dentro do próprio partido. 

"Mas que medo é que tenho? Tive formação militar. Entrei no Colégio Militar aos dez anos. Desde pequenino que aprendi a lidar com exigência e responsabilidade. Mas tenho medo de alguma coisa? Com 31 anos propus-me a liderar o CDS e estou a dar a cara com todos eles nas televisões todos os dias a dizer cobras e lagartos de mim", argumentou, respondendo aos críticos. 

"Cadelas apressadas parem filhos cegos. Sabem de quem é esta frase? António Pires de Lima [um dos militantes que saiu do CDS recentemente], a referir-se ao presidente do próprio partido. Tenho medo de quem? De Nuno Melo? Por amor de Deus", prosseguiu. 

Questionado sobre uma declaração do próprio - "Sei bem do terrorismo que conseguem criar na comunicação, da falta de vergonha que têm" -, Rodrigues dos Santos defendeu-se com o contexto em que a frase foi dita no Conselho Nacional do CDS.

"Aí, confesso, que levei um bocadinho mais longe a linguagem tradicional que uso, sobretudo fora do partido (...) É verdade que o fiz. Mas foi porque naquele contexto... Eu oiço dos maiores impropérios possíveis. Apoucarem a idade que tenho, chamarem-me garoto, dizerem que não tenho pedigree para ser presidente do CDS, que sou um inútil (...) Se as pessoas soubessem aquilo que tenho suportado, sobretudo por ter contra mim, constantemente, aqueles que se julgavam os donos do partido, daquele grupo restrito estranho a pessoas novas e que não tolera que haja um fator de disrupção no status quo do partido, compreendiam melhor o contexto em que estas afirmações são ditas". 

Na entrevista ao Observador, Francisco Rodrigues dos Santos criticou ainda Telmo Correia, considerando que algumas declarações públicas que tem feito não são próprias de um líder parlamentar. Telmo Correia, criticou, não compreende uma tese que para Chicão "é básica".

"Não é o grupo parlamentar que tem o partido, é o partido que tem um grupo parlamentar. E a procura incessante de estrinchar a sua bancada como uma plataforma de oposição à direção do partido, publicamente, creio que é errada e não trouxe vantagens nenhumas a nível político". 

Reconhecendo as "vantagens" de ir a votos em coligação com o PSD - como aconteceu nas autárquicas -, Rodrigues dos Santos sublinhou não estar "desesperado" para que os dois partidos deem as mãos para ir a votos no próximo dia 30 de janeiro. 

O líder do CDS disse ainda que lutará para que o partido cresça nas próximas eleições e que, depois, em função dos votos confiados pelos eleitores, fará a sua "interpretação dos resultados", que podem ser boas ou negativas. Se forem más, "naturalmente colocarei o meu lugar à disposição", disse, mantendo-se, contudo, confiante. "Não conto que isso aconteça, porque tenho confiança no meu trabalho", rematou. 

Leia Também: CDS não está "à beira da irrelevância", mas esvaziamento político é risco

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