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"Desejava e desejo, esperava e espero que seja possível ter Orçamento"

Presidente da República comenta as negociações em torno do Orçamento do Estado para 2022, enfatizando que o seu desejo é que o documento seja aprovado, repetindo a ideia de que uma crise política seria mais um problema a juntar aos que já espreitam no país.

"Desejava e desejo, esperava e espero que seja possível ter Orçamento"

À margem de uma visita à exposição de Paula Rego na Tate Gallery, em Londres, o Presidente da República comentou a incerteza nas negociações em relação ao Orçamento do Estado para 2022 fazendo uma comparação com as obras da artista. 

Questionado sobre como é que a pintora pintaria o quadro político atual de Portugal marcado pelo impasse nas negociações em torno do OE2022, Marcelo respondeu:

"Paula Rego retratou momentos da ditadura. Tem quadros muito fortes contra a ditadura, contra a guerra, os últimos, contra a mutilação genital, contra o tráfico de seres humanos, contra problemas universais. Tratou quer temas internos quer internacionais, mas não se prendia ao pormenor". 

O Orçamento, disse, "não é um pormenor", "mas é um momento histórico". "Ela [Paula Rego] preferia causas mais longas". 

"Tenho a sensação de que até ao fim da semana fica claro aquilo que resulta dos contactos entre partidos", disse. "Penso que na segunda-feira já haverá uma noção mais aproximada" de qual será o desfecho da votação do OE2022. Em todo o caso, Marcelo não voltará a chamar os partidos a Belém, não querendo "interferir" nas negociações que decorrem. "É o momento do diálogo entre partidos e o Governo. O PR agora aguarda para ver" o resultado desses contactos. 

O chefe de Estado enfatizou que "desejava e deseja" e que "esperava e espera" que o Orçamento passe, "não tanto por questões de pormenor", mas porque olha "para o mundo e para a Europa" e vê que "a recuperação não está a começar, que em alguns casos a pandemia está a voltar, vejo que a situação se está a agravar, preços da energia a subir". Resumindo: "Vejo muitos problemas no horizonte, uma crise política só juntaria mais um problema aos problemas que temos". "Por isso, desejava e desejo, esperava e espero, que seja possível ter Orçamento", reforçou. 

De recordar que a Comissão Política do PS reúne-se esta sexta-feira à noite para avaliar o estado das negociações com o BE, PCP, PEV e PAN, numa altura em que a incerteza é ainda a palavra-chave. 

Esta reunião acontece cinco dias antes da votação na generalidade da proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2022 e no final de uma semana em que as negociações entre executivo, PAN e partidos à esquerda do PS registaram escassa evolução em termos de perspetiva de acordo.

Na quarta-feira, no Parlamento, o primeiro-ministro considerou que, na sequência das reuniões desta semana, o Governo e os partidos com quem está a negociar o Orçamento ficaram mais próximos do que antes, mas salientou também que não há um acordo final.

Perante os jornalistas, o líder do Executivo socialista minoritário deixou mesmo um alerta: "O Presidente da República definiu uma consequência muito exigente para a inexistência de um Orçamento".

António Costa referiu então que esse aviso de Marcelo Rebelo de Sousa de dissolução do Parlamento e convocação de eleições legislativas antecipadas "é uma coisa em se que deve meditar". "Todos temos de meditar. Acho que a última coisa que alguém deseja é acrescentar à crise social, económica, pandémica e à crise energética ainda uma crise política", acentuou.

Leia Também: Aumenta a pressão: "Só não haverá Orçamento se o PS não quiser"

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