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Aumenta a pressão: "Só não haverá Orçamento se o PS não quiser"

Comissão política do PS analisa esta sexta-feira o estado das negociações com os partidos à sua Esquerda tendo em vista a viabilização do Orçamento do Estado para 2022.

Aumenta a pressão: "Só não haverá Orçamento se o PS não quiser"

Numa altura em que as negociações em torno do Orçamento do Estado para 2022 ainda estão minadas pela incerteza quanto à viabilização do documento, cresce a pressão quer do lado do Governo quer do lado dos partidos à Esquerda do PS. 

João Ferreira recorreu ao Twitter para afirmar: "Da mesma forma que em 2015 o PS só não formava governo se não quisesse (como lembrou o PCP, enquanto Costa dava os parabéns a Passos), em 2022 só não haverá orçamento se o PS não quiser", escreveu o comunista. 

A Comissão Política do PS reúne-se esta sexta-feira à noite para avaliar o estado das negociações com o BE, PCP, PEV e PAN, numa altura em que a incerteza é ainda a palavra-chave. 

Esta reunião acontece cinco dias antes da votação na generalidade da proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2022 e no final de uma semana em que as negociações entre executivo, PAN e partidos à esquerda do PS registaram escassa evolução em termos de perspetiva de acordo.

Na quarta-feira, no Parlamento, o primeiro-ministro considerou que, na sequência das reuniões desta semana, o Governo e os partidos com quem está a negociar o Orçamento ficaram mais próximos do que antes, mas salientou também que não há um acordo final.

Perante os jornalistas, o líder do Executivo socialista minoritário deixou mesmo um alerta: "O Presidente da República definiu uma consequência muito exigente para a inexistência de um Orçamento".

António Costa referiu então que esse aviso de Marcelo Rebelo de Sousa de dissolução do Parlamento e convocação de eleições legislativas antecipadas "é uma coisa em se que deve meditar". "Todos temos de meditar. Acho que a última coisa que alguém deseja é acrescentar à crise social, económica, pandémica e à crise energética ainda uma crise política", acentuou.

Já o presidente do PS, Carlos César, foi mais duro em relação à atuação do Bloco de Esquerda e do PCP ao longo das negociações do Orçamento para 2022, dizendo que estas forças políticas têm de esclarecer "o que os move" e se preferem fazer oposição a um Governo de direita ou fazer acordos com um Governo de esquerda.

Por sua vez, pela parte do PCP, o líder parlamentar, João Oliveira, em declarações à agência Lusa, sustentou na quinta-feira que "não serve de nada" viabilizar a discussão na especialidade de uma proposta orçamental que "não responde aos problemas do país" e indicou que faltam "sinais" do Governo quanto às pensões e salários.

Já no Bloco de Esquerda, o presidente da bancada parlamentar, Pedro Filipe Soares, considerou que o primeiro-ministro parece não ter vontade política de "chegar a bom porto negocial".

O Bloco de Esquerda reúne -se no domingo a sua Mesa Nacional, o órgão máximo entre convenções, para analisar o Orçamento do Estado para 2022. Uma reunião que acontecerá um dia depois de uma reunião prevista entre o partido e o primeiro-ministro no âmbito das negociações para a viabilização do Orçamento.

Entre os dirigentes do PS contactados pela agência Lusa, o cenário de eleições legislativas antecipadas, na sequência de uma situação em que a esquerda política se revela incapaz de se entender em torno de um Orçamento do Estado, é encarado com elevada apreensão.

António Costa, nas declarações que fez aos jornalistas ao longo desta semana, tem procurado salientar a abertura do Governo para negociar medidas com o Bloco e PCP, designadamente nas áreas da saúde e revisão da legislação laboral.

Mas, em paralelo, António Costa também tem colocado sempre como linha vermelha o equilíbrio das contas públicas e a continuação do processo de consolidação orçamental em 2022.

"Ter as contas certas é chave para manter as taxas de juro baixas, para preservar a confiança e a credibilidade internacional do país. Esse é um bem inestimável que em circunstância alguma nós podemos perder ou pôr em risco, porque isso significa mesmo sacrificar o nosso futuro", declarou na terça-feira num encontro com a JS em Lisboa.

No dia seguinte, no Parlamento, o primeiro-ministro reforçou essa mensagem. "Estamos totalmente empenhados para que haja um acordo, vamos fazer tudo para que esse acordo exista, mas é um acordo que tem de contentar todas as partes. Esse acordo tem de contentar os outros partidos, mas o Governo também tem de se sentir confortável no sentido de poder assumir a responsabilidade daquilo que assina e daquilo com que se compromete", declarou.

Leia Também: OE2022: PS analisa hoje estado das negociações com BE, PCP, PEV e PAN

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