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Sampaio. Esquerda lembra capacidade de diálogo e convergências políticas

Os partidos à esquerda no parlamento lembraram hoje a capacidade de diálogo político do ex-Presidente Jorge Sampaio e as convergências "que com ele foi possível construir", destacando ainda o seu percurso de resistência à ditadura.

Sampaio. Esquerda lembra capacidade de diálogo e convergências políticas
Notícias ao Minuto

18:13 - 15/09/21 por Lusa

Política Óbito/Sampaio

Na sessão evocativa de Jorge Sampaio que decorreu esta quarta-feira na Assembleia da República, Pedro Filipe Soares (BE) enalteceu "a vida de quem se dedicou por inteiro às grandes causas públicas", lembrando o estudante "que protagonizou um papel maior na crise estudantil de 1962 e na contestação ao regime" ou o "advogado antifascista que se destacou na defesa de presos políticos no Tribunal Plenário de Lisboa no período da ditadura (...)".

"Sabemos como foi possível dialogar à esquerda, criando pontes, cultivando o respeito e vencendo a desconfiança. Lisboa foi o palco dessa nova vida da política portuguesa e testemunha do que significou na melhoria da vida das populações em matérias fundamentais como o direito à habitação na erradicação das barracas", vincou.

O BE referiu ainda várias causas às quais o ex-chefe de Estado dedicou a sua vida, como a independência de Timor-Leste ou a rejeição da intervenção militar no Iraque, destacando-os como alguns dos "exemplos e notas de uma vida exemplar" e de "uma forma de fazer política com ética e elevação(...)".

Pelo PCP, o líder parlamentar João Oliveira fez questão de sublinhar o "percurso democrático e de resistência e combate ao fascismo" de Sampaio, destacando a defesa de "numerosos antifascistas nos tribunais plenários durante a ditadura, papel assumido com coragem e genuína dedicação", bem como a defesa pela autodeterminação de Timor ou dos refugiados.

"Não esquecendo as divergências que a História já se encarregou de assinalar face ao posicionamento assumido pelo dr. Jorge Sampaio em vários momentos do seu percurso, o PCP quer hoje sobretudo assinalar, valorizando-as, as convergências que com ele foi possível construir, a bem dos trabalhadores e do povo que dela beneficiaram", sublinhou.

José Luís Ferreira, do PEV, destacou também Sampaio como um "corajoso antifascista", lembrando que 'Os Verdes', apoiaram a sua candidatura à Presidência da República em 1996 e foram "parte integrante da coligação autárquica 'Por Lisboa'", em 1989.

O deputado recuou aos finais da década de oitenta, durante o processo de construção dessa coligação: "Desse tempo, recordo o homem pragmático que soube entender a importância, da união necessária à prática de novas políticas para uma nova Lisboa, aberta a todas e a todos, uma nova cidade, onde, em conjunto fizemos um extraordinário trabalho", lembrou.

"Um político, um estadista humanista, sensível, vertical, corajoso, simples e sem vaidades", sublinhou.

Ao contrário do que estava previsto, a porta-voz do Pessoas-Animais-Natureza (PAN), Inês Sousa Real, não pôde estar presente na sessão, tendo ficado "retida noutro compromisso no parlamento", disse à Lusa fonte oficial do partido.

"As divergências que o PAN tem relativamente à sua posição na tauromaquia são conhecidas, mas hoje evocaremos, a partir de então, tudo o que nos une", começou por dizer a líder parlamentar do PAN, Bebiana Cunha, afirmando que "Portugal ficou mais pobre com a partida de Jorge Sampaio".

Referindo que Sampaio "não teve medo de estar do lado certo da História e desde o início da sua carreira defendeu os perseguidos da ditadura (...)", Bebiana Cunha disse também que o ex-Presidente "incidiu sempre bem mais no investimento em políticas sociais em vez do foco no défice".

"O PAN dará entrada de uma iniciativa para promover um dos seus últimos projetos, recomendando ao Governo que todas as instituições de ensino superior em Portugal possam trabalhar de forma concertada no 'Yes Fund' [Youth Education Solidarity Fund] com o objetivo que Sampaio também almejava", anunciou, numa referência a uma das iniciativas nas quais o ex-Presidente estava envolvido, de apoio a estudantes refugiados.

A deputada não inscrita Cristina Rodrigues (ex-PAN), referiu que Sampaio "deu muito mais do que alguma vez possa ter recebido", agradecendo-lhe "tudo o que deu à causa pública" e a luta pela igualdade e integração.

"Aprendemos com Jorge Sampaio a expor a vulnerabilidade como uma proposta política de mudança, de força combativa e de autenticidade. Para Jorge Sampaio toda a gente tinha um lugar em Portugal, independentemente das suas origens, independentemente de quem eventualmente eles fossem", referiu a deputada Joacine Katar Moreira (ex-Livre).

Jorge Sampaio, antigo secretário-geral do PS (1989/1992) e Presidente da República (1996/2006), morreu na sexta-feira, aos 81 anos, no Hospital de Santa Cruz, em Carnaxide, Oeiras, onde estava internado desde 27 de agosto, na sequência de dificuldades respiratórias.

Leia Também: "Não há portugueses dispensáveis", Sampaio evocado na Assembleia

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