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Votar contra reforma das Forças Armadas seria "contradição muito grande"

O presidente do PSD, Rui Rio, afirmou hoje que seria uma "contradição muito grande" votar contra a reforma das Forças Armadas, defendida pelo partido "há anos", só porque foi apresentada pelo Partido Socialista (PS).

Votar contra reforma das Forças Armadas seria "contradição muito grande"
Notícias ao Minuto

13:46 - 17/05/21 por Lusa

Política PSD

"Seria uma contradição muito grande do PSD dizer assim: nós há tantos anos que defendemos uma reforma neste sentido e agora porque ela é apresentada pelo Partido Socialista contradizemo-nos a nós mesmos e vamos votar contra só porque é do Partido Socialista, só porque não é do nosso governo", defendeu, em declarações aos jornalistas, no Porto, onde visitou o Museu do Holocausto.

No domingo, o ex-Presidente da República Cavaco Silva considerou "um erro grave" a reforma das Forças Armadas que o ministro da Defesa pretende fazer, afirmando que é "um equívoco a tempo de ser corrigido", e que "seria chocante ver deputados social-democratas seguirem esse caminho".

Declarando o seu respeito pelo ex-chefe de Estado cuja experiência destacou, o social-democrata sublinhou o que está em causa é uma matéria que consta dos programas do PSD "desde o tempo do Durão Barroso" que já apontava para a necessidade de uma reforma com "mais ou menos" estes parâmetros.

"Não tem de ser exatamente assim, nem ninguém está a dizer que a forma como ela vai entrar no Parlamento é exatamente a forma como ela vai sair e poderá, na especialidade, naturalmente, sofrer alterações. Mas aquilo que é a linha de fundo é algo que esteve nos programas de Durão barroso, de Santana Lopes até, nos programas de Passos Coelho e que nós procuramos sempre levar a cabo", observou.

Para Rio esta é, por isso, uma questão de coerência, sob pena de amanhã ser o PSD a tentar fazer uma reforma e o PS a votar contra porque foi apresentada pelos sociais-democratas.

"Assim o país não anda para a frente", disse.

O líder do PSD reconheceu, contudo, que a contestação encabeçada por ex-chefes de Estado-Maior, é algo a ter em conta no debate na especialidade.

"Não vamos ignorar. São tudo pessoas altamente respeitáveis, pessoas que conhecem bem as forças armadas, apesar de estarem já retiradas do ativo e isso naturalmente tem de ser tido em conta. Nós temos de ponderar tudo aquilo que os chefes militares dizem, a começar deste logo pelo general Ramalho Eanes, por quem eu tenho imenso respeito", disse, sublinhando, contudo, que a linha de fundo é algo pelo qual o PSD e ele próprio sempre se bateu, nomeadamente no programa de Governo que apresentou nas eleições de 2019.

A reforma das Forças Armadas estar a ser contestada por ex-chefes de Estado Maior dos três ramos, 28 dos quais - incluindo o ex-Presidente Ramalho Eanes - assinaram uma carta a criticá-la e a pedir um debate alargado à sociedade civil.

O ministro da Defesa, que em março classificou as resistências dos militares na reforma como "interesses corporativos", criticou no início da semana passada o que considera serem "manobras escusas" de "uma agremiação de antigos chefes militares" que tenta "perpetuar a influência" no setor.

Já o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, enquadrou a contestação dos antigos chefes militares como parte de "um amplo debate, como é próprio em democracia e salutar em democracia".

Em meados de março, o PSD apresentou um documento com propostas para a reforma das Forças Armadas, entre as quais a necessidade de maior investimento, mas também a constituição do chefe de Estado Maior General das Forças Armadas como "chefe do Estado-Maior de Defesa", passando os chefes dos outros ramos (Exército, Marinha e Força Aérea) para a sua "efetiva dependência direta", em termos operacionais.

Nessa conferência de imprensa, o coordenador do Conselho Estratégico Nacional (CNE) social-democrata para a Defesa, Ângelo Correia, admitiu que o conceito de PS e PSD para o setor "é o mesmo", o que considerou "muito bom", e disse já ter tido contactos com o ministro João Gomes Cravinho sobre estas matérias.

Leia Também: "Não posso olhar para cada opinião e achar que é uma crítica"

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