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"Sou uma social-democrata, não na mesma graduação" que Marcelo ou Costa

Marisa Matias esteve esta noite de segunda-feira em entrevista na TVI24, onde sublinhou as suas diferenças para com Ana Gomes e para com Marcelo Rebelo de Sousa. A candidata presidencial descreveu-se, ainda, como uma social-democrata.

"Sou uma social-democrata, não na mesma graduação" que Marcelo ou Costa

Marisa Matias, eurodeputada e dirigente do Bloco de Esquerda, disse esta segunda-feira, na antena da TVI24, que é uma social-democrata, diluindo a sua aceção num espetro de graduação. "Eu sou uma social-democrata", disse, indicando, pouco depois, que se refere à "base da social-democracia, que é uma base de Esquerda".

"Haverá diferentes graduações, eu não sou uma social-democrata na mesma graduação que Marcelo Rebelo de Sousa ou até mesmo, se calhar, que o Primeiro-Ministro de Portugal, (...) mas isso não significa que a social-democracia seja um apanágio do Centro", acrescentou.

A candidata defendeu que a social-democracia é um apanágio da "boa tradição da Esquerda", mas que se "foi perdendo" porque, "infelizmente, houve muitas cedências da social-democracia ao longo dos últimos anos".

Marisa Matias acredita que essas "cedências", que atribuiu a interesses instalados e a acordos "no quadro dos chamados blocos centrais", foi o que colocou o país "numa situação de desproteção social".

Quando questionada por Miguel Sousa Tavares, que dirigiu a entrevista, sobre as suas diferenças para com a candidata Ana Gomes, a candidata presidencial apoiada pelos bloquistas começou por assumir que é "amiga" da antiga eurodeputada. "Trabalhei com ela em muitas questões", disse, elencando dossiês como evasão fiscal, fraude ou corrupção, temas que "seguramente" tem em comum com a jurista.

"Há muitas diferenças", elaborou Marisa Matias. "Temos um entendimento diferente, por exemplo, em relação àquilo que é preciso fazer neste momento em termos de defesa dos serviços públicos, da própria democracia", explicou, referindo ainda diferenças no que diz respeito à política europeia e à política orçamental.

Confrontada com alguns elogios dirigidos ao atual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a candidata salientou que também aí existem diferenças, tendo escolhido como a mais premente a posição do chefe de Estado em relação ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) e ao Novo Banco.

"Não podemos ter nenhuma política que não seja defender o SNS", disse, recordando as palavras de António Arnaut, quando disse que era "preciso salvar" o sistema público de saúde que ajudou a criar. "Recentemente tivemos uma oportunidade excelente, com a nova Lei de Bases da Saúde, de pôr um pouco em prática aquilo que António Arnaut e João Semedo defenderam e, na verdade, acabamos por concluir esta nova Lei de Bases da Saúde com um grande peso dos privados", afirmou, acusando Marcelo Rebelo de Sousa de utilizar "a sua posição e o seu papel para insistir na manutenção dos privados".

"Não me esqueço que quando a pandemia começou foram os privados os primeiros a fechar as portas, foram os privados que não continuaram com os acordos que tinham com o serviço público, foram os privados que recusaram mulheres grávidas contaminadas com Covid-19", acusou a eurodeputada de 44 anos de idade, ressalvando que, durante uma pandemia, "é preciso recorrer a toda a capacidade instalada".

"O comando deve estar no SNS mas é preciso recorrer a toda a capacidade instalada", acrescentou, criticando o sistemático desinvestimento no SNS, situação que levou que hoje existam algumas centenas de médicos a menos do que aqueles que existiam no início da pandemia.

A candidata comentou, ainda, a questão do Novo Banco, depois de desafiada a diferenciar a sua posição da posição do atual Presidente da República. "Já há cinco anos tínhamos uma posição radicalmente oposta em relação ao Banif", começou por dizer, indicando que a sua posição em relação a este tema é a seguinte: "Temos um contrato entre duas partes, uma parte está a cumprir esse contrato, que é o Estado, e a outra parte não temos a certeza se está a cumprir se não".

Marisa Matias acrescentou que é "preciso que haja um auditoria a uma parte que não foi auditada ainda, na parte do cumprimento das normas contratuais do Novo Banco com o Estado". A candidata sublinhou os negócios "ruinosos" do Novo Banco, dando ênfase à venda da seguradora Fidelidade ao grupo Apolo, que revendeu a seguradora com um lucro de mais de 500 milhões de euros.

Foi levantada também a questão da Zona Franca da Madeira, que a candidata definiu como "um exemplo de porque é que não devem existir offshores". "O que a Comissão Europeia agora veio tornar público não é nada que, para mim, seja grande surpresa e, desse ponto de vista, acho que é um exemplo porque não devem existir offshores".

Marisa Matias disse não compreender a existência das offshores e afirmou que esse facto "faz aumentar de forma exponencial o PIB da região e retira à Madeira a possibilidade de receber fundos comunitários que receberia".

A Zona Franca da Madeira, referiu, segue "a lógica dos offshores, que é a logica da proteção, é a lógica de esconder, de permitir que muitas empresas, normalmente as grandes, fujam às suas obrigações de pagar os seus impostos".

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