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"Médicos que tenham uma posição de fanatismo é muitíssimo preocupante"

Francisco Louçã comentou, esta sexta-feira, os movimentos negacionistas da Covid-19.

"Médicos que tenham uma posição de fanatismo é muitíssimo preocupante"

Francisco Louçã analisou, esta sexta-feira, no seu espaço de comentário político habitual na SIC Notícias, os movimentos negacionistas da Covid-19 que surgiram, essencialmente, durante a segunda vaga da pandemia.

O comentador começou a sua intervenção sobre o tema por recordar que não é só em Portugal que este tipo de movimentos, como o 'Médicos Pela Verdade' e 'Jornalistas Pela Verdade' existem.

"Este tipo de movimentos é um pouco a ala Trump que surge na Europa. Dos ‘Médicos Pela Verdade’ conhece-se algumas caras, já dos ‘Jornalistas Pela Verdade’ não se conhece ninguém, não se sabe quem são, portanto, são uma espécie de empossados de tudo isto. Mas quanto aos 'Médicos Pela Verdade' soube-se de uma anestesiologista e de médico radiologista de um outro hospital e mais uma ou outra pessoa que aparecem em público incentivando a que não haja uso de máscaras e incentivando até a que as pessoas adotem métodos ou técnicas para enganar os testes e, portanto, se tiverem Covid não mostrarem nos testes que têm", lembrou, acrescentando que este tipo de comportamentos são um perigo para a sociedade.

"Isto é de uma enorme irresponsabilidade. É mesmo na borda do incentivo à delinquência e pôr em perigo a saúde das outras pessoas. Alguns médicos, muito poucos, totalmente contrários ao sentido da profissão - que é de uma enorme generosidade, tal como de outros profissionais de saúde -, se atrevam a ter uma posição deste tipo por qualquer razão misteriosa, de qualquer fanatismo. É muitíssimo preocupante", defendeu Louçã.

Apesar do cansaço que a sociedade tem demonstrado, nos últimos meses, da pandemia e das medidas adotadas pelo Governo para evitar a propagação desmesurada do vírus, o Conselheiro de Estado recusa que este tipo de movimentos tenha surgido como consequência disso.

"Não creio que isto seja um sintoma do desgaste social e do cansaço, porque esse cansaço é muito generalizado. Queremos nos ver livres disso, esperamos que a vacina resulte - e vamos ver, os sinais são muito contraditórios, muito cuidado, vai demorar muito tempo -, mas esta é uma forma de instrumentalização política, o que é lamentável", atirou Louçã.

Um dos exemplos deste "jogo político", lembrou o fundador do Bloco de Esquerda, foi a participação do Chega numa manifestação contra as medidas sanitárias e, posteriormente, a marcação (e desmarcação) da reunião do conselho nacional deste partido.

"Já vimos uma manifestação, aquele em que teve o presidente do Chega, que era uma manifestação contra as medidas sanitárias e, portanto, para tentar incentivar as pessoas a não se ajudarem umas às outras com medidas sanitárias que protegem toda a gente", salientou, acrescentando que "o caso de André Ventura convocar uma reunião do conselho nacional do seu partido, para logo a desconvocar a seguir, era um pretexto para tentar atacar, por razões sanitárias, o congresso do PCP, quando ele próprio participa numa manifestação contra medidas sanitárias".

Recorde-se que o Chega anunciou, nas redes sociais, que o Conselho Nacional do partido iria realizar-se, no próximo fim de semana, no auditório dos Bombeiros de Sintra. Ao saberem deste anúncio, rapidamente, a corporação desmentiu qualquer contacto. Entretanto, André Ventura desmarcou a reunião, justificando com as restrições da pandemia.

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