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RTP, Sandra Felgueiras, o polémico lítio e as interferências políticas?

Diretora de informação da RTP garante que "jamais toleraria" interferências políticas na transmissão do 'Sexta às 9'. Já Sandra Felgueiras, que diz que teria sido possível emitir a reportagem sobre o lítio em setembro, prefere não comentar.

RTP, Sandra Felgueiras, o polémico lítio e as interferências políticas?

Maria Flor Pedroso, diretora de informação da RTP, rejeitou esta terça-feira no Parlamento interferências do Governo na transmissão do ‘Sexta às 9’ sobre o negócio do lítio. “Interferência do Governo seria coisa que jamais toleraria”, disse, justificando o adiamento do episódio com a programação eleitoral.

“Trabalho em jornalismo há 26 anos. Isto são as chamadas pressões. O jornalismo político é um jornalismo em que nós somos pressionados constantemente por fontes várias. Interferência? Seria coisa que eu jamais toleraria. Eu e a equipa que dirijo", afirmou a jornalista da RTP em resposta ao deputado do PS José Magalhães, numa audição parlamentar na comissão de Cultura e Comunicação.

O deputado socialista tinha pedido à diretora de informação da RTP para "clarificar" se tinha sofrido interferências por parte de alguém do Governo, algo que Maria Flor Pedroso disse poder até ser "quase insultuoso".

"Nenhum de nós tem algum currículo que possa alguém pensar que nós seríamos permeáveis a alguma interferência de seja de que governo for. Deste, de anteriores... Eu já passei por vários primeiros-ministros, por vários Presidentes da República, eu e a minha equipa, portanto seria intolerável que tal acontecesse", completou.

Maria Flor Pedroso reiterou que a emissão foi adiada por causa da cobertura jornalística da campanha eleitoral, dizendo que "a interrupção do programa não teve que ver com nenhuma notícia que o programa estivesse a investigar".

"A decisão prioritária que nós tomámos e que eu tomei foi de fazer uma cobertura das últimas legislativas de uma forma plena e até, por vezes, exaustiva", garantiu a diretora de informação da RTP. Para isso, "foi preciso sacrificar alguns formatos", como por exemplo os programas 'Prós e Contras', 'Grande Entrevista', 'Tudo é Economia', duas emissões de 'Linha da Frente' e também o 'Sexta às 9'.

"Porquê? Porque na nossa programação o 'Sexta às 9' ficaria apenas com uma emissão possível durante o mês de setembro, e isto foi comunicado no dia 23 de agosto" a Sandra Felgueiras, coordenadora do programa, numa reunião que contou também com a presença de Cândida Pinto (diretora-adjunta), responsável da direção pelo programa.

"Era possível" emitir programa a 13 de setembro, diz jornalista

A audição de Maria Flor Pedroso seguiu-se à da jornalista Sandra Felgueiras, que disse que "era possível" ter emitido o programa 'Sexta às 9' em 13 de setembro com o tema do lítio.

"Se me perguntam diretamente se era possível fazer o programa 'Sexta às 9' durante o mês de setembro, a minha resposta é 'sim, era possível com o lítio'", disse Sandra Felgueiras.

Sobre interferências políticas, a jornalista da RTP que coordena o 'Sexta às 9' preferiu não comentar, dizendo que na sua intervenção se referiria apenas a factos e não a "interpretações ou motivações", cuja competência de esclarecimento atribuiu à direção de informação.

"Quanto a interferências políticas, naturalmente que não vou comentar. Vou dizer-lhe que a primeira reunião que eu tive com esta direção de informação, em novembro de 2018, comuniquei que precisava de seis repórteres e foi-me dito que aguardasse pela chegada de Cândida Pinto [atual diretora-adjunta da RTP]",afirmou a jornalista. 

Falta de recursos. Felgueiras culpa RTP

Segundo Sandra Felgueiras, após a chegada da Cândida Pinto à estação pública, teve mais uma reunião com a direção de informação, na qual lhe foi comunicado um prazo de dois meses para o reforço da equipa, o que não aconteceu.

"Em junho, com uma equipa esgotadíssima pelo trabalho, a diretora-adjunta perguntou a todos como se sentiam e alguns começaram a chorar. A diretora-adjunta não perguntou como me sentia, mas se perguntar quem fez o 'Sexta às 9' e chamar todos os repórteres, todos responderão que fui eu", acrescentou.

A jornalista disse ainda que, atualmente, o programa conta com quatro repórteres, maioritariamente, jovens, que não recebem salários correspondentes ao trabalho que exercem, sublinhando que "entregar o jornalismo de investigação a jornalistas que não estão preparados", obriga-a a um esforço "que não é digno para o serviço público de informação".

Sandra Felgueiras garantiu também que apresentou soluções à direção da RTP, vincando que "não é digno" ter jornalistas a ganhar o mesmo que caixas de supermercado.

Sobre a escassez de meios, Maria Flor Pedroso lembrou que, "infelizmente", não é apenas um problema do 'Sexta às 9', avançando que recentemente foi homologada pelo Governo a entrada de 50 precários da estação.

Também ouvido no Parlamento, o presidente do Conselho de Administração da RTP garantiu que tem "toda a confiança" na direção de informação da estação pública, bem como na coordenadora do 'Sexta às 9', Sandra Felgueiras.

Em 30 de outubro, a RTP-TV esclareceu que a reportagem sobre o lítio só ficou pronta "horas antes" da sua divulgação, rejeitando a utilização deste caso como "arma de arremesso político-partidário".

"A Direção de Informação da RTP-TV jamais tolerará ser utilizada como arma de arremesso político-partidário seja por quem for", sublinha-se na nota assinada pela diretora de informação, Maria Flor Pedroso, e por todos os elementos da sua equipa.A nota acrescenta que "a informação da RTP não guarda notícias na gaveta em caso algum".

A investigação em causa, emitida no âmbito do programa 'Sexta às 9' na RTP, contou com o depoimento do antigo presidente da Câmara do Porto, Nuno Cardoso, que disse ter avisado, em reunião, o ministro do Ambiente, Matos Fernandes, e o secretário de Estado João Galamba das alegadas ilegalidades decorrentes da concessão da exploração de lítio a uma empresa que tinha sido recentemente criada.

Dois dias após o encontro, João Galamba assinou o contrato para a construção da refinaria de lítio, um negócio, segundo a investigação de Sandra Felgueiras, avaliado em, pelo menos, 350 milhões de euros. Paralelamente, o episódio do 'Sexta às 9' avançou ainda que o antigo secretário de Estado Jorge Costa Oliveira estava também ligado ao negócio, como consultor financeiro.

De referir que o ministro do Ambiente tem vindo a defender que o negócio da exploração do lítio em Montalegre é "absolutamente cristalino" e que é para avançar. "Teremos o maior gosto em estar no Parlamento, em lembrar a lei a quem a fez e perceber que tudo aquilo que foi feito é cristalino", referiu em meados de novembro.

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