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As farpas entre PS e PSD e as sondagens marcaram último debate

Realizou-se esta segunda-feira o último debate antes das eleições europeias, que ficou marcado pela troca de farpas entre PS e PSD. Um debate que, de resto, não passou à margem da análise da situação de Portugal depois de mais de 30 anos de integração europeia.

As farpas entre PS e PSD e as sondagens marcaram último debate

O último debate televisivo com vista às eleições europeias juntou, 'à mesa', Pedro Marques (PS), Paulo Rangel (PSD), João Ferreira (CDU), Marisa Matias (Bloco de Esquerda) e Nuno Melo (CDS) - os candidatos dos partidos com assento no Parlamento Europeu. 

O debate, transmitido pela RTP, ocorreu depois de terem sido divulgadas as últimas sondagens que apontam o pior resultado do PSD. Questionado relativamente a esta estimativa, Rangel foi perentório ao afirmar que, no dia 26 de maio, na altura em que os portugueses são chamados às urnas, espera um valor "claramente acima" dos 26% das intenções de voto. 

De resto, este foi um debate marcado pela troca de farpas entre Paulo Rangel e Pedro Marques, tendo mesmo o social-democrata acusado o candidato socialista de ter "um problema de credibilidade". 

Ao longo de duas horas de debate, os candidatos que representam os partidos com assento parlamentar traçaram ainda um retrato da integração portuguesa na União Europeia que leva já mais de 30 anos. 

Nuno Melo

É a terceira vez que se candidata. É um alívio não estar coligado com o PSD?

A obrigação de um partido é ir a votos e tentar, por si, o melhor que seja possível, sem prejuízo de em alguns momentos, as candidaturas serem apresentadas em coligação. Não se trata de alívio, trata-se de afirmação de orgulho por poder ser cabeça de lista do meu partido. 

Pedro Marques

Entre tantos elogios, porque é que o PS não pretende reconduzir Carlos Moedas?

Essa questão não se coloca. A única candidatura que está em causa no que respeita à Comissão Europeia é a eleição do presidente. 

Paulo Rangel

É uma vantagem não estar coligado com o CDS?

Há um tempo para tudo. Em 2014, entendeu-se optar por uma candidatura em coligação. Agora, ganha o PSD e o CDS em fazerem as suas candidaturas de forma separada. São coisas naturais. 

João Ferreira

É a terceira campanha. O facto de o PCP e Os Verdes terem viabilizado o Governo de PS é uma vantagem ou desvantagem?

Vai ficando claro o papel do PCP e dos Verdes em abrir caminho a uma nova fase na vida política nacional. Há três anos e meio, dois partidos deixaram o país num estado de devastação, mas na noite da eleições faziam a festa, pensado que continuariam mais quatro anos no Governo. O facto de poder ter sido possível interromper esse caminho pesará positivamente nestas eleições. 

Marisa Matias

O facto de o Bloco de Esquerda ter viabilizado o Governo minoritário do PS é benéfico ou não para estas europeias?

As pessoas entendem que viabilizar este Governo permitiu quebrar o ciclo de empobrecimento que estávamos a viver. Isso é o fundamental. O país estava numa situação de destruição económica e social e era preciso coragem. As pessoas percebem que os acordos foram feitos com objetivos específicos como o aumento das pensões. O papel que o Bloco de Esquerda teve foi determinante e as pessoas percebem o que se está a passar. 

Integração europeia de Portugal já leva mais de 30 anos. A seis dias do voto para as europeias, o que consideram que foi mais positivo neste período?

Paulo Rangel 

Sublinho o desenvolvimento do país durante este período. Há um país antes da UE e outro depois da UE. Deve destacar-se também desenvolvimento na área da saúde e da formação. Há igualmente um papel positivo no reforço de Portugal enquanto país, enquanto Estado, e tem hoje um relevo que não teria se não estivesse na UE. 

João Ferreira

Este processo [integração na UE] não é o único possível. Este processo, com estas características, tem aspetos positivos e os negativos. É positivo que possa haver uma liberdade de circulação, mas ela não resulta necessariamente da UE. É positiva a mobilidade de estudantes, a maior aproximação entre Estados, mas é preciso analisar o tipo de relações que são de benefício para uns à custa do prejuízo de outros. 

Marisa Matias

Para além da livre circulação de pessoas, destaco as questões ambientais. Deparámo-nos é com uma situação em que a UE estava à frente e neste momento os tratados europeus já não chegam para cumprir o acordo do Paris em relação ao combate às alterações climáticas. Necessitamos de cooperação europeia que já está aquém. 

Nuno Melo

Destacaria, desde o processo criador da UE, a paz. A nossa geração é a primeira que foi poupada a uma guerra. Depois, a questão social, cerca de 6% da população mundial é responsável por 50% das despesas sociais do planeta. Estes valores mostram bem o alcance de proteção social e vantagem para os povos europeus que atingimos. Depois, o facto de Portugal poder integrar a primeira economia à escola global. Destaco também a livre circulação de pessoas. Nós somos hoje obreiros de um projeto que consegue ser exemplo e transformou diferenças em sinergias. 

Pedro Marques

A integração na UE corre em paralelo com a consolidação da democracia. Esse processo e o bem-estar que gerámos para a nossa sociedade determinou uma grande alteração. Destaco a evolução na igualdade de género, embora ainda haja caminho para percorrer. Evolução também notável na aposta na escola pública, no Serviço Nacional de Saúde, a redução da pobreza dos idosos, o acesso a oportunidades básicas como a água e o saneamento. 

E quanto aos aspetos negativos que decorrem da integração europeia? 

Pedro Marques 

A forma como a Europa respondeu à crise financeira e das dívidas soberanas já vinha desde a criação do euro e provocou desigualdades dentro dos estados-membros. Precisamos de retomar um processo de convergência. 

Paulo Rangel

Acho que há várias coisas negativas. Na área do mar, no setor pesqueiro, houve perdas que ainda não foram recuperadas. Outro aspeto, e mais importante, é o da Zona Euro, há aqui também responsabilidade de Portugal. Há muito a fazer na questão monetária. 

Maria Matias

O euro constitui-se como um elemento de desagregação e de cada vez maior desequilíbrio entre os países da UE. Como disse António Costa, e eu concordo, o euro foi o maior bónus que a UE deu à Alemanha. 

A UE transformou-se numa espécie de paraíso para uma política fiscal completamente injusta; uma espécie de câmara oculta onde tudo pode ser feito. Depois as pessoas admiram-se que temos 'Berardos', ou 'Ricardos Salgados'; este é um esquema que põe a União Europeia ao serviço da elite financeira e não ao serviço das pessoas e das suas dificuldades como deveria estar. Destaco ainda a vergonha em relação aos refugiados. Não houve uma resposta humanitária por parte da UE, que permitiu que o Mediterrâneo se transformasse no maior cemitério a céu aberto. 

Nuno Melo

A UE não aprendeu nada com os referendos que, na Holanda e na França, rejeitaram o tratado constitucional. Vemos o António Costa e o Pedro Marques a quererem impor uma agenda que é de fim do direito de veto a Portugal e de criar impostos. 

Sobre o euro, aconteceu com António Costa era ministro de Guterres e quando no CDS lançávamos reparos em relação à divergência, fomos acusados de eurocéticos. Hoje, Costa diz que o euro foi um grande frete feito aos alemães. 

Marisa Matias em resposta a Nuno Melo

A posição do BE em relação ao euro não mudou. Dizemos que se tivermos de escolher entre a moeda e as pessoas, escolheremos as pessoas. O Governo do PSD e do CDS sempre puseram as imposições da UE à frente das pessoas. 

Paulo Rangel em resposta a Pedro Marques

Pedro Marques é o recordista das manipulações. No polígrafo já foi desmentido seis vezes. Não há nenhum programa securitário. Pedro Marques, há um problema de credibilidade nas suas afirmações. 

João Ferreira

Fundamentalmente, foi o impacto que a integração teve nos setores produtivos nacionais. Aliás, essa é a causa em grande medida da dependência económica. Há um défice agroalimentar que andará na casa dos 3 mil milhões de euros/ano. Houve impacto na frota pesqueira, na indústria, devido aos acordos que foram feitos. O contributo da indústria para a riqueza financeira é hoje inferior a metade do que era em termos de percentagem do PIB aquando da adesão. Quem não produz o que consome torna-se dependente do exterior. 

Últimas sondagens

Marisa Matias

Tem 9% das intenções de voto. Era o que esperava?

Não desvalorizo as sondagens, mas dou valor ao voto das pessoas. A campanha do Bloco está a crescer. Nós não somos donos dos votos das pessoas. Se as pessoas entendem que o trabalho que fizemos mudou as suas vidas, isso refletir-se-á nas eleições. 

Nuno Melo

Tem 8% nas sondagens. É o que espera?

Nós não nos iludimos quando as sondagens são boas e não deprimimos quando são más. Somos a prova viva que as sondagens se enganam. Esta sondagem mostra um empate técnico entre o PCP, o Bloco e o CDS porque há uma margem de erro de 3%. 

João Ferreira

Com 8%, o PCP elege dois eurodeputados e tem três neste momento. 

Nós somos construtores de um resultado que se há-de construir no dia 26 e apenas no dia 26. O que vai pesar é o reconhecimento de quem aponta caminhos. Temos confiança na campanha da CDU. Importa é eleger os 21 deputados do Parlamento Europeu. 

Pedro Marques

33% das intenções de voto. 

Estamos confiantes na campanha que estamos a fazer. A única sondagem que para nós importa é a do dia 26 de maio. Recusámos uma campanha negativa. 

Paulo Rangel

26% das intenções de voto para o PSD. É o que espera?

O que espero é claramente acima disso. Relativamente às sondagens, temos sempre o mesmo discurso e a mesma atitude, de relativizar. O que sentimos na campanha é que há confiança grande no PSD. 

É possível que Portugal não tenha um corte de 7% nos fundos de coesão?

Pedro Marques

Temos de repor a verdade de quem disse que era uma boa proposta e um bom ponto de partida. Foi factualmente Carlos Moedas, mandatário do PSD, que disse e a proposta não foi aceite pelo Governo. Portugal tem um aumento em termos nominais que excede largamente o acordo estabelecido entre o Governo e o PSD, passámos de 22,1 mil milhões de euros para 23,8 mil milhões de euros. Há um aumento nominal. Acho de hipocrisia política que Rangel venha aqui falar em vetos de propostas quando assinou há sete anos um acordo que fazia um corte de 10% nos fundos. 

Paulo Rangel

Há aqui um problema de credibilidade. O acordo não diz isso, fala desse valor para um pacote global. Aliás, Pedro Marques recebeu uma carta de Castro Almeida a dizer que não podia aceitar os cortes que estavam a ser feitos. 

Nuno Melo

Os parlamentos existem para que os governos não possam tributar os povos sem autorização e sem mandato. Como é possível Centeno comprometer-se com a criação de impostos europeus, sem autorização da Assembleia, sem mandato, e estes impostos não vão onerar da mesma forma as empresas. Acho um crime de lesa prática. 

Marisa Matias

Apoio a solução governativa mas não se pode misturar as coisas. Há um apoio sobre determinadas áreas em que discordamos. A convergência não é amiga da identidade. É o terceiro corte consecutivo se se confirmar. Esses cortes vão efetuar-se dependendo dos eurodeputados que se vão eleger. Precisamos de reforçar os fundos estruturais. Acredito que o próximo Parlamento, se tiver maioria de pessoas que quer defender a coesão, terá um papel importante aí a dizer. 

João Ferreira

Tivemos um envelope financeiro que não foi suficiente para controlar os impactos negativos e Portugal divergiu da média neste período. A haver corte seria o terceiro. Já se sabe que a Comissão Europeia lança uma proposta muito má, mas nunca é essa que fica. Fica uma má, mas não tão má. Quem a aceita vai dizer que podia ter sido pior. Para Portugal não é aceitável que nos situemos no ponto em que estamos. A ausência de corte trouxe-nos divergência face a outros países. 

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