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"Somos radicais, sim. Queremos ir à raiz do problema, além da rama"

O cabeça de lista do Movimento Alternativa Socialista (MAS) é o entrevistado de hoje do Vozes ao Minuto.

"Somos radicais, sim. Queremos ir à raiz do problema, além da rama"
Notícias ao Minuto

09:40 - 22/05/19 por Melissa Lopes 

Política Vasco Santos

Vasco Santos tem 46 anos e é, "a tempo inteiro", trabalhador, político, dirigente sindical, dirigente associativo, e agora, cabeça de lista pelo MAS às eleições europeias de 26 de maio. Defende uma Europa sem muros, sem austeridade, em que todos ganhem um mínimo de 900 euros. Acredita que a principal batalha a travar é o combate ao capitalismo - "antes que ele acabe connosco"-  e à ascensão da extrema-direita.

Para o MAS, a Europa tem que receber "de braços abertos" todos quanto nos procurarem, até porque, aponta, os europeus também têm responsabilidade nas guerras das quais os refugiados fogem. 

Tem plena da consciência da dificuldade que é combater os interesses instalados, mas promete, caso seja eleito, defender na UE, "com unhas e dentes", os interesses dos trabalhadores, dos homens e das mulheres, negros e negras, ciganos e ciganas e migrantes. 

Na política nacional, críticas não faltam aos partidos que formam a Geringonça. PS governa "da mesma maneira que PSD", Bloco e PCP são "incongruentes", criticam, mas depois aprovam orçamentos que contrariam essas mesmas críticas. Vasco Santos aponta ainda a mesma crítica ao PAN, lembrando que "não há capitalismo verde". 

Qual a medida mais urgente a ser tomada na União Europeia (UE)?

São várias, na realidade. Algumas delas são prementes por causa da questão da transição energética. De facto, por muito que a agente defenda – e vamos defender com certeza a criação de um salário mínimo europeu, pensões e reformas num valor mínimo europeu – a verdade é que se não tivermos uma mudança na forma como consumimos e produzimos energia não haverá um planeta sequer. A questão da transição energética é uma das medidas que achamos fundamental e a que temos de dar uma importância superior.

E que medidas propõe nesse sentido?

Propomos, por exemplo, a nacionalização das grandes indústrias energéticas, petrolífera, automóvel. Isto para investir numa total transição energética até 2035. Depois, propomos também a criação de milhões de empregos em setores ambientalmente sustentáveis; investimento em transportes coletivos públicos gratuitos. São algumas das medidas que temos. Além disso, achamos que é fundamental que deixemos de continuar a queimar combustíveis fósseis, não há razão nenhuma para se continuar a queimar combustíveis fósseis. E temos de começar a mudar alguns hábitos - por exemplo, na forma como nos deslocamos -, mas para isso é preciso, lá está, investimento público. Temos ainda de parar com a produção e consumo de carne que temos. Na verdade, temos de combater o atual sistema no qual vivemos. Temos de combater e acabar com o capitalismo antes que ele acabe connosco.

É preciso transformar a política que temos de défice zero numa política de violência zero

O MAS quer uma Europa anti-capitalista, anti-racista, anti-homofóbica e feminista. Que propostas têm para fazer vingar estes lemas?

Em relação à violência sobre as mulheres, achamos que é preciso que haja penas mais duras e efetivas. Aquilo que se vê é de facto um drama inqualificável. Ainda não vamos a meio do ano, e já temos 16 mulheres assassinadas por violência doméstica. Isto não pode continuar assim. É preciso transformar a política que temos de défice zero numa política de violência zero. Achamos que devemos apoiar a criação de casas de apoio às vítimas – não só às mulheres como a todas as vítimas de opressão, como negros e ciganos, etc. Achamos que deve ser criada uma rede europeia de deteção desses casos, de estudo, para depois tomar medidas concretas para resolver esses problemas.

Pretendemos também acabar com esta Europa fortaleza. Achamos que ninguém é ilegal. Achamos que se deve acabar com todos os campos de detenção, que na verdade são uma espécie de campos de concentração onde se mete as pessoas migrantes e refugiadas. É preciso mudar a forma como a Europa e quem nos governa (ou desgoverna) tem feito a política para todos estes oprimidos, tanto homens como mulheres, negros, negras, ciganos, ciganas, LGBT.

No fundo, uma Europa mais solidária.

Com toda a certeza defendemos uma Europa muito mais solidária, que defenda, de facto, os povos. Não acreditamos em fronteiras, devemos ter uma Europa sem muros e sem austeridade. Tem de ser uma Europa dos povos e não uma Europa do capital, que sirva os interesses de uma grande maioria e não apenas de uma minoria.

Notícias ao MinutoVasco Santos quer uma Europa sem muros e sem austeridade© DR

Propõe um salário mínimo europeu de 900 euros. Como é que chegou a esse valor?

É mais ou menos a média dos salários mínimos na Europa. Todos os países que têm um valor superior a isso, é para manter.

O valor dos 900 euros seria um limiar mínimo?

Exatamente. Para que ninguém fique abaixo desse valor. O salário mínimo que muitos países têm, entre os quais Portugal, não dá dignidade a ninguém. Para isso, é preciso algumas mudanças.

Aqueles que não poluem são aqueles que estão a pagar a fatura. Isto não pode continuar assim. Não pode, não deve, e a gente irá combater isso Que mudanças?

Quem andou aqui a fazer dinheiro à conta da desgraça dos outros e a poluir o ambiente também tem de pagar por isso. Propomos taxar as grandes fortunas em 60 %. Não será a única maneira. Para construir uma Europa diferente não podemos continuar a fazer o mesmo que fizemos até hoje: favorecer uma pequena maioria em detrimento da imensa maioria. Anda 99% da população a trabalhar para 1%. O mesmo com a poluição. Os maiores poluidores são a China, os EUA e a Europa mas quem está a pagar já a maior parte da fatura disso são os países mais pobres. Aqueles que não poluem são aqueles que estão a pagar a fatura. Isto não pode continuar assim. Não pode, não deve, e a gente irá combater isso.

Com a nova composição do Parlamento Europeu, depois do dia 26 de maio, irá haver a coragem necessária para alterar tão radicalmente o estado de coisas?

Se nos elegerem, vamos ter coragem para meter mãos à obra para que isso aconteça. Obviamente que isso vai depender também das pessoas. Queremos mobilizar as pessoas para serem atores da própria transformação. Nós lá iríamos defender isso com unhas e dentes. E sinceramente não me parece mais alguém o queira fazer. Lamentavelmente. Vou dar-lhe um exemplo: o PAN é um partido que se diz em defesa dos animais e da natureza, mas depois entra em contradições ao aprovar um Orçamento que tem o crescimento de plantação de eucaliptos. Quem defende o capitalismo não defende a natureza, não defende os animais e não defende as pessoas. Temos de ser consequentes com aquilo que defendemos. E a verdade é que o PAN não tem essa perspetiva. Por muito ecologistas e naturalistas que se digam, as medidas que eles defendem acabam por cair em contradição.

Mas concorda que o PAN, com apenas um deputado na Assembleia da República, já conseguiu alterar algumas coisas?

Sem dúvida. Muitas das propostas que o PAN fez, se nós estivéssemos lá subscrevíamos ou teríamos proposto nós. Como a questão das touradas e outras. Mas a verdade é que não podemos defender um sistema que é predador e destrói o meio ambiente e dizer, ao mesmo tempo, que defendemos o ambiente. Não há capitalismo verde, isso não existe.

Repare, eu trabalho há 25 anos num hospital do Estado, e recebo 635 euros, quando se diz que houve um virar da página da austeridade. Lamentavelmente, não se confirmaQue qualidades considera ter que os outros cabeças de lista não têm?

Com respeito a todos os partidos, acho que não há mais nenhuma candidatura que tente enfrentar o problema e não a tentar andar aqui a remediar o problema. Apresentamo-nos como uma candidatura anti-capitalista. As outras candidaturas, todas elas, mantêm o regime, mesmo aquelas que se dizem anti-capitalistas. Por exemplo, o Bloco e o PCP. Criticam mas depois não são consequentes com essa mesma crítica e acabam por aprovar esses orçamentos que, ao fim ao cabo, dão milhares de milhões para banqueiros e PPP e, depois, para quem trabalha não há nada. Esta é que é a realidade. Ou então, uma ínfima parte.

Repare, eu trabalho há 25 anos num hospital do Estado, e recebo 635 euros, quando se diz que houve um virar da página da austeridade. Lamentavelmente, não se confirma. E assim sendo, achamos que somos uma mais-valia pelo facto de sabermos, também, o que é que custa viver com imensas dificuldades. Quando falo das pessoas que têm baixos salários, ou que vivem em condições precárias, não estou a falar de uma realidade distante de mim. É um problema com o qual lido diretamente. Com o salário que tenho, quando acaba o salário ainda resta muito mês. Toda a nossa lista é composta por trabalhadores, muitos deles precários, que trabalham em call centers. Ou seja, são pessoas que sabem perfeitamente o que é trabalhar e o que é que custa a vida, são pessoas que podem trazer uma mais-valia para a luta. É fundamental envolver as pessoas todas nesta luta.

Concretamente, o que é que distingue o MAS das outras candidaturas?

Achamos que a nossa candidatura faz diferença pela forma como quer travar a extrema-direita. Várias vezes tem sido falado, mas ninguém quer enfrentar. Aliás, o debate na televisão denota mesmo isso. Fomos a única candidatura que fez frente à extrema-direita, o resto anda sempre ali à volta, faz de conta que não vê o elefante ali sentado na sala. E realmente o combate à extrema-direita é um combate essencial. Também pela luta pelos direitos dos trabalhadores. Somos a única candidatura que propõe um salário mínimo europeu de 900 euros; taxar as grandes fortunas em 60% para baixar os impostos sobre o trabalho, consumo e as PME’s; o fim da ETT (empresas de trabalho temporário); queremos a criação do horário máximo de 35 horas tanto no público como no privado. No público, ainda nem toda a gente as faz, mas a luta tem ser por aí. E depois achamos que não deve haver nem mais um euro injetado na banca privada. Fazemos a diferença porque acabamos por arranjar soluções para os problemas que existem. Não andámos aqui a tentar mascará-los ou disfarçá-los.

Acha que os outros partidos, nomeadamente o Bloco e o PCP de que falou, não fazem essa defesa dos trabalhadores?

O BE e o PCP durante o ano fazem imensas críticas a este Governo – e bem – mas a verdade é que depois vão assinar o Orçamento do Estado que depois tem como consequência todos estes problemas que são criados aos trabalhadores. Não achamos que sejam consequentes.

Agora aqui em Portugal temos os salazaristas envergonhados e tacanhos que são o PNR ou os salazaristas disfarçados como o BastaPor exemplo, o BE tem-se batido para acabar com as PPP na saúde na nova lei de bases que está a ser feita …

Pois tem, mas aprovou-as. Aprovou no Orçamento mais 1500 milhões para as PPP. Se de facto o BE fosse contra as PPP não teriam aprovado esses valores para esse efeito. Não podemos aprovar uma coisa e depois dizer que somos a favor de outra. E atenção, nós concordamos com muitas das críticas que eles fazem ao Governo. E há que dizer, o governo anterior, do PSD e CDS, era muito pior.

E muitas das propostas para estas eleições europeias são mais do mesmo , como a Iniciativa Liberal, a Aliança, mesmo o Livre. E depois temos um problema agravado com as candidaturas como o PNR e o Basta, que são duas candidaturas anti-democráticas, populistas e demagogas, que andam a defender o indefensável em democracia. São do pior que há. Se as outras são muito más, estas duas, realmente são muito piores.

As propostas que esta Europa tem é um pouco continuar com a austeridade através de Merkel, Macron e Costa, ou, em alternativa propõe a extrema-direita como vemos em Itália, com o Salvini, em França com a Le Pen, na Hungria com Orban, e agora aqui em Portugal temos os salazaristas envergonhados e tacanhos que são o PNR ou os salazaristas disfarçados como o Basta. Seria até muito bom que esse senhor [André Ventura] pudesse explicar aos portugueses, como os enfermeiros fizeram, de onde vem esse dinheiro, os 500 mil euros. Ou seja, ataca os mais pobres, as pessoas que recebem o rendimento mínimo e que não têm mais nenhuma maneira de poder sobreviver, mas nunca o ouvimos a atacar o Ricardo Salgado, o Oliveira e Costa, os processos dos banqueiros ou das PPP. Aliás, quando Passos Coelho foi governo, ele estava ao lado dele, até porque era do PSD. Estava, portanto, de acordo com todos os ataques aos portugueses. Esse senhor o que está é a perseguir portugueses pobres, quer agravar os problemas dos portugueses, e quando digo portugueses digo também os europeus.

Preocupa-o então a ascensão desses movimentos populistas e de extrema-direita na Europa?

Preocupa-nos bastante. Mas, como digo, parece que somos aqueles que estamos mais preocupados ou que, pelo menos, mais consequentes com essa luta. E isso é um problema que nos vai custar caro, se não começarmos a lutar todos em conjunto para travar. Obviamente que alguns que lá estavam nunca irão lutar contra [a extrema-direita], porque defendem o mesmo sistema, pode ser mais brando, com menos dureza, transformando as pessoas em fumo, mas a verdade é que defendem o mesmo sistema, o capitalismo.

Notícias ao MinutoMAS defende que a toda a Europa deve receber quem nos procura© DR

Que partidos é que acredita que nunca lutarão contra a extrema-direita?

Posso dar-lhe o exemplo da Aliança, do PSD ou do CDS. Aliás, temos o candidato a eurodeputado do CDS, Nuno Melo, a tentar lavar a imagem do Vox. A verdade é que o CDS tenta disfarçar mas o cheiro que também ali vai de defesa e proteção do fascismo deixa muito a desejar. Há várias candidaturas que, de facto, não vão fazer nada, bem pelo contrário irão apoiar-se nesses populismos até para crescimento eleitoral. E não irão combater, com toda a certeza, a extrema-direita e o fascismo.

E os partidos à Esquerda?

Também temos muitos partidos à esquerda que em dias festivos são contra o fascismo mas depois não são consequentes no dia a dia, na rua, nas suas propostas, para combater de facto o fascismo e extrema-direita. Não quero estar a exagerar, mas penso que somos o único partido que está neste momento a dar uma extrema importância à tentativa de travar a extrema-direita e ao neo-fascismo. Acho mesmo que somos a única candidatura que fala dos problemas e que aponta soluções e caminhos para lá a chegar.

Somos radicais, sim. Queremos ir à raiz do problema, não queremos ficar pela rama e deixar as coisas crescer de forma a tornar isto inviável 

Não são caminhos fáceis.

Obviamente que temos que enfrentar os interesses instalados. E vão tentar denegrir e a chamar-nos, numa tentativa de insulto, de radicais. Somos radicais, sim. Queremos ir à raiz do problema, não queremos ficar pela rama e deixar as coisas crescer de forma a tornar isto inviável, até o próprio planeta e a existência da vida humana na terra.

E o rótulo de extrema-esquerda? Aceitam-no?

Não. Não acho que o termo extrema-esquerda defina o MAS, não é aplicável.

Porquê? O outro extremo refere-se ao MAS, e não só, como extrema-esquerda. É errado?

Nós rotulamos a extrema-direita como tal para diferenciar da direita mais clássica. Depois temos também os neo-fascismos. Não acho que seja correto qualificar-nos como extrema-esquerda. Se nos quiserem de chamar de esquerda radical, aceitamos completamente, mesmo quando o tentam o usar como forma de denegrir e ofender, sim, nós somos radicais.

Falava há pouco dos refugiados e da necessidade de ter uma Europa sem muros. Relativamente a Portugal, o país devia receber mais refugiados do que aqueles que recebe?

Toda a Europa tem que receber quem nos procura. Até porque, repare, nós somos também parte do problema de eles quererem fugir.

Como assim?

Nós acabamos por causar essa situação. Os países europeus (e não só) acabámos por ir invadir outros países, provocar guerras direta ou indiretamente, vedemos armamento para lá, fazemos dinheiro a provocar estes problemas e depois ainda vamos lá retirar os seus recursos naturais. Ou seja, geramos o caos e isso leva a que as pessoas tenham de fugir do seu local de origem. Ninguém, com toda a certeza, quer fugir do local em que nasceu se aí estiver bem. As pessoas que fogem à guerra, à fome, à miséria e principalmente à morte. Ninguém se arriscaria a morrer no Mediterrâneo, ainda por cima agora que a Europa está a ficar uma fortaleza. Dizer que estão a entrar em massa – como a extrema-direita tenta vender – é mentira. É uma ínfima parte. A maior parte dos países que os recebem até são os países vizinhos como a Turquia e a Jordânia, onde já estão bem. 

Que medidas considera que têm de ser tomadas para resolver o problema dos refugiados?

A Europa tem de abrir as fronteiras, tem de saber receber as pessoas. Mas principalmente tem de deixar de criar refugiados. Andamos a criá-los e depois não os sabemos receber, não os queremos receber, por mais que tentemos disfarçar a coisa. Repare, Portugal vai devolver grande parte dos fundos para acolher refugiados, nem sequer o gastou. Acho mesmo que temos de saber receber as pessoas. Ou seja, criar condições para que eles possam ser bem tratados.

Aqueles que dizem e que dão a ideia de que os refugiados vêm para cá para cometerem atos terroristas, eles é que são o verdadeiro problemaNo caso de Portugal, também é preciso que os refugiados queiram vir para o nosso país.

Acho que é natural que eles também prefiram ir para outros países. Se você vai ter de fugir do seu país, vai em primeiro lugar procurar um porto-seguro e depois um local que lhe ofereça melhores condições de vida. Isso é natural. Aliás, nós somos um país de emigrantes. Porque é que as pessoas fugiram daqui? Aliás, ainda agora com o governo da direita, houve 500 mil portugueses que fugiram das condições que tinham aqui em Portugal. E não havia uma guerra. Mas as condições laborais chegaram a tal ponto que as pessoas preferiram emigrar, deixar tudo o que era seu, para procurar melhores condições de vida. Portanto, defendemos que todos os refugiados que nos procurarem devem ser bem recebidos e bem tratados até porque isso é, também, uma forma de minorar o problema.

E quanto ao problema do terrorismo? É um problema a ter em conta?

Que eu saiba, dos maiores atos terroristas que aconteceram nos últimos anos não foram os migrantes e os refugiados que o cometeram, mas sim um indivíduo que tinha um discurso idêntico ao de André Ventura. Breivik. foi assassinar a uma ilha 70 jovens que estavam lá acampados. Aqueles que dizem e que dão a ideia de que os refugiados vêm para cá para cometerem atos terroristas, eles é que são o verdadeiro problema.

Os refugiados temos de os receber de braços abertos e criar condições, também, para resolver os problemas dos locais de onde eles fogem para que um dia possam regressar e ter uma vida condigna. Temos de parar de lhes roubar os seus recursos naturais. Já agora, o petróleo que vamos lá roubar, fica muito bem é debaixo da terra. Até porque se continuarmos a consumir os combustíveis fósseis como temos feito, não vamos ter futuro para a humanidade. As coisas estão interligadas. O combate principal é ao sistema que cria todos os problemas, o combate ao capitalismo, à exploração e à opressão.

Que opinião tem da saída do Reino Unido da UE? Portugal devia seguir o mesmo caminho?

Achamos que de facto é preciso construir outra Europa. Achamos também que os povos devem ser livres de decidir, mas de facto o que aconteceu ali foi que a maior parte dos ingleses foram enganados pela extrema-direita que lhes disse que estariam melhor fora da UE. De facto, esta UE não serve aos povos. Mas o caminho que o Reino Unido está a traçar é um caminho pior. É o caminho do isolamento. Se a Inglaterra tivesse a sair para criar uma nova UE, uma Europa que sirva os povos, isso sim seria uma saída que apoiaríamos. Não é sair da Europa para o vazio. É essencial criar uma Europa unida, dos povos para os povos. E isso não é o que vai acontecer com o Brexit. Na verdade, serve apenas os interesses das multinacionais norte-americanas e os interesses dos grandes capitalistas ingleses. Os ricos e poderosos da Inglaterra acham que podem ganhar mais estando fora da UE para competir para os ricos e poderosos da Alemanha e da França. Quem não vai ganhar nem com o Brexit nem com esta UE são os trabalhadores, mulheres e homens que trabalham, são os negros e negras, ciganos e ciganas. Essa saída foi patrocinada pela extrema-direita.

Apesar de não concordar com o sistema atual, reconhece que Portugal evoluiu bastante desde a integração na UE? O saldo é positivo.

Não acho que o saldo seja positivo. Obviamente que se eu disser que não houve nada que tenha melhorado no país desde 1984, desde que iniciámos o processo de entrada na UE, até agora, estaria a mentir com os dentes todos. Nasci em 72. Vi realmente uma transformação. Mas não podemos achar que o país ia ficar igual desde essa altura até aqui. Se formos pesar bem as coisas, a verdade é que nos tornámos um país muito mais dependente, temos uma economia muito mais dependente. Temos a maior área marítima da Europa, e no entanto, não temos uma frota pesqueira. [Antes] produzíamos comboios, tínhamos indústria, siderurgia, tínhamos estaleiros navais. Tudo isso foi entregue, vendido ao desbarato. E temos este esquema no qual nos sugam pelo menos oito mil milhões de euros todos os anos para pagar uma dívida que não é de quem trabalha ...

Defendemos que se faça uma auditoria à dívida, para saber quanto é que se deve, a quem é que se deve, quem contraiu essa dívida e para quêO que é que devíamos fazer em relação à dívida?

Defendemos que se faça uma auditoria à dívida, para saber quanto é que se deve, a quem é que se deve, quem contraiu essa dívida e para quê. Se formos a ver bem, não foi para servir a maioria da população portuguesa mas sim uma pequena minoria que, de facto, anda a ganhar com essa dívida. Essa dívida não é dos portugueses, é de meia dúzia e para servir os seus interesses.

O MAS tem criticado a exclusão do partido nos debates televisivo, à exceção do da RTP, não foram convidados para mais nenhum. Que dificuldades têm sentido para fazer passar a mensagem aos eleitores?

Uma das grandes dificuldades que temos encontrado é o facto da comunicação social não estar a cobrir de forma igual e democrática as candidaturas. E a candidatura do MAS tem sido uma das mais maltratadas. E isso dificulta obviamente a vida a um partido pequeno, um partido que não tem verbas como uma boa parte dos restantes. Isso cria-nos dificuldades em chegar às pessoas. A continuarmos assim com estes partidos que têm estado no poder, vamos chegar “ao fim de mundo”. Assim é que não há caminho. Temos soluções, temos propostas, mas de facto há um blackout à nossa candidatura. Todos os gastos que o partido tem são pagos, a maior parte, pelos militantes. Não estamos dependentes, nem somos a favor que o Estado ando a subsidiar partidos. Achamos que seria diferente o Estado apoiar as candidaturas de forma igual e que a cobertura fosse igual para todos.

Um bom resultado para os portugueses, é um bom resultado para os europeus, para todos aqueles que são explorados e oprimidos, homens e mulheres, negros e negras, ciganos e ciganas e imigrantes. É preciso construir uma Europa sem muros e sem austeridade

Para terminar, quais são as expectativas para o dia 26 de maio?

Que os portugueses consigam ouvir as nossas propostas, consigam pensar nelas, e que realmente decidam naquilo que é o interesse da maioria. Se assim for, temos a certeza que iremos ser eleitos. Vamos a eleições, iremos fazer o nosso melhor, mesmo com todo este blackout que a imprensa nos está a fazer, iremos ter o melhor resultado possível. Se os portugueses conhecerem as nossas propostas, e se elas não forem mistificadas como são muitas vezes, com toda a certeza os portugueses irão confiar nestas propostas, e iremos ter um bom resultado, e um bom resultado para o MAS é um bom resultado para os portugueses, é um bom resultado para os europeus, para todos aqueles que são explorados e oprimidos, homens e mulheres, negros e negras, ciganos e ciganas e imigrantes. É preciso construir uma Europa sem muros e sem austeridade.

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