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Sócrates reagiu com dignidade a condenação do PS, diz Daniel Adrião

O candidato a secretário-geral do PS Daniel Adrião defendeu hoje que a direção socialista fez uma condenação antecipada de José Sócrates, um ato de 'bullying' ao qual o antigo primeiro-ministro "reagiu com grande dignidade" ao desfiliar-se do partido.

Sócrates reagiu com dignidade a condenação do PS, diz Daniel Adrião
Notícias ao Minuto

14:10 - 04/05/18 por Lusa

Política Candidatos

"Acho que a direção do PS violou um princípio que vigorava há mais de três anos e que o próprio António Costa tinha instituído: à política o que é da política, à justiça o que é da justiça. Estas declarações recentes romperam com esse princípio e constituem, na minha perspetiva, uma tentativa de condenação política antecipando o desfecho judicial do processo", defendeu Daniel Adrião à Lusa.

O candidato à liderança socialista argumentou que, "a tradição do PS não está no 'bullying' político e José Sócrates foi claramente alvo de um processo de 'bullying'".

"Que os adversários do PS o tentem fazer ainda compreendo, faz parte da luta política, embora não é muito edificante que sejam os próprios dirigentes do PS a fazê-lo. Acho que é algo absolutamente inaceitável e incompreensível e os militantes do PS não compreendem este tipo de conduta por parte dos dirigentes do partido", sustentou.

Para Daniel Adrião, José Sócrates "reagiu com grande dignidade, porque as acusações que lhe estavam a ser feitas por parte da direção do seu próprio partido não lhe deixaram outra alternativa se não desvincular-se".

"São acusações muito graves, é a assunção da culpabilidade antes das instâncias judiciais", reiterou, acrescentando que "ao produzir este tipo de declarações, a direção do PS, de facto, colocou no centro do debate político e do Congresso a discussão sobre José Sócrates".

Daniel Adrião considera que "o debate substantivo sobre as propostas, sobre as ideias" no Congresso socialista, marcado para 25, 26 e 27 de maio, ficará prejudicado.

O candidato recordou as suas próprias propostas para "introduzir uma reforma profunda no modelo de funcionamento do partido, através de eleições primárias para a escolha de titulares de cargos políticos" e medidas para estabelecer "maior participação e maior transparência".

"O melhor antídoto contra a corrupção e o abuso de poder é uma reforma do sistema político que imponha regras de transparência, de participação, de escrutínio, de fiscalização. Só assim podemos combater os abusos de poder", disse.

Na quinta-feira, o primeiro-ministro, António Costa, afirmou que em Portugal ninguém está acima da lei e que, "a confirmarem-se" as suspeitas de corrupção nas políticas de energia por membros do Governo de José Sócrates, será "uma desonra para a democracia".

Antes, o presidente do PS e líder parlamentar Carlos César tinha afirmado à TSF, que "o PS sente-se, como os partidos, a confirmar-se o que é dito, envergonhado" com o caso de Manuel Pinho. No caso de Sócrates, a vergonha "até é maior", disse, porque o antigo líder socialista foi primeiro-ministro de Portugal.

No mesmo sentido, o porta-voz do PS, João Galamba, afirmou: "Acho que é o sentimento de qualquer socialista, quando vê ex-dirigentes, no caso um ex-primeiro-ministro e secretário-geral do PS acusado de corrupção e branqueamento de capitais. Obviamente, envergonha qualquer socialista, sobretudo se as matérias de que é acusado vierem a confirmar-se".

José Sócrates, 60 anos, é o principal arguido na Operação Marquês, em que está acusado de vários crimes económico-financeiros, incluindo corrupção e branqueamento de capitais.

No âmbito da investigação, esteve preso preventivamente durante 288 dias, entre novembro de 2014 e setembro de 2015.

Sócrates aderiu ao PS em 1981, e foi secretário-geral do partido entre 25 de setembro de 2004 e 06 de junho de 2011.

Em 2005, obteve a primeira maioria absoluta do PS em eleições legislativas e foi primeiro-ministro até 2011, depois de o seu Governo ter pedido ajuda financeira ao Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu.

Num artigo publicado hoje no Jornal de Notícias, José Sócrates disse que a sua saída do PS visa acabar com um "embaraço mútuo", após críticas da direção que, na sua opinião, ultrapassam os limites do aceitável.

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