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Cinco anos, cinco temas. Eis o que marcou o nosso país, ainda se lembra?

A propósito do 5º aniversário do Notícias ao Minuto decidimos olhar para trás e recordar aquilo que de mais marcante aconteceu no nosso país.

Cinco anos, cinco temas. Eis o que marcou o nosso país, ainda se lembra?
Notícias ao Minuto

08:30 - 12/08/17 por Patrícia Martins Carvalho

País Especial

Quando o Notícias ao Minuto nasceu, Portugal atravessava o pico da crise. O número de desempregados não parava de aumentar, os apoios sociais caíam a pique e o descontentamento subia alavancado pela revolta de quem perdia o emprego e a casa e via as pensões baixarem drasticamente.

Estávamos então em 2012. Entretanto, passaram cinco anos e muito mudou no país.

A troika já não manda nos desígnios do país, o governo é de Esquerda, Portugal foi campeão europeu, conquistou o Festival da Eurovisão e os portugueses vivem mais ‘desafogados’ e, segundo vários estudos, mais felizes.

Mas lembra-se de tudo o que aconteceu nestes últimos cinco anos? É provável que não. Muito se passou. Como tal, decidimos revisitar o passado recente e selecionar cinco grandes momentos.

Antes de iniciar esta análise dos últimos cinco anos, não podemos deixar de falar em Pedrógão Grande, o grande tema que indelevelmente marca 2017. Se este artigo fosse escrito em 2018, a morte de 64 pessoas pelas chamas seria certamente o tema dominante deste ano, não esquecendo, como é óbvio, o marcante 13 de maio, dia em que os pastorinhos Francisco e Jacinta foram canonizados pelo Papa, em Fátima, e Salvador Sobral trouxe para Portugal, pela primeira vez, o troféu do Festival da Eurovisão da Canção.

Manifestações, violência e os gritos do desespero

No auge da crise económica e financeira que afetou Portugal, milhares e milhares de portugueses saíram à rua para mostrar o seu descontentamento para com as políticas de austeridade aplicadas pelo governo liderado por Pedro Passos Coelho.

A 15 de setembro e a 14 de novembro de 2012, milhares de portugueses marcharam em direção à Assembleia da República, em São Bento. Mas estas foram apenas duas das manifestações de que Portugal foi palco. Outras tantas se realizaram, não só nesse ano, como nos seguintes.

A manifestação de setembro, organizada pelo grupo de cidadãos denominado ‘Que se lixe a troika! Queremos as nossas vidas!’ juntou um milhão de portugueses nas ruas de 30 diferentes cidades em simultâneo, tornando-se na maior ação popular desde o 1.º de maio de 1974.

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Um mês depois, a greve geral convocada pela CGTP levou também milhares de portugueses para a rua e, em Lisboa, a maior concentração registou-se junto à Assembleia da República.

Os ânimos exaltaram-se com os manifestantes a atirarem pedras e garrafas contra os elementos da PSP que se encontravam a fazer a segurança do Parlamento. Entre palavras de ordem, descontentamento e, em alguns casos, desespero, os manifestantes derrubaram as baias de segurança que os mantinha afastados da escadaria.

Face ao sucedido e após avisos através de megafones, os agentes do Corpo de Intervenção da PSP carregaram nos manifestantes com recurso aos bastões.

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Os momentos de troca de agressões saldaram-se em nove pessoas detidas e quase 50 feridos. O povo tinha deixado claro que as políticas de austeridade estavam a levá-lo ao desespero.

Ainda a ‘poeira’ não tinha baixado e já surgia nova polémica relacionada com a manifestação. A PSP pediu aos jornalistas da RTP para ter acesso às imagens em bruto do protesto de forma a facilitar a identificação dos manifestantes desordeiros.

A PSP negou que tenha pedido para ficar com as imagens, mas confirmou que alguns elementos haviam visionado as imagens na presença de um jornalista da RTP.

Nesta senda, o então diretor de informação da televisão pública demitiu-se. Nuno Santos garantiu que as imagens não tinham saído dos estúdios, mas não foi capaz de pôr cobro à acusação de que a polícia não teria visto as mesmas, especialmente depois da confirmação feita pela própria PSP.

Posteriormente, um inquérito interno da RTP concluiu que Nuno Santos tinha mesmo confirmado a visualização dos chamados brutos, as imagens recolhidas que não sofrem edição.

A morte de seis estudantes que trouxe a praxe académica para a discussão

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Findo o verão, acreditou-se que a notícia mais marcante de 2013 seria a destruição de 145.385 hectares de floresta devido aos incêndios que mataram ainda oito bombeiros e um autarca.

Porém, em dezembro chegou a notícia que marcaria as últimas semanas do ano e os próximos anos letivos. Falamos, claro, da tragédia do Meco que tirou a vida a seis estudantes da Universidade Lusófona na noite de 15 de dezembro.

As vítimas tinham ido passar o fim de semana ao Meco para atividades relacionadas com a praxe académica. No dia 15, à noite, encontravam-se na praia do Moinho de Baixo em Sesimbra, distrito de Setúbal, junto ao mar, numa altura em que este estava agitado. Uma onda grande e forte acabou por arrastá-los e roubar-lhes a vida.

João Gouveia, o Dux, foi o único que sobreviveu, o que levantou suspeitas em relação à responsabilidade que o jovem teria tido na morte dos seis caloiros.

Nas semanas que se seguiram muito se falou sobre o caso. Uma vizinha da casa onde os estudantes estavam instalados garantiu tê-los visto a rastejar na terra com pedras presas nos tornozelos no dia em que a tragédia ocorreu.

As praxes académicas saltaram assim para a discussão pública com pessoas a defenderem a prática e outros a criticarem-na.

Sete meses depois o caso foi arquivado com o Ministério Público a considerar ter-se tratado de um acidente e não de um ato criminoso.

Os pais dos seis jovens apresentaram uma queixa-crime contra o Dux, acusando-o de não ter contado a verdade sobre o que aconteceu naquela fatídica noite. Contudo, o processo foi arquivado pelo Tribunal de Setúbal com o Tribunal da Relação de Évora a confirmar a decisão já em janeiro do ano passado.

Para que a morte destas quatro raparigas e dois rapazes não fosse esquecida foi colocado um memorial em sua homenagem na praia onde morreram.

José Sócrates detido. Nunca tal tinha acontecido em Portugal

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Nunca antes tinha acontecido na história da democracia portuguesa: um ex-primeiro-ministro português era detido. Falamos de José Sócrates, cuja detenção foi o acontecimento que marcou o ano de 2014 e que, volvidos três anos, continua a dar que falar.

O antigo líder do PS foi detido no dia 21 de novembro de 2014, pelas 23h10, quando desembarcou no aeroporto de Lisboa vindo de Paris. Quatro dias depois era decretada a medida de coação a aplicar: prisão preventiva, a mais gravosa, que foi cumprida no Estabelecimento Prisional de Évora onde Sócrates recebeu a visita de ilustres socialistas, como foi o caso de Mário Soares e António Costa.

Além de Sócrates, também Carlos Santos Silva – arguido e melhor amigo do ex-primeiro-ministro ficou detido a aguardar julgamento. Já João Perna, ex-motorista de Sócrates, ficou em prisão domiciliária.

Na origem das detenções estão suspeitas de crimes de corrupção, fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais.

Seis dias depois, Sócrates reagiu, descrevendo como “absurdas, injustas e infundamentadas” as acusações que lhe eram imputadas.

A verdade é que volvidos três anos, a Procuradoria-Geral da República já prorrogou por seis vezes o prazo para o fim do inquérito da Operação Marquês e, até ver, não há ainda a acusação por parte do Ministério Público.

Sócrates, recorde-se, está indiciado pela prática dos crimes de corrupção, fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais. O processo investiga crimes económico-financeiros e conta com um total de 28 arguidos, dos quais nove são pessoas coletivas. Quanto aos arguidos mais conhecidos contam-se Armando Vara (antigo ministro socialista), Joaquim Barroca (grupo Lena), Paulo Lalanda de Castro (grupo Octapharma), Ricardo Salgado (ex-presidente do BES), Henrique Granadeiro e Zeinal Bava (ex-administradores da PT), Sofia Fava (ex-mulher de Sócrates), entre outros.

"Não me deixe morrer". O pedido que fez o ministro corar (ou não)

Em 2015, o país parava e os deputados coravam com o pedido emocionado de José Carlos Saldanha, um homem infetado com o vírus da Hepatite C. A 4 de fevereiro, José Carlos dirigiu-se ao Parlamento onde assistiu à audição do então ministro da Saúde, Paulo Macedo (atual presidente da Caixa Geral de Depósitos), e sem que nada o fizesse prever interrompeu os trabalhos. “Não me deixe morrer. Eu quero viver”, pediu, combalido, ao ministro. Presentes estavam também o filho de uma mulher que havia morrido à espera que o tratamento inovador para a Hepatite C chegasse a Portugal e o filho de outra mulher que estava internada.

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No centro de toda a polémica estava o fármaco Sofosbuvir, recentemente aprovado na União Europeia, mas que ainda não havia chegado a Portugal porque o laboratório farmacêutico pedia, nas palavras de Paulo Macedo, um “preço imoral”.

As negociações pareciam não chegar a um consenso, mas a intervenção de José Carlos Saldanha parece ter mudado tudo, pois no dia seguinte era anunciado o acordo entre o Ministério da Saúde e o laboratório responsável pelo fármaco que passou a ser comparticipado a 100% pelo Estado.

No final do ano, 11 meses depois das palavras que emocionaram e revoltaram Portugal, mais de cinco mil tratamentos haviam sido iniciados, dos quais 683 concluídos. Destes, 651 alcançaram a cura, mas o mesmo não se verificou em 28 pacientes.

Comandos: Ser recrutado não é para todos e recrutar também já não é

O ano passado ficou marcado por vários acontecimentos significativos. Mais uma vez, os incêndios estiveram na ordem do dia – recorde-se que três pessoas morreram na Madeira na sequência de um violento incêndio que teve origem criminosa. No entanto, escolhemos destacar a morte de dois jovens de 20 anos durante os treinos do 127.º curso de Comandos do Exército. Os recrutas – Hugo Abreu e Dylan Silva – morreram em setembro durante os treinos no campo de tiro de Alcochete, no distrito de Setúbal. O primeiro perdeu a vida no dia 4 de setembro vítima de um “golpe de calor”. O segundo morreu uma semana depois, a 10 de setembro, na sequência de uma falência hepática.

O Ministério Público já acusou 19 militares que considera terem tido responsabilidade na morte dos dois recrutas por terem, alegadamente, cometido os crimes de abuso de autoridade e ofensas à integridade física agravadas. Entre os acusados contam-se um médico, um enfermeiro, vários instrutores do curso de Comandos e ainda os seus superiores hierárquicos.

Os arguidos são acusados, entre outras coisas, de terem privado os instruendos de beber água num dia em que as temperaturas estavam bastante elevadas, tendo-os levado à exaustão.

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De acordo com o advogado da família de Hugo Abreu, Ricardo Sá Fernandes, os arguidos “criaram um ambiente de pânico e sofrimento físico e psicológico nos ofendidos, sujeitando-os a tratamento não compatível com a natureza humana”.

O 128.º curso já arrancou com uma nova equipa de instrutores. Nenhum dos instrutores do curso anterior dará formação, segundo a ordem dada pelo Chefe do Estado Maior do Exército, o general Rovisco Duarte. Mas há mais alterações que foram recomendadas – e acatadas – pela Inspeção Técnica Extraordinária realizada ao 127.º curso.

Desta forma, o Exército reforçou o sistema de informações clínicas dos instruendos para garantir que dispõe de todos os dados clínicos sobre os candidatos, sendo realizados mais exames para despistar qualquer dúvida sobre o estado de saúde dos recrutas.

Também o número de médicos presentes no curso aumentou, passando agora a ser quatro e os instrutores receberam formação específica sobre fisiologia do esforço. 

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