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Prática de atividade física? Portugal tem um "longo caminho a percorrer"

Pedro Teixeira, professor de Faculdade de Motricidade Humana e diretor do Programa Nacional de Promoção de Atividade Física da Direção-Geral de Saúde, admite que Portugal ainda está atrás de vários países europeus no que toca à prática de exercício físico.

Prática de atividade física? Portugal tem um "longo caminho a percorrer"
Notícias ao Minuto

08:07 - 05/08/17 por Notícias Ao Minuto

País Saúde

Colocar os portugueses a praticarem algum tipo de atividade física continua a não ser uma tarefa fácil, apesar das melhorias registadas em anos recentes, com um número crescente de portugueses a estarem cientes da importância do exercício físico e a procurarem formas de combater o sedentarismo. Esse é, de resto, o principal objetivo do professor Pedro Teixeira, o responsável pelo Programa Nacional de Promoção de Atividade Física da Direção-Geral de Saúde.

Pedro Teixeira admite que o panorama tem-se "vindo a alterar de forma positiva" nos últimos anos, mas os números não mentem. "Temos um longo caminho a percorrer. Não mais do que um quarto da população portuguesa atinge os níveis recomendados de atividades físicas", disse ao Notícias Ao Minuto.

Portugal sai claramente a perder na comparação com os restantes países europeus no que diz respeito à prática de atividade física. "Portugal não está muito bem classificado, tanto para os mais jovens como para os adultos, em termos de comparações europeias nós temos das posições mais baixas. Temos taxas de sedentarismo que comparam mal com a maior parte dos países europeus".

A preocupação crescente dos portugueses com um estilo de vida mais saudável e que inclui uma prática frequente de atividade física é notório. Tornou-se comum ver cada vez mais pessoas a correr em jardins, parques ou nas ruas do país, e a ida ao ginásio passou a ser mais habitual.

Pedro Teixeira destaca ainda a prática de atividades físicas alternativas. "Para termos uma noção, comparando com o que se passava há uns anos atrás, hoje em dia temos mais pessoas envolvidas com a atividade física, principalmente com formas de atividade física alternativas. Convém reforçar que enquanto que há 25 anos só se falava praticamente num desporto, hoje em dia temos muitas outras formas de atividade física que têm impacto. Desde caminhadas, às próprias atividades nos locais de trabalho. As pessoas podem utilizar mais as escadas, por exemplo".

Não mais do que um quarto da população portuguesa atinge os níveis recomendados de atividades físicas

Inimigo da prática de atividade física, o sedentarismo também tem vindo a aumentar. Neste aspeto, as novas tecnologias e as redes sociais tanto podem ter um contributo negativo como podem trazer benefícios. "As novas tecnologias – smartphones, tablets, etc – fazem com que todos nós tenhamos uma tendência para fazer as nossas vidas sedentárias", diz o professor da Faculdade de Motricidade Humana. Com repercussões maiores nas gerações mais jovens.

Os jovens "são facilmente atraídos pelas tecnologias. É uma pressão a favor do sedentarismo e que dificulta o combate à inatividade física, dificulta uma alimentação saudável e dificulta o combate à obesidade. Portanto, são questões sociais que vão no sentido de tornarem a nossa vida mais sedentária", afirma o responsável, que aponta de seguida os benefícios das novas tecnologias.

"Também podemos aproveitar algumas dessas tecnologias e aproveitar a presença dos jovens nas redes sociais e o contacto com a informação que é veiculada na internet. Podemos aproveitar isso para atrair os jovens para atividade física. Não há razão nenhuma para não termos campanhas que vão além do método tradicional e da forma de comunicar tradicional, também usando as redes sociais e as tecnologias digitais para efetivar, para inspirar, para apelar ao exercício", explica e até dá um exemplo concreto.

"Há um ano tivemos o fenómeno do Pokémon Go, que embora tenha sido pensado como uma brincadeira digital, como um jogo, teve uma mobilização social muito grande e tinha muita atividade física incluída".

Também têm sido criadas cada vez mais aplicações que incentivam a prática de exercício físico e que, como diz Pedro Teixeira, permitem "monitorizar" a atividade física diária, algo que até pode ser aproveitado na área da saúde. "Estamos a estudar formas como os médicos podem utilizar as novas tecnologias para fazerem o aconselhamento para a prática de atividade física de formas digitais e que possam também fazer uma prescrição para a prática de atividade física nas suas consultas aos seus utentes".

Mas Pedro Teixeira não esquece a enorme popularidade do futebol em Portugal. Aliás, defende que este desporto é um veículo importante para a prática de atividade física no país. Pedro Teixeira destaca que o futebol é um "desporto preferencial para incentivar os jovens à prática de atividade física" e êxitos como a conquista do Euro no ano passado também são importantes fatores motivacionais.

"O que temos de fazer é aproveitar o mediatismo e o impacto social destes eventos desportivos", acrescentando que "temos de associar estas pessoas e estas vitórias".

Para que as perspetivas melhorem quanto à prática de atividade física, Pedro Teixeira adianta que "já está em funcionamento desde junho, por iniciativa do secretário de Estado Adjunto e da Saúde e da Direção-Geral da Saúde, uma iniciativa intersetorial, com uma comissão que foi criada com representantes dos vários setores da sociedade para perceber o que é preciso fazer para ser mais fácil os portugueses praticarem mais desporto e mais atividade física".

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