Câmara de Lobos ultrapassa estigma de pobreza e é concelho "na moda"

A imagem de Câmara de Lobos, na ilha da Madeira, associada ao estigma da extrema pobreza mudou e hoje é um concelho "diferente, renovado", "apetecível" para visitantes e investidores e "está na moda".

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País Madeira

"Ao longo dos 40 anos de autonomia, Câmara de Lobos transformou-se e isso deveu-se sobretudo às pessoas, porque era um concelho com estigmas sociais, muita pobreza, muita exclusão social e hoje é um município diferente, renovado", diz o presidente da autarquia.

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Pedro Coelho exemplifica com o caso do Ilhéu, o rochedo na emblemática baía da cidade, que foi pintada pelo antigo primeiro-ministro britânico Winston Churchill quando visitou a Madeira, onde durante muitos anos viveram, apinhadas em pequenos espaços nos quais se respirava a miséria, muitas famílias, e que se transformou num "planalto verde", um jardim que foi palco para espetáculos de artistas nacionais e regionais, como as fadistas Mariza e Ana Moura.

As centenas de famílias que residiam naquele Ilhéu foram transferidas para o primeiro bairro social construído na Madeira pelo Governo regional liderado por Alberto João Jardim. O bairro ficou conhecido pelo nome de "Malvinas" [porque a construção coincidiu com a guerra entre a Argentina e a Inglaterra] e foi inaugurado a 25 de julho de 1982.

"O Ilhéu, que no passado era símbolo de miséria, hoje é diariamente visitado por muitos turistas", sublinha o autarca, sublinhando que antes as pessoas "até tinham receio de dizer que eram ou residiam em Câmara de Lobos, mas hoje até têm orgulho, identificam-se com a cidade e o concelho".

O responsável autárquico refere que está também em curso um projeto de requalificação da baixa da cidade [criada em 1996], porque "é importante que o Ilhéu tenha casas habitáveis e pescadores", realçando que vai surgir no edifício da antiga lota uma unidade hoteleira, um projeto que "tem vários interessados".

"Há 20/30 anos não seria possível pensar fazer um hotel na baixa da cidade. Se calhar, muitos hoteleiros não arriscariam, tendo em conta os problemas que tínhamos no passado", opina, destacando que hoje Câmara de Lobos "é procurado" e há casas do Ilhéu "que estão a ser procuradas sobretudo por ingleses e franceses".

Câmara de Lobos, município a oeste do Funchal - composto por cinco freguesias, espalhadas por cerca de 53 quilómetros quadrados, tem cerca de 35 mil habitantes e é o mais jovem a nível regional e o quarto na lista nacional -, "está a ultrapassar alguns estigmas", vinca Pedro Coelho.

Na opinião do autarca câmara-lobense, "há alguns anos era o concelho com maior taxa de criminalidade", mas considera que "as pessoas daquela localidade foram muitas vezes injustiçadas" e, aos que ainda lhe associam a imagem da pedofilia ou dos 'meninos das caixinhas' [mendicidade], responde que "isso foi algo do passado", pois o concelho vivencia hoje os mesmos problemas que outras regiões do país.

"Hoje, Câmara de Lobos está de cara lava, é a terra da poncha, a terra da espetada, é a terra do Vinho Madeira", frisa, considerando que esta localidade é, presentemente, "apetecível, tanto por locais como visitantes".

Pedro Coelho reforça que "os investidores veem as mais-valias e potencialidades deste município que vai do mar à serra, limpo, seguro, arranjado e com várias iniciativas na área cultural", que recebe diariamente milhares de turistas.

O presidente do município destaca que o concelho "é uma terra de artistas e a cultura está enraizada no seu povo", tendo sido instalado na cidade o Museu da Imprensa da Madeira.

Câmara de Lobos foi o primeiro local onde habitou o descobridor da Madeira, João Gonçalves Zarco, sendo conhecido pela sua baía, com os pitorescos barcos de pesca coloridos, os 'xavelhas', e tem sido uma das imagens de promoção da ilha e um dos locais mais procurados pela animação noturna na baixa, com os muitos bares que servem a tradicional poncha.

"Hoje, Câmara de Lobos está na moda", conclui o presidente do município.

 

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