"Trata-se de uma catástrofe ao nível ambiental e paisagística, porque se trata de um parque natural que é uma pérolas e continua bonito, mas tem uma vasta área que teve um grande impacto em mais de cinco mil hectares que arderam nesta área protegida", vincou a governante ao jornalistas, no miradouro do Carrascalinho, no concelho de Freixo de Espada à Cinta que foi o mais afetado pelas chamas.
Maria da Graça Carvalho disse ainda que agora é tempo de olhar para o futuro e tentar propor o potencial do Parque Natural do Douro Internacional (PNDI), que é a segunda maior área protegida do país.
Nas responsabilidades do Ministério do Ambiente estão já no terreno todas as intervenções de urgência, tais como evitar as derrocadas, que são muitas, evitar que as cinzas contaminem a água que abastece as populações e que estão a ser acompanhadas pelo Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) e pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA).
A governante disse que estão em curso as ajudas imediatas à reposição do potencial produtivo, principalmente na agricultura, tuteladas pelo Ministério da Economia e pelo Ministério da Agricultura.
A ministra vincou ainda que há a preocupação da reposição de todo o ecossistema do PNDI quer ao nível da fauna como da flora e toda a biodiversidade.
"Quando fazemos esse restauro [ambiental], a nossa preocupação passa por diminuir o risco de futuro baseadas nas melhores práticas científicas que são utilizadas em outros países, e das lições aprendidas aqui em Portugal. Há zonas como o Parque Natural do Alvão ou o Parque Nacional Peneda-Gerês que têm árvores folhosas que servem de tampão ao avanço dos incêndios", disse Maria da Graça Carvalho.
Agora a aposta para a recuperação da área ardida no PNDI, passa pela plantação de espécies arbóreas mais resilientes e resistentes às chamas.
No campo da avifauna, a recuperação de projetos europeus em cursos nessas áreas protegida também chamou a atenção da governante como o caso do programa ibérico "LIFE Aegypius Return" que tem por objetivo a salvaguarda do abutre-preto ('Aegypius monachus') e onde foram destruídos ninhos, uma estação de aclimatação e outras estruturas causando prejuízos de mais de 30 mil euros, só nesta iniciativa ambiental.
"Tudo iremos fazer para repor de novo todos este projeto ibérico de recuperação do abutre-preto",
A ministra do Ambiente ressalvou que são necessários vários anos para que o ecossistema afetado pelo fogo no Douro Internacional volte a ter todo o seu potencial.
"Para estes casos estão já regulamentadas ajudas diretas [financiamento] que prevê que haja um contato para cada uma das áreas protegidas afetadas pelos incêndios que envolve os municípios, ICNF, APA, e a Agência para o Clima", disse.
O incêndio do Douro Internacional deflagrou no dia 15 de agosto, em Poiares, no concelho de Freixo de Espada à Cinta, o mais afetado, e depressa se alastrou aos concelhos vizinhos de Torre de Moncorvo e Mogadouro, deixando um rasto de destruição nas pastagens e em culturas como o olival, amendoal, vinha, laranjal, floresta e colmeias.
Segundo dados provisórios da GNR, arderam cerca 12 mil hectares nos concelhos de Freixo de Espada à Cinta, Torre de Moncorvo e Mogadouro, num incêndio que chegou a ter cerca de 400 operacionais no terreno e a ausência de meios aéreos, devido às condições climatéricas que se fizeram sentir.
Dados do relatório nacional provisório do Sistema de Gestão de Informação de Incêndios Florestais (SIGF) a que a agência Lusa teve acesso indicam que, até 24 de agosto, há 11.697 hectares de área ardida no fogo que teve início no concelho de Freixo de Espada à Cinta.
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