O Ministro da Defesa, Nuno Melo, voltou a comentar, esta sexta-feira, a aquisição dos Canadair para o combate aos incêndios, que, de acordo com a calendarização referida, chegarão a território nacional daqui a quatro anos.
Em declarações aos jornalistas em Almada, no distrito de Setúbal, Nuno Melo começou por reforçar que tinha sido "outro governo da AD" a decidir pela aquisição dos bombardeiros Canadair, quando o primeiro-ministro era Pedro Passos Coelho e o presidente do CDS Paulo Portas.
"Ao tempo, foi lançado o aviso de dois Canadair, que estariam em Portugal em 2017, com a Força Aérea empenhada no combate aos incêndios em 2018. Foi decisão do Governo que se lhe seguiu [liderado por António Costa] prescindir da aquisição desses Canadair", referiu, aludindo depois à tragédia dos incêndios que marcou Portugal e "mudou o paradigma": "Até que aconteceu aquilo que aconteceu em 2017 e foi já com este governo [da AD] que houve uma reprogramação de financiamento para que pudesse se adquirir e finalmente colocados nas Forças Armadas ao serviço do combate".
O que nesse momento seria possível ser entregue em 2017, agora, só será entregue em 2029 e 2030
Face ao tema, que tem estado em cima da mesa, e às declarações do secretário-geral do Partido Socialista (PS), José Luís Carneiro, que disse que Nuno Melo "fez afirmações infundadas" e "faltou à verdade", o ministro atirou: "A diferença é que se o projeto não tivesse sido precludido em 2015 por esse Governo, desde 2018 que teríamos essas aeronaves no combate".
E o responsável pela pasta reforçou que a decisão significou "um adiamento de 11 anos, num caso, e de 12 noutro".
"O que nesse momento seria possível ser entregue em 2017, agora, só será entregue em 2029 e 2030 [...]", atirou, dando conta de que há outros países envolvidos e também questões relacionadas com a natureza empresarial.
Melo sublinhou que só aí, em 2017, houve uma "alteração de paradigma", onde o governo socialista 'mudou' de posicionamento: "Mas isso é depois. No que tem a ver com os Canadair, a vontade e iniciativa para essa aquisição foi de 2014 e 2015, com outro governo. Estes são os atos, o resto é conversa."
O Ministro da Defesa sublinhou ainda que é "claro" o propósito do Executivo em dotar as Forças Armadas dos meios necessários à ajuda nos momentos de crise, tal como noutras alturas em que atual, como sublinhou e exemplificou, dando conta dos transplantes de órgãos ou resgates, em que esta força atua também.
Para além dos dois Canadair, cuja primeira entrega será em 2029 e a segunda no ano seguinte, Nuno Melo falou também da aquisição dois 'kits' de combate a incêndios para equipar duas aeronaves C-130, anunciada no início de agosto.
"[As aeronaves C-130] Saem totalmente modernizadas da OGMA e voarão até 2040", apontou.
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