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Grupo VITA recebeu 105 queixas de vítimas de abuso na Igreja num ano

O Grupo VITA, que acompanha casos de violência sexual na Igreja Católica em Portugal, identificou, no primeiro ano de funcionamento, 105 alegadas vítimas e um leigo que terá cometido crimes sexuais no contexto da Igreja, revelou hoje aquele órgão.

Grupo VITA recebeu 105 queixas de vítimas de abuso na Igreja num ano
Notícias ao Minuto

15:18 - 18/06/24 por Lusa

País Abusos na Igreja

Criado pela Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) e tendo entrado em funcionamento em 22 de maio de 2023, o Grupo VITA recebeu neste primeiro ano 485 chamadas telefónicas, as quais "não correspondem exclusivamente a situações de violência sexual no contexto da Igreja".

Das que estão dentro do objeto do seu trabalho, e nos contactos recebidos através da linha telefónica e do formulário disponível no seu site ou por 'email', foram identificadas 105 vítimas de violência sexual e uma pessoa (leigo) que cometeu crimes sexuais no contexto da Igreja", situação que tinha já sido sinalizada "às entidades penais e canónicas".

"Esta pessoa foi encaminhada para apoio psicológico para um profissional da bolsa do Grupo VITA", refere o relatório hoje apresentado em Fátima.

Quanto aos pedidos de ajuda recebidos, foram realizados 64 atendimentos (presenciais ou online) com vítimas de violência sexual, acrescenta o órgão liderado pela psicóloga Rute Agulhas.

De acordo com o documento hoje divulgado, "das 64 pessoas atendidas, verificou-se que cinco eram pessoas adultas que não preenchiam os critérios de adulto vulnerável à data da ocorrência".

No universo das chamadas telefónicas, 28 respeitavam a situações de violência não relacionadas com a missão do Grupo VITA, nomeadamente "abuso sexual intrafamiliar, violência doméstica", pelo que "foram encaminhadas para outras entidades", nomeadamente órgãos policiais ou estruturas de atendimento a vítimas de violência doméstica e/ou sexual.

O relatório indica ainda que de "58 atendimentos efetuados" presencialmente ou online, "a maioria das vítimas (72,5%) recorreu ao Grupo VITA para efeitos de apresentação da sua situação" e 27,5% das situações já haviam sido também sinalizadas à Comissão Independente liderada pelo pedopsiquiatra Pedro Strecht, cuja ação antecedeu a criação do Grupo VITA.

Em termos de caracterização sociodemográfica, a maioria destas vítimas é do sexo masculino (60,3%), todas possuem nacionalidade portuguesa e a idade atual varia entre os 19 e os 75 anos, sendo a média de idades de 53,8 anos.

"Cerca de 37,9% das vítimas estão solteiras, 31% encontram-se numa relação (22,4% casadas e 8,6% em união de facto) e um pouco mais de um quarto encontram-se separadas ou divorciadas" e a maioria (63,7%) refere ter filhos.

Quanto à localização geográfica atual, a região Norte é a que registou um maior número de vítimas (20), seguida de Lisboa e Vale do Tejo (17), Centro (15), Madeira (3), Alentejo (2) e Açores (1).

Quanto às habilitações literárias, 39,6% das vítimas atendidas pelo Grupo VITA têm escolaridade até ao 9.º ano, inclusive, 22,4% têm o ensino secundário concluído e 38% frequentaram o ensino superior (licenciatura, mestrado ou doutoramento).

Quanto à situação profissional, cerca de 50% das vítimas trabalham, aproximadamente 21% encontram-se reformadas e três são estudantes. Cerca de 16% encontram-se desempregadas ou sem ocupação.

Já no que concerne à sua ligação com a religião, mais de metade das vítimas (55,2%) consideram-se católicas.

"Em termos de frequência, cerca de 21% referem participar frequentemente em atos religiosos (...) e 19% fazem-no de forma ocasional (...). Um número de vítimas menos expressivo (10,3%) refere nunca participar em atividades religiosas".

O Grupo VITA surgiu na sequência do trabalho da Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais de Crianças na Igreja Católica, liderada pelo pedopsiquiatra Pedro Strecht, que ao longo de quase um ano validou 512 testemunhos de casos ocorridos entre 1950 e 2022, apontando, por extrapolação, para um número mínimo de 4.815 vítimas.

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