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25 de Abril. Revoltosos partiram vidros, a PIDE matou

A operação militar dos capitães atravessa momentos decisivos e dramáticos, recordados por comandou o golpe.

25 de Abril. Revoltosos partiram vidros, a PIDE matou
Notícias ao Minuto

12:06 - 24/04/24 por Lusa

País 25 de Abril

A operação militar dos capitães atravessa momentos decisivos e dramáticos, como a tomada da sede da PIDE e a rendição de Marcello Caetano, recordados por comandou o golpe.

Os cinco mortos do golpe

Na manhã do golpe, os militares fiéis ao regime de Caetano não conseguiram que os soldados disparassem um tiro que fosse contra as forças revoltosas desde manhã cedo a ocupar o Terreiro do Paço, em Lisboa, lideradas por Salgueiro Maia. Foi considerado o momento decisivo do golpe.

As únicas mortes do 25 de Abril aconteceram na rua António Maria Cardoso, em Lisboa. Os tiros foram disparados das janelas da sede por agentes da PIDE, que atingiram quem estava lá fora. Eram civis e não militares. Na antiga sede da PIDE, há uma placa com os quatro nomes: João Arruda, estudante de Filosofia, Fernando Giesteira, empregado de mesa, José Harteley Barneto, escriturário, e Fernando Reis, soldado. A quinta morte foi de um escriturário da PIDE, António Laje.

Salgueiro Maia: "E quem paga a fatura dos vidros?"

Tiros também se ouviram no Quartel do Carmo, para a fachada do edifício onde Marcello Caetano se refugiou. Disparou o tenente Santos Silva, da Escola Prática de Cavalaria de Santarém, à ordem de Salgueiro Maia.

"O que eu aqui, ao rádio, chateei o Salgueiro Maia para disparar, para partir os vidros. E o Salgueiro Maia dizia-me: 'E depois quem é que paga a fatura dos vidros?' Isso não interessa, alguém há de pagar, pá! Dispara! Faz uma rajada! Parte os vidros de umas janelas do primeiro andar! Porque isso vai assustar as pessoas", pedia Otelo Saraiva de Carvalho a um "relutante" Salgueiro Maia, que adiava os disparos sobre as janelas do quartel.

Quando, pelo rádio, ouviu os vidros partirem, Otelo disse: "Pronto, já está!"

A "conversa em família" que ajudou a derrubar Marcello

"Hoje sabe-se que esta ação, de partir os vidros, foi decisiva para a rendição do Marcello. [...] Não sabíamos aqui, mas nesse primeiro andar morava a família do general comandante [da GNR] Adriano Pires. Mulher e filhos estavam lá dentro também. E quando os vidros partem a mulher e os filhos desatam aos gritos", relatou o comandante do PC da Pontinha.

E terá sido a mulher de Adriano Pires que precipitou a rendição e a queda do regime. Depois da rajada do MFA sobre a fachada do quartel, obrigou o marido a dirigir-se à sala onde estava Marcello Caetano e a exigir-lhe que se entregasse.

"Ele vai ter com o Marcello e diz-lhe: 'Tenha paciência, mas isto está tudo perdido, o melhor é apresentar mesmo a rendição'", relatou.

Otelo ficou, porém, com uma mágoa: "Só tenho pena que não tenha sido o Salgueiro Maia, nessa altura, a obter a rendição do Marcello Caetano. Que não tenha sido o MFA. Acabou por ser o Spínola, que ligou para aqui."

E a PIDE? Foi ou não conivente?

"Sabiam ou não sabiam? Eu estou convencido que sabiam", declarou Sanches Osório, a propósito do conhecimento que a polícia política do regime teria dos preparativos para a revolução. Desde logo, porque um plenário do Movimento das Forças Armadas (MFA), com 196 militares num primeiro andar em Cascais, com as janelas todas abertas para se poder respirar, é coisa que "dá nas vistas".

A reunião, a 05 de março de 1974, era para ter sido num salão paroquial, mas por não ter sido possível de arranjar, foi transferida, "em desespero de causa", para um ateliê, cedido pelo irmão do capelão Manuel Arreios. Do encontro saiu o documento orientador da ideologia subjacente ao golpe militar, o programa do MFA, lido no plenário por Melo Antunes, o ideólogo do movimento.

A reunião decorreu e "não sucedeu nada".

"E estou convencido que não sucedeu porque havia, com certeza, contactos. Agora falam-me de um amigo do general Spínola", disse Sanches Osório, dando a entender que haveria contactos para bloquear que informações sobre o movimento de capitães chegassem às chefias da polícia política do regime.

"Ó Amadeu, você sabe de alguma coisa?"

Garcia dos Santos conhecia pessoalmente Barbieri Cardoso, subdiretor da PIDE, n.º 2 do diretor Silva Pais. Meses antes do 25 de Abril foi convidado para um jantar na casa do alto responsável da polícia política, por ocasião dos anos da filha do homem do regime.

"Ele chama-me de parte e diz-me assim: 'ó Amadeu, diz que há para aí uns movimentos de capitães que andam para aí a fazer umas coisas, você sabe de alguma coisa?'", perguntou Barbieri Cardoso a Garcia dos Santos, que se fez de desentendido: "Não, não sei de nada, nem nunca ouvi dizer nada."

"A PIDE nessa altura, uns três ou quatro meses antes, já sabia do que se estava a passar no movimento dos capitães. Havia informadores que com certeza estavam no conjunto da nossa gente" disse.

Leia Também: 25 de Abril "não tem de ser comemorado em parelha com mais nenhum dia"

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