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Um dos narcotraficantes mais procurados esteve em Lisboa. Google traiu-o

Ainda que nenhuma localização fora dos Emirados Árabes Unidos tenha sido publicada desde o alerta emitido pelos Estados Unidos, em 2022, Kinahan passou por vários países estes últimos anos – entre eles Portugal.

Um dos narcotraficantes mais procurados esteve em Lisboa. Google traiu-o

Um dos narcotraficantes mais procurados do mundo, cujo cartel estará implicado em vários homicídios, foi ‘traído’ pela sua pegada digital. É que, ao longo dos últimos cinco anos, Christopher Vincent Kinahan deixou vários comentários no Google sobre os locais por onde passou, tendo sido possível apurar que o cabecilha do cartel irlandês Kinahan esteve não só no Dubai, onde se acredita que estará refugiado, como também em Espanha, no Zimbábue, na África do Sul, na Bélgica, e até mesmo em Portugal.

As autoridades acreditam que Christopher Vincent Kinahan e os dois filhos, que têm a ‘cabeça a prémio’ pelos Estados Unidos, com uma recompensa de 15 milhões de dólares (13.842.075 euros) por informações que levem à sua detenção, estarão no Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Contudo, o país absteve-se, até agora, de extraditar o trio.

O cabecilha do cartel, que terá acumulado mais de mil milhões de dólares (922.900.000 euros) com o comércio de narcóticos ilegais, tráfico de armas e lavagem de dinheiro terá tentado reinventar-se nos últimos anos ao usar apenas o seu nome próprio e o nome do meio. Foi através desta identidade que o Bellingcat e o The Sunday Times levantaram o véu à pegada digital de Christopher Vincent, que publica comentários no Google dos locais que visita desde 2019.

Ainda que nenhuma localização fora dos Emirados Árabes Unidos tenha sido publicada desde o alerta emitido pelos Estados Unidos, em 2022, Kinahan passou por vários países estes últimos anos – entre eles Portugal.

Tudo começou com uma avaliação de três estrelas no restaurante Bareburger City Walk, no Dubai, a uma curta distância do edifício mais alto do mundo, o Burj Khalifa, em 2019. Desde então, o narcotraficante publicou 221 comentários, o último do qual feito no dia 29 de março de 2023, segundo o Bellingcat.

De acordo com aquele meio, Kinahan divulgou 102 avaliações para estabelecimentos nos Emirados Árabes Unidos, 45 em Espanha, 28 no Zimbábue, 16 na África do Sul e 14 na Turquia. Passou, também, por Hong Kong, pelos Países Baixos, pela Hungria, pelo Egito, pela Bélgica e por Portugal, tendo estado em Lisboa em pelo menos três localizações.

Segundo o perfil, o irlandês esteve, há dois anos, no The Corner Irish Pub, ao qual deu uma classificação de três estrelas. O Hotel Avenida Palace teve direito não só a cinco estrelas, como também a uma crítica mais alargada: “Alojamento numa localização perfeita, mesmo ao lado da estação ferroviária e literalmente a 60 metros do metro. Equipa excelente e serviço muito bom.”

Kinahan deixou ainda um longo comentário sobre o restaurante Tapas n’ Friends Trindade, cujos funcionários foram, a seu ver, “simpáticos e prestáveis”.

“Serviço muito bom. Visitei este restaurante três vezes durante a minha estadia em Lisboa. Uma desvantagem foi que, numa das noites, ficaram sem várias opções do menu. No entanto, recomendaria este restaurante situado na Rua da Trindade, no Edifício Maçónico. Destaque para a jovem nepalesa (Sujata) que nos serviu; estava muito atenta e foi muito boa a lidar com os seus clientes. Excetuando a falta de pratos no menu, merece uma classificação de 4,5 estrelas”, escreveu.

Kinahan, que é conhecido como ‘The Dapper Don’ pelo sua forma de vestir, esteve detido por várias vezes entre 1986 e 1997, tendo sido condenado por crimes relacionados com o tráfico de droga e lavagem de dinheiro. Além disso, o seu cartel pode estar envolvido em pelo menos 20 assassinatos, segundo um relatório emitido em 2022 pela Europol. Os seus dois filhos, Daniel e Christopher Jr, também são uma parte fundamental da operação, de acordo com o Departamento do Tesouro dos EUA.

Daniel será a peça mais relevante, devido à sua posição no boxe. Em 2016, uma tentativa falhada de assassinar o irlandês gerou uma onda de violência entre os Kinahans e a gangue rival Hutch, que levou à morte de pelo menos 18 pessoas. Kinahan, que residia no sul de Espanha na altura, decidiu, então, mudar-se para o Dubai.

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