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Reunião sobre gémeas? "Tenho muita pena de não ter sabido há quatro anos"

Presidente da República rejeitou ter falado com o filho sobre o caso, até porque "quem tem de falar é que tem de falar".

Reunião sobre gémeas? "Tenho muita pena de não ter sabido há quatro anos"
Notícias ao Minuto

18:04 - 24/12/23 por Notícias ao Minuto com Lusa

País Presidente da República

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, lamentou, no domingo, não ter tido conhecimento sobre o caso das gémeas luso-brasileiras que receberam um tratamento milionário no Hospital Santa Maria e da reunião entre o filho, Nuno Rebelo de Sousa, e o então secretário de Estado da Saúde, Lacerda Sales, quando aconteceu, há sensivelmente quatro anos.

"Só soube disso agora e tenho muito pena de não ter sabido há quatro anos e tal, porque era nessa altura que devia ter sabido, não agora. Mas isso diz respeito às relações pessoais. Pessoalmente, retiro as conclusões de não ter sido dito o que devia ter sido dito, que me permitia intervir para que não tivesse acontecido o que aconteceu", argumentou Marcelo em declarações aos jornalistas desde o Barreiro, distrito de Setúbal.

O Presidente da República orgulhou-se, ainda, de que "os portugueses estão firmes", citando uma sondagem da SIC/Expresso, em que se mantém "65% de confiança no Presidente" da República, apesar do polémico caso. "Não trocam o conhecimento do presidente há 20 ou 30 anos por dois ou três meses em que tem havido crise política e que houve muitas notícias e muitas informações contrárias ao presidente. É uma grande consolação que registo", ressalvou.

"Quem organizou, quem fez esse encontro, fê-lo porque não conseguiu chegar onde queria por outro caminho, que era através do Presidente e da Presidência da República, por isso é que foi a seguir tentar outra coisa", atirou ainda.

Perante a insistência sobre se tinha falado, ou não, com o filho, Nuno Rebelo de Sousa, o Presidente da República atirou: "Quem tem de falar, e há quatro anos e meio, não sou eu. Pois se não tenho que falar, quem tem que falar é que tem que falar".

Apesar deste caso, o Presidente da República disse que lhe serve de "consolação" que "os portugueses estão firmes, e a sondagem que acabou de sair mostra que mantêm 65% de confiança no Presidente, não trocam o conhecimento do Presidente de há 20 ou 30 anos por dois ou três meses em que tem havido crise política, em que houve muitas notícias e muitas informações contrárias ao Presidente".

Marcelo realçou que após "um mês, mês e meio" de "constantes notícias, dúvidas, interrogações, suspeições levantadas" esta semana "foi importante".

O chefe de Estado admitiu que esta situação gerou, para si, "uma situação pessoal muito desagradável", ainda por cima na "pior altura do ano para ter situações desagradáveis, que é o Natal".

Marcelo Rebelo de Sousa aproveitou ainda para fazer um balanço dos próximos seis meses, em que realçou as eleições para o Governo dos Açores, as eleições legislativas e as eleições para o Parlamento Europeu, que marcarão o ambiente político no início e no meio de 2024. 

De recordar que, em entrevista ao Expresso, Lacerda Sales admitiu ter-se reunido com o filho do Presidente da República, num encontro em que Nuno Rebelo de Sousa lhe falou do caso das gémeas.

Lacerda Sales conta que foi o filho do Presidente da República a pedir uma reunião, "com o objetivo de apresentar cumprimentos", e que, durante o encontro, falou do caso das duas crianças com atrofia muscular espinhal, que viriam a ser tratadas no Hospital de Santa Maria com um fármaco de dois milhões de euros (por pessoa).

"Disse-me que conhecia duas crianças luso-brasileiras com AME, com perto de 1 ano, e que seria importante fazerem um medicamento (Zolgensma) até cerca dos 2 anos. Não me deu conta de que haveria um processo paralelo do ponto de vista formal, que tinha havido contactos com a Estefânia, com a Casa Civil, que esse contacto tinha ido para o gabinete do primeiro-ministro e para o Ministério da Saúde", afirma.

O ex-governante conta igualmente que o filho do Presidente da República lhe perguntou qual seria a amplitude da sua intervenção e que lhe respondeu que "trataria este caso como todos os outros, sem privilégio".

O caso das duas gémeas residentes no Brasil que adquiriram nacionalidade portuguesa e receberam em Portugal, em 2020, o medicamento Zolgensma, com um custo total de quatro milhões de euros, foi divulgado pela TVI, em novembro, e está a ser investigado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e pela Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS).

Uma auditoria interna do Hospital Santa Maria concluiu que a marcação de uma primeira consulta hospitalar pela Secretaria de Estado da Saúde foi a única exceção ao cumprimento das regras neste caso.

Segundo o relatório da auditoria interna pedida pelo Conselho de Administração do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN), os controlos internos de admissão, tratamento e monitorização dos tratamentos a crianças com atrofia muscular espinhal entre 2019 e 2023 foram respeitados, à exceção da "referenciação de dois doentes para a primeira consulta de neuropediatria".

O documento refere ainda que as duas meninas foram referenciadas (através do pedido de consulta) pelo então secretário de Estado da Saúde, uma situação que Lacerda Sales continua a negar.

[Notícia atualizada às 06h25]

Leia Também: Da reunião à consulta. A confusa fita do tempo de Sales no caso gémeas

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