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"País caminha alegremente para catástrofe maior do que há três anos"

O professor João César das Neves faz hoje, num artigo que assina no Diário de Notícias, uma analogia entre o que se “passa na economia internacional” e nacional e uma cirurgia, começando por esclarecer que “a anestesia, no caso de Portugal a troika, “apenas cria uma janela de conforto para realizar a cirurgia drástica”. Acontece que, defende, no país essa “oportunidade de cura foi desperdiçada” e “caminhamos alegremente para uma catástrofe maior do que a evitada há três anos”.

"País caminha alegremente para catástrofe maior do que há três anos"

O título ‘Anestesia sem cirurgia’ do texto que esta segunda-feira o professor universitário João César das Neves assina no Diário de Notícias, serve de mote para uma analogia curiosa. “Antigamente as cirurgias eram feitas a frio, sem adormecer o paciente. Nos estretores da dor muitos morriam da cura. As modernas anestesias tornaram tudo mais sereno e eficaz, mas trouxeram novos problemas”, escreve.

E que problemas? “Confundindo alívio com saúde, alguns evitam o tratamento incómodo, morrendo por descuido terapêutico”, tal como sucede “na economia internacional”.

“Quando em 2008 rebentou nova bolha, as autoridades fizeram com rapidez aquilo que deviam ter feito em 1929. A súbita e vasta injeção de moeda pelos bancos centrais segurou a generalidade do crédito, enquanto programas de ajustamento do FMI e UE (União Europeia) apoiavam as economias frágeis”, lembra César das Neves, destacando que “até em Portugal os custos foram muito inferiores à depressão”.

Mas nessa altura, sublinha, “surgiu novo perigo”, provando que “a anestesia apenas cria uma janela de conforto para realizar a cirurgia drásticas que, essa sim, elimina o mal. Quando os bancos centrais e autoridades europeias adormecem as dores, fazem o seu dever. Quando os responsáveis nacionais e empresariais usam esse alívio para esquivar medidas duras, matam o doente”.

Para o professor universitário “os exemplos são evidentes. Em Portugal a ajuda da troika evitou o colapso de um défice orçamental de 11,5% do PIB em 2010, após décadas a fingir normalidade. O alívio de três anos permitia medidas indispensáveis, mas o tempo foi passando sem verdadeiras reformas”.

E agora? “Apesar da suposta austeridade, esta oportunidade de cura foi realmente desperdiçada. Portugal discutiu, barafustou, inventou desculpas e bloqueou cortes, medidas e programas fazendo muito pouco”, como prova o “défice de 5,8% em 2013” e “as taxas de juro da dívida pública estão baixas” graças, explica, “à anestesia da liquidez mundial”.

Pelo que, “assim caminhamos alegremente para uma catástrofe muito maior do que a evitada há três anos”. “A terrível doença, a desconfiança, permanece e até se agravou. A ajuda temporária perpetua-se e pode transformar-se na pior das armadilhas. A culpa não é das autoridades monetárias, meros anestesistas, mas das reformas evitadas, ilusões cómodas, sobretudo na suspeita geral que todos alimentam, sem perceber que serram o tronco onde se sentam”, escreve.

“Assim se vai comodamente preparando a desgraça que enfrentaremos daqui a uns tempos”, remata César das Neves hoje no Diário de Notícias.

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