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Jornadas sobre violência sexual arrancam para humanizar, refletir e educar

Humanizar as vítimas e fazê-las sentirem-se seguras na denúncia, além de criar espaço para refletir o que é a violência sexual e as suas consequências são os principais objetivos das primeiras Jornadas sobre o tema, que decorrem na quarta-feira.

Jornadas sobre violência sexual arrancam para humanizar, refletir e educar

A organização é da responsabilidade da Quebrar o Silêncio, que apoia homens vítimas de violência sexual, e, em declarações à agência Lusa, o presidente da associação explicou que a vontade em arrancar com a primeira edição das Jornadas teve a ver com a constatação do desconhecimento que ainda existe sobre este fenómeno.

Na opinião da Ângelo Fernandes, importa não só saber exatamente o que é a violência sexual, mas também as circunstâncias em que acontece, que formas apresenta, quem são as vítimas, para que tanto profissionais como sociedade em geral tenham "um património comum e conhecimento também que depois ajude na intervenção e na prática".

O presidente da Quebrar o Silêncio enumerou como principais desafios para as vítimas de violência sexual o sentirem segurança no momento de procura por apoio ou de denúncia do crime, mas também junto dos profissionais, além do medo da descredibilização, da moralização, dos juízos de valor.

Segundo Ângelo Fernandes, há também dificuldades sentidas por parte dos profissionais que lidam com o fenómeno, nomeadamente no domínio do que é a violência sexual, o trauma, as formas em que se traduz um abuso ou até mesmo em compreender o que é ou não consentimento.

"Quando estes conhecimentos estão frágeis, não estão seguros, vai implicar e influenciar a forma como os profissionais trabalham com as vítimas, recebem as vítimas, as partilhas de abuso e o apoio prestado", apontou.

No mesmo dia das Jornadas é apresentada uma campanha de sensibilização para a violência sexual que assenta na ideia de que os homens quando são vítimas em criança demoram cerca de 20 anos a denunciar ou procurar ajuda.

Ângelo Fernandes explicou que este "longo silêncio" das vítimas prende-se com vários fatores, desde sentimentos de vergonha pelo que aconteceu, sentimentos de culpa ou até mesmo desconhecimento sobre se aquilo que aconteceu foi efetivamente um caso de violência sexual.

"Há muitas vítimas, sejam homens ou mulheres, que não sabem o que é violência sexual e podem achar que aquilo de que foram vítimas foi uma coisa diferente, uma experiência sexual desconfortável, dolorosa, mas que não se enquadra como violência sexual quando na verdade foi abuso sexual", apontou.

Disse acreditar, por isso, que uma das formas que pode contribuir para que as vítimas se sintam mais seguras e não precisem esperar tanto tempo para denunciar seja a criação de eventos, como as Jornadas, para educar e informar toda a sociedade sobre este crime.

"Quanto menos falarmos mais as vítimas se vão sentir isoladas, desinformadas e esta desinformação e este isolamento acaba por aumentar o silêncio das vitimas. Temos que cada vez mais falar sobre violência sexual, educar, informar, sensibilizar, deixando todos a par do que é a violência sexual", defendeu, acrescentando que "é preciso reconhecer que a violência sexual é potencialmente traumática".

Criticou, por outro lado, que as denúncias sobre casos de abusos sexuais na Igreja Católica estejam apenas a motivar a discussão mediática sobre a instituição, quando o que entende que deveria estar a acontecer seria a discussão do que há em comum com o que aconteceu na Casa Pia ou noutros contextos de abuso, seja na família ou na escola.

"O abuso sexual não é específico nem da Casa Pia nem da igreja, é onde estas as crianças estão é onde os abusos acontecem. Por isso era importante que estas oportunidades e estes momentos servissem para informar sobre quem é que são os abusadores, em que circunstâncias é que abusam, como é que chegam às crianças, como é que as silenciam, como é que garantem um contexto em que abusam de crianças sem haver suspeitas", sublinhou.

O vídeo da campanha de sensibilização vai estar disponível nas redes sociais, enquanto os materiais impressos serão distribuídos por universidades, hospitais ou esquadras.

Ângelo Fernandes sublinhou que a mensagem principal passa por humanizar a vítima, mostrando que os adultos que hoje denunciam foram crianças abusadas que cresceram em silêncio com as consequências do trauma e que não tiveram o apoio que precisavam e mereciam.

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