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Mobilidade deve ser "instrumento" para aprofundar relação no Mediterrâneo

O ministro dos Negócios Estrangeiros português, João Gomes Cravinho, defendeu hoje que a mobilidade deve ser "um instrumento estrutural" para aprofundar as relações entre as duas margens do Mediterrâneo.

Mobilidade deve ser "instrumento" para aprofundar relação no Mediterrâneo

João Gomes Cravinho participou hoje, em Barcelona, no 7.º Fórum Regional da União para o Mediterrâneo (UpM) que, segundo afirmou, se focou, sobretudo, nas questões relacionadas com "a mobilidade transmediterrânica", para as quais o Governo português olha "com um grande interesse".

"Acreditamos que deve ser um instrumento utilizado de forma sistemática, estrutural, para o aprofundamento das relações entre as duas margens do Mediterrâneo, que têm de ser baseadas nas pessoas, nos seus povos, que afinal se conhecem há muitos e muitos séculos", disse o ministro, que deu, nos trabalhos do Fórum, o exemplo da iniciativa do antigo Presidente da República, Jorge Sampaio, de criar uma plataforma de apoio aos refugiados sírios.

"É algo que nós estamos a procurar replicar em outra escala, com mais países do norte e do sul do Mediterrâneo", revelou João Gomes Cravinho.

A União Europeia (UE), os seus 27 Estados-membros e mais 16 países mediterrânicos estiveram hoje reunidos em Barcelona no 7.º Fórum Regional da União para o Mediterrâneo (UpM).

Após o Fórum da UpM, o ministro português esteve noutro encontro, igualmente em Barcelona, mais restrito, entre os países da UE e vizinhos do sul (dez países do norte de África e Médio Oriente que têm acordos de associação com a União Europeia).

Neste encontro, o debate centrou-se, segundo João Gomes Cravinho, na segurança energética, tanto na dimensão da designada "transição verde", para reduzir emissões poluentes e combater as alterações climáticas, como na vertente do objetivo de diminuir a dependência europeia do gás russo.

"Essas duas componentes podem ser conjugadas justamente com o outro lado do Mediterrâneo, apostando na energia verde vinda do norte de África, o hidrogénio, em particular, mas também a eletricidade verde de fontes como eólica e solar. E isso creio que também deve ser pensado de uma forma estratégica para evitar a dependência de países que são adversários estratégicos, como é o caso da Rússia", afirmou.

Espanha propôs hoje no Fórum Regional da UpM a realização de uma cimeira entre a UE e os países vizinhos do Sul no segundo semestre de 2023, durante a presidência espanhola do Conselho da EU.

Para o ministro português, "faz falta essa cimeira".

"Estamos todos concentrados, por razões óbvias, na invasão da Ucrânia pela Rússia, mas o resto do mundo é muito importante. Aliás, eu diria que é duplamente importante nestas circunstâncias consolidarmos o nosso relacionamento com outras partes do mundo, incluindo a América Latina e os países da margem sul do Mediterrâneo", afirmou.

Nos discursos e declarações públicas feitas hoje nos encontros de Barcelona, tanto os representantes dos países europeus como dos Estados do sul do Mediterrâneo se queixaram do pouco impacto que tem no terreno a ação de uma organização como a UpM, que existe desde 2008 e é herdeira de um processo iniciado há 27 anos, em 1995.

O secretário-geral da UpM pediu mesmo "mais recursos" para a organização intergovernamental, que a partir de hoje, com a entrada da Macedónia do Norte, conta com 43 países.

João Gomes Cravinho disse não poder dar-se "por satisfeito" com o "nível de interação e diálogo" entre as duas margens do Mediterrâneo mas acrescentou não estar "nada seguro" de que "o problema central seja a falta de recursos", dando como exemplo a disponibilidade de meios, manifestada hoje em Barcelona, pelo Banco Europeu de Investimento e pelo Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento.

"Julgo que o problema central tem muito mais a ver com falta de engajamento de parte a parte, com problemas dentro da União Europeia e na região do Magrebe em particular, porque esta é uma região que não funciona como região. E, portanto, julgo que nós temos muito mais potencial por realizar do que aquilo que tem sido a realidade até agora", afirmou, dizendo-se "otimista quanto aos recursos".

Gomes Cravinho defendeu que o relacionamento na região euro-mediterrânica tem de funcionar "nas duas direções" e "não pode ser simplesmente a obtenção por parte dos países europeus, por exemplo, de energia barata", passando por, "em primeiro lugar, pela educação, pela aposta na capacitação e pelo investimento" na margem sul do Mediterrâneo.

A Europa "tem muito a ganhar com isso", afirmou o ministro, que sobre a questão dos fluxos migratórios irregulares disse que "é evidente" que "vão acontecer quando há um desfasamento tão brutal de desenvolvimento entre espaços mais ou menos contíguos".

Leia Também: Cravinho vê com "tranquilidade" ida de embaixador ao Ministério do Qatar

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