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Sanidade do sistema político depende de haver "oposição muito forte"

O Presidente da República defendeu hoje que, para haver sanidade no sistema político, é necessário "visualizar-se uma alternativa", acrescentando que "só uma oposição muito forte" permite fazer "acordos de regime".

Sanidade do sistema político depende de haver "oposição muito forte"

Falando no encontro "Portugal XXI: País de futuro", que decorreu hoje na Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais, Marcelo Rebelo de Sousa abordou os desafios que Portugal enfrenta e referiu-se à "questão muito debatida das condições institucionais para o crescimento económico".

"Há condições institucionais que estão adquiridas em Portugal: a estabilidade governativa e parlamentar, durante o período de quatro anos, quatro anos e meio. Deve ser na Europa, que eu me lembre, o único país com maioria absoluta de um partido", afirmou o chefe de Estado, antes de notar que essa maioria também existe na Grécia "graças ao sistema eleitoral".

No entanto, Marcelo frisou que essa maioria absoluta "não chega": "A sanidade de um sistema é mais do que isso: é haver alternativa, ou visualizar-se uma alternativa, que só isso é que permite, nomeadamente, acordos de regime".

"Só uma oposição muito forte é suficientemente forte para fazer acordos de regime. Senão não faz: tem ciclos tão pequenos, tão pequenos, tão curtos, tão curtos, que não faz acordos de regime. São sempre precários", referiu.

Elencando assim temas para acordos de regime, Marcelo Rebelo de Sousa referiu que "há uns que são fáceis de fazer: a transição energética é largamente fácil, a digital é facílima, mais difícil a saúde, mais difícil a segurança social, embora mais fácil do que a saúde".

"Há assim uns domínios, já não conto com a educação, esperando que se ultrapasse os diferendos ideológicos em relação às qualificações", referiu.

O Presidente da República considerou "que é fundamental haver um permanente desejo de renovação, quer dos parceiros políticos, quer económicos e sociais, que estão muito obsoletos".

"A melhor prova da obsolescência é que, ao lado, nasceram outros quase parceiros económicos e sociais, e quase parceiros políticos, que estão a ocupar parte do espaço, ou a completar parte do espaço", sublinhou.

Marcelo salientou, no entanto, que "Portugal tem uma vantagem em relação a outros países europeus", considerando que o país "está a conseguir integrar os populismos", o que disse ser "bom".

"Está a conseguir integrar, até agora, com maior ou menor dificuldade, movimentos inorgânicos e populistas, que irromperam a partir de 2018, mas depende da capacidade dos parceiros políticos e dos parceiros económicos e sociais: só incorporam se tiverem flexibilidade para isso, e se houver forma dentro do sistema", afirmou.

Num discurso de cerca de 30 minutos, Marcelo Rebelo de Sousa abordou ainda o desafio da "vitalidade do sistema democrático", que disse "passar, por exemplo, pela força da comunicação social".

"Uma comunicação social que está à beira da precariedade económico-financeira -- porque o mercado é pequeno, porque houve as crises A, B, C, D -- é um fator de fragilização do sistema político", sublinhou.

Leia Também: Eletricidade. Marcelo promulga mecanismo de ajuste dos custos de produção

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