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Sindicato diz que urgências de cirurgia estão ameaçadas, Hospital refuta

As escalas da urgência de cirurgia do Hospital de Faro podem ficar sem profissionais este mês pela saída de cinco cirurgiões, segundo um sindicato, mas o diretor clínico garantiu que o serviço e os cuidados à população "estão garantidos".

Sindicato diz que urgências de cirurgia estão ameaçadas, Hospital refuta
Notícias ao Minuto

15:10 - 01/12/21 por Lusa

País Faro

Jorge Roque da Cunha, secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), disse à agência Lusa que em causa estão "quatro jovens cirurgiões que saíram -- e um quinto ainda não saiu porque está em isolamento profilático, mas vai sair", e isso vai provocar que haja "noites e dias inteiros da escala de dezembro que estão totalmente a descoberto", podendo "nesses dias, o serviço de urgência de cirurgia pode encerrar".

Confrontado com a denúncia do sindicato, o diretor clínico do Hospital, Horácio Guerreiro, reconheceu que esses cinco profissionais "pretendiam uma melhoria salarial" e o Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA) "fez tudo o que podia" para os manter, mas não poderia "abrir o precedente" de deixar os profissionais sair para os contratar depois como tarefeiros.

"A assistência está garantida para a população e a escala, embora tenha poucos elementos em cada dia, é uma escala suficiente para tranquilizar as pessoas e garantir os cuidados cirúrgicos à população", afirmou Horácio Guerreiro, frisando que, "se em Faro houver mais dificuldade", os doentes serão "transferidos para Portimão, onde há uma equipa robusta" de cirurgia.

O secretário-geral do SIM disse estar preocupado com a saída desses profissionais porque, além de serem menos elementos para assegurar o serviço, "seis dos médicos que lá ficam têm mais de 55 anos" e podem ser dispensados de fazer serviço de urgência.

Jorge Roque da Cunha criticou "a incapacidade que o Governo" para "reconhecer o esforço ou criar condições para fixar os médicos, como se verificou com estes cinco" que agora pretendem sair do hospital de Faro, e acusou o executivo de usar "propaganda a dizer que está tudo bem" quando isso não corresponde à realidade.

Para o sindicalista, "infelizmente, parte do serviço continuará a ser assegurado por prestadores" externos, que "ganham mais do que pessoas mais diferenciadas e só vão consoante as suas disponibilidades", apelando ao Ministério da Saúde e ao Conselho de Administração do CHUA que encontrem fórmulas que corrijam a situação e criem condições para fixar os médicos no Serviço Nacional de Saúde.

Horário Guerreiro disse, por seu turno, que o Hospital de Faro tentou "por tudo" encontrar fórmulas para manter estes cinco cirurgiões, que queriam "melhores condições salariais" e achavam que "podiam sair e voltar a ser contratados em conduções mais favoráveis".

"O que se poderia pôr como alternativa era contratá-los como prestadores externos, como temos alguns nos serviços de urgência, contudo, isso era abrir o precedente que poderia ser extensível a todos os médicos do hospital e imagine que todos os outros queriam fazer o mesmo", justificou.

O hospital ainda propôs aliviar e "melhorar as condições de trabalho" com a "contratação de uma equipa para pequena cirurgia" e garantindo um "prestador externo todos os dias para dar apoio ao serviço de urgência", acrescentou o diretor clínico, que ainda espera que alguns possam reponderar a saída.

Sobre o escalonamento de serviço, à semelhança do que se verifica noutros hospitais, "as escalas são sempre lacunares" devido à falta de recursos humanos crónica no CHUA e noutros pontos do país, mas garantiu que "a escala de dezembro está preenchida todos os dias com médicos da casa" e "não há nenhuma preocupação especial em relação a dezembro, mesmo com a saída desses colegas", disse.

"A assistência está garantida para a população e a escala, embora tenha poucos elementos em cada dia, é uma escala suficiente para tranquilizar as pessoas e garantir os cuidados cirúrgicos", assegurou.

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