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Família apresenta queixa contra Residências Montepio por maus-tratos

Duas filhas apresentaram queixa-crime no Ministério Público contra a Residências Montepio, em Vila Nova de Gaia, distrito do Porto, por alegados maus-tratos sobre a mãe, mas a instituição refuta a acusação.

Família apresenta queixa contra Residências Montepio por maus-tratos

A queixa-crime, a que a agência Lusa teve acesso, foi apresentada junto do Departamento de Investigação e Ação Penal de Vila Nova de Gaia, contra a Residências Montepio -- Serviços de Saúde, o supervisor, Rui Jorge, e a diretora técnica do lar, Célia Vasconcelos.

A denúncia conta que, "devido ao estado de total dependência de terceiros, em função da quase total impossibilidade de locomoção e movimentação", a família procurou uma instituição "com as condições adequadas" para que a idosa pudesse ser transferida, após a alta clínica do Hospital de Santo António, no Porto, onde esteve internada com a covid-19, doença que lhe retirou a autonomia de se deslocar pelo próprio pé.

Em fevereiro deste ano, Leontina Coelho, à data com 76 anos, teve vaga na Residências Montepio, em Gaia.

A queixa diz que, "logo no primeiro mês de internamento", uma das filhas da utente contactou o diretor da instituição, Rui Jorge, "que lhe terá feito um relatório muito otimista", indicando que as patologias da mãe "tinham 'regredido' bastante".

"No entanto veio a apurar-se que tal não correspondia à verdade. Com o pretexto da crise pandémica, durante largos meses não foram permitidas visitas, outrossim videochamadas", indica a denúncia, acrescentando que "durante as parcas videochamadas" o que mais chamou a atenção das duas filhas foi o facto de a mãe "aparecer sempre bastante coberta".

As filhas sustentam que era "desta forma" que a Residências Montepio "conseguia ocultar as necroses espalhadas pelo corpo", visíveis em fotos juntas à queixa-crime.

Durante as videochamadas, uma das filhas "sempre achou a mãe muito calada e demasiado parada, para aquilo que seria o seu 'normal'", razão pela qual insistiu numa visita presencial.

"No dia da visita, a aqui denunciante Márcia constatou que a sua mãe estava a ser maltratada pelo lar, quer do ponto de vista dos cuidados de saúde, quer da privação de alimentação, já que era notória a magreza da Sra. Leontina", lê-se na queixa-crime, a cargo do escritório Ascensão Gonçalves, advogados.

As filhas acusam os responsáveis pelo lar de "desleixo, de incúria demasiado grave e de não se importarem com os utentes".

Em resposta escrita enviada à Lusa, a Residência Montepio de Gaia disse desconhecer a existência de qualquer queixa-crime, sublinhando que "nunca" recebeu "qualquer reclamação ou manifestação de descontentamento por parte dos familiares".

"As Residências Montepio repudiam a acusação de alegados maus-tratos, que consideram infundada e difamatória, uma vez que presta cuidados de qualidade a todos os seus utentes, sendo constantemente avaliados por entidades externas", salienta a diretora técnica da instituição, Célia Vasconcelos.

Esta responsável afirma que a instituição "cumpre com todas as normas e boas práticas".

"O caso desta utente foi alvo de todos os cuidados, com uma atenção e acompanhamento constante face à perda recente do seu marido. Assim, a ser verdade que há queixa, causa profunda estranheza não ter existido por parte da família qualquer contacto, reclamação ou manifestação, ainda que informal, de insatisfação, pois que, de acordo com os nossos registos, muito regularmente, quase diariamente, visitaram o seu familiar", explica a diretora técnica.

A família da utente refere ainda que a diretora técnica "terá dado ordem" para que a idosa fosse transportada ao Hospital Eduardo Santos Silva, em Gaia, "com o qual o lar aparentemente tinha protocolos".

"No entanto, o estado clínico da Sra. Leontina era tão grave que foi de imediato reencaminhada para o Hospital de Santo António, onde foi colocada em cuidados continuados e paliativos, com administração de morfina em SOS", pode ler-se na queixa.

A família acusa ainda a instituição de admitir "de imediato" outra paciente para o lugar de Leontina Coelho, "quando deveriam aguardar pela verificação do seu estado de saúde".

"Já no Hospital de Santo António, à Sra. Leontina veio a apurar-se um quadro clínico irreversível, isto porque, o corpo apresentava (...) feridas graves, já de várias semanas, várias necroses, e marcas abundantes pelo corpo todo, nomeadamente nas mãos e pescoço", refere a denúncia.

Leontina Coelho viria a falecer em 25 de junho deste ano.

Neste momento, o Ministério Público está a chamar as testemunhas arroladas pela família.

A família pagava 506 euros de mensalidade enquanto a Segurança Social "comparticipava com igual montante".

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