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Capelinhos, um vulcão com 64 anos mas muito presente na memória do Faial

O Faial nunca mais foi o mesmo após a erupção do vulcão dos Capelinhos, a 27 de setembro de 1957.

Capelinhos, um vulcão com 64 anos mas muito presente na memória do Faial - O Faial nunca mais foi o mesmo após a erupção do vulcão dos Capelinhos, a 27 de setembro de 1957.

Nos últimos dias, as imagens que nos chegam de La Palma, nas ilhas Canárias, em Espanha, têm mostrado o poder de uma erupção vulcânica e a destruição que esta pode causar. 

Ao longo dos anos foram várias as tragédias relacionadas com este tipo de fenómeno geológico um pouco por todo o mundo, mas devido à proximidade de La Palma a Portugal é ainda mais assustadora a possança que um vulcão pode ter. Felizmente, até ao momento, não se registaram vítimas mortais, contudo, a lava já destruiu centenas de casas e fez milhares de desalojados.

Apesar deste ser um cenário pouco familiar à maioria dos portugueses, os açorianos, principalmente os faialenses, conhecem bem este tipo de fenómeno.

Há quase 64 anos, no dia 27 de setembro de 1957, o Faial acordava, pelas 6h45, para um dos piores anos que esta ilha já viveu. Na Ponta do Capelo, no extremo oeste da ilha, o mar aparentemente calmo entrou em estado de fúria, depois de 12 dias de pequenos sismos, com a lava a atingir temperaturas de mais de mil graus.

Do oceano Atlântico surgiram nuvens cinzentas e explosões que jorravam jatos de cinza. O barulho que brotava do interior deste era tanto que chegou a ser ouvido por habitantes das ilhas do grupo Ocidental dos Açores, a mais de 150 milhas náuticas de distância.

Após sete meses de atividade vulcânica marítima, o fenómeno chegou a terra e os rios de lava incandescente subiram o mais alto possível de forma violenta.

Apesar disso, a erupção ainda durou mais tempo. Foram 13 meses ao todo até o vulcão ter voltado à inatividade, no dia 24 de outubro de 1958. Durante este tempo, o céu estava sempre negro, os terrenos de cultivo cobertos de cinzas vulcânicas e as casas nas imediações acabaram por ser soterradas ou ruírem com a força dos tremores de terra provocados pelo vulcão. 

Os 174 milhões de metros cúbicos de material emitido levaram à criação de uma paisagem nova e com características muito específicas, onde o verde deu lugar ao negro e o cone vulcânico atingiu uma altura de cerca de 160 metros.

O vulcão foi tão violento que o Faial viu mesmo o seu território ser aumentado em 2,4 quilómetros quadrados, depois de um pequeno ilhéu que emergiu durante a erupção se ter unido, com a acumulação da lava, aos Capelinhos formando um istmo.

Não se registaram mortes, mas o susto foi tal que muitos habitantes decidiram deixar a ilha, dando origem a um dos maiores fluxos migratórios da região. Como consequência de muitas pessoas terem ficado desalojadas, surgiu a Lei dos Refugiados dos Açores, em 1958, e o então presidente norte-americano John F. Kennedy autorizou a emigração das pessoas afetadas. De acordo com os meios locais, estima-se que, nesta altura, 17 dos 30 mil habitantes tenham abandonado o Faial rumo aos EUA.

Tal como recorda o site Azores Get Aways, o rasto de destruição deixado por esta erupção foi enorme, mas hoje é uma das paisagens mais emblemáticas do arquipélago dos Açores. 

No local há agora, debaixo da terra para não interferir com a paisagem natural existente, o Centro de Interpretação do Vulcão dos Capelinhos, onde pode ficar a par de toda a história desta erupção da vulcânica.  

Leia Também: Nenhum sistema vulcânico dos Açores está "fora do normal"

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