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Ambientalistas ibéricos preocupados com mina de urânio em Retortillo

Ambientalistas portugueses e espanhóis pedem a atenção dos governos de ambos os países para o processo de instalação de uma mina de urânio em Retortillo, Espanha, que está em fase de análise pelas autoridades, foi hoje anunciado.

Ambientalistas ibéricos preocupados com mina de urânio em Retortillo
Notícias ao Minuto

14:14 - 07/05/21 por Lusa

País Ambiente

No documento dirigido aos governos de Portugal e de Espanha, à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e ao Conselho de Segurança Nuclear (CSN), os subscritores dizem ter tido conhecimento que em Retortillo, Salamanca, "a escassos trinta quilómetros da fronteira pode, ainda, vir a ser minerado urânio a céu aberto e instalada uma unidade industrial para o processar e fabricar concentrados, assim como toda uma infraestrutura de transporte e manutenção, assim como de gestão dos resíduos aí produzidos".

"O processo está em análise, avaliação e licenciamento no CSN que tem sido sujeito a muitas pressões por parte da indústria financeiro extrativa", lê-se no documento a que hoje a agência Lusa teve acesso.

Os ambientalistas dos dois países alertam que o projeto "é obsoleto, não se sustenta economicamente, e ambientalmente como socialmente é altamente destrutivo, é um buraco de radioatividade, de destruição da biodiversidade e do território, além da contaminação de aquíferos, sendo também um risco para todo o espaço urbano envolvente".

"Dado o vale do Douro, do lado português, ser Património da Humanidade, mais inverosímil se torna a manutenção de toda esta estrutura que já devia ter sido encerrada", sublinham.

Os subscritores solicitam à APA e ao Governo português "que fazendo uso dos tratados e da legislação europeia façam saber do constrangimento nacional e da exigência" e que "exijam, caso haja deferimento, uma Avaliação Ambiental Estratégica, que permita a participação cidadã" no processo.

Ao Governo espanhol apelam "que não aceite os supostos direitos adquiridos" pela empresa, "nem qualquer compensação económica", para um empreendimento "tão lesivo do património e suscetível de afetar as relações de boa convivência entre os povos da zona".

A ambos os governos apelam, ainda, "que deem andamento ao artigo 37.º do tratado Euratom, que obriga a consulta da Comissão Europeia e a parecer desta, com base em especialistas, sobre a contaminação da água, da terra e do ar".

Ao CSN, os ambientalistas pedem "a maior independência" na avaliação do projeto, "tendo também em conta os interesses transfronteiriços, e o facto de em nenhum local na Europa, e cada vez menos a nível mundial, este tipo de projetos ter cabimento".

O documento, que já foi entregue aos destinatários portugueses, é subscrito pelas associações e organizações ZERO - Associação Sistema Terrestre Sustentável, Campo Aberto - Associação defesa do ambiente, Plataforma Stop Urânio, ADENEX, Comité Antinuclear y Ecologista de Salamanca e Observatório Ibérico Energia.

No dia 10 de outubro de 2020, alguns ativistas e ambientalistas de Portugal e de Espanha manifestaram-se na Guarda, durante a 31.ª Cimeira Luso-espanhola, tendo o Movimento Ibérico Antinuclear entregue um documento aos governos dos dois países a apelar ao fecho da central de Almaraz (situada a cerca de cem quilómetros de distância da fronteira) e da exploração de urânio em Retortillo (localizada a cerca de trinta quilómetros da fronteira).

Leia Também: Transição para sociedade inclusiva justa tem de pensar no ambiente

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